Novos cenários

XP aponta bolsa como o melhor ativo para investir com a transformação do Brasil pós-Previdência

"Tudo mudou para os investimentos, as carteiras precisam ser repensadas", destaca a equipe de análise da XP em relatório em que mostra o cenário para a economia, política, mercados e investimentos pós-Previdência

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SÃO PAULO – A noite do dia 7 de agosto de 2019 foi marcante para o Brasil. A reforma da Previdência foi aprovada na Câmara dos Deputados com uma economia de R$ 933,5 bilhões em 10 anos, trazendo mais uma mostra de como o momento é transformacional. 

Em relatório (para conferir na íntegra, clique aqui) em que destacou o cenário para a economia, política, mercados e investimentos pós-Previdência, a XP Investimentos avalia que as perspectivas são de que a atividade econômica vai acelerar, a confiança será retomada e os juros irão para novas mínimas. “Tudo mudou para os investimentos, as carteiras precisam ser repensadas”, destaca a equipe de análise.

Os analistas apontam que ainda falta a aprovação da Previdência no Senado, com a tramitação iniciando nesta quinta na Casa. Contudo, os riscos então sendo cada vez mais mitigados e a previsão da XP é de uma economia de R$ 800 bilhões a R$ 850 bilhões em dez anos. Assim, a partir disso, o foco muda da Reforma da Previdência para a agenda após a mesma, com grande destaque para a Reforma Tributária e iniciativas micro, que podem destravar novos horizontes para o Brasil.

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No ambiente atual, os analistas da XP apontam que veem a bolsa como o melhor ativo no País, com projeção que o Ibovespa atinja 115 mil pontos em 2019 (upside de 12% frente o fechamento de 7 de agosto) e 140 mil pontos no fim de 2020 (upside de 36%). 

A XP avalia que uma agenda reformista e liberal deve destravar valor dos ativos no Brasil, com revisão positiva de lucros, menor percepção de risco e maior alocação para ações.

Olhando para este contexto, a preferência é por empresas estatais e cíclicas domésticas. Contudo, também há oportunidades nas cíclicas globais, que negociam a um desconto excessivo. “O índice negocia a 11,4 vezes o preço sobre o lucro esperado para 2020 contra média histórica de 12,3 vezes e potencial de chegar a 14 vezes. Ou seja, patamar muito atrativo”, aponta. 

Os juros mais baixos por mais tempo são apontados como um dos principais motivos para a visão positiva da XP para a bolsa. 

O primeiro movimento positivo ocorre em meio ao melhor custo de oportunidade para se investir em ações, ou menor percepção de risco, avalia a XP: “uma redução de 1 ponto percentual nas taxas de desconto das empresas de nossa cobertura leva a uma alta de 12,5% em nossos preços alvo”.

Os lucros também devem ser impulsionados com despesas financeiras menores. Outro fator é que as oportunidades de retorno em renda fixa pública e privada ficam mais desafiadoras e os investidores terão que migrar parte das carteiras para a Bolsa, lembra a equipe de análise, ressaltando ainda que, se analisar apenas fundos, a alocação de ações ainda é de 7,3%, abaixo da média histórica de 8,3% e do pico de 14,6% em 2007. 

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“Todas as empresas, em maior ou menor grau, se beneficiam da queda do juros”, aponta a XP.

Em primeiro lugar, os claros beneficiários são empresas do setor de consumo, como varejo, construtoras e aluguéis de carros. Os setores de infraestrutura, como elétricas e concessões, também são destaque, uma vez que os retornos de novos projetos podem ser elevados por uso de endividamento com juros menores. Por fim, as, empresas com endividamento elevado em todos os setores terão menos gastos com juros, e podem fazer novas emissões em condições melhores. 

Os analistas da XP apontam 4 temas para o momento na Bolsa: 

(1) Selic baixa por mais tempo do precificado – apesar da queda expressiva da curva de juros no ano, a XP vê espaço para mais queda com a aprovação da Reforma, o que não está precificado em nomes sensíveis, como elétricas e locação de veículos;

(2) Aceleração do crescimento – o tema deve começar a ganhar tração ao longo dos próximos meses e impactar positivamente nomes cíclicos;

(3) Nomes de qualidade – que se beneficiam da retomada econômica, mas com menor volatilidade pela qualidade na execução e

(4) Cíclicos globais – descontados mas de forma seletiva, dadas as incertezas globais ainda elevadas

Renda fixa

Apesar do cenário de queda de juros tornar o ambiente mais complicado para os ganhos em renda fixa, a XP avalia que a ampla oferta de ativos mostra que boas oportunidades não deixam de existir. 

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A equipe de análise aponta que o Tesouro Direto possui opções de títulos que, por apresentarem maior risco de volatilidade,
podem oferecer boa rentabilidade. O maior risco ocorre em meio aos prazos mais longos, além de serem títulos prefixados ou indexados ao IPCA, apresentando maior flutuação atrelada à variação na taxa de juros, como os exemplos destacados abaixo: 

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Além disso, com a melhoria no cenário de crédito, os emissores estão alongando os prazos de suas dívidas e outras entidades de risco mais alto acessando pela primeira vez o mercado. No caso dos bancários, há exemplos de bancos médios e novos entrantes que emitem CDBs a taxas atraentes, acima de 100% do CDI. 

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Agenda pós-previdência e cenário externo

A XP avalia que, com a reforma da Previdência ocupando a agenda do Senado, a Câmara deve trabalhar em duas vertentes: i) a tentativa de fechar um acordo sobre a reforma tributária, ainda não tão madura, mas que pode ser votada na Comissão Especial neste semestre e ii) na agenda de reformas microeconômicas.

“Independência do Banco Central, privatizações, marcos regulatórios setoriais, lei de recuperação judicial, pacto federativo, todas estas são agendas que a Câmara tentará votar neste segundo semestre”, avalia a equipe de análise.

A XP aponta que um ponto de atenção será na relação do Congresso Nacional com os governadores e prefeitos, seja pela situação das contas destes entes federativos, seja por razões políticas, apontando ser importante prestar atenção ao quanto o Parlamento estará disposto a reforçar as receitas.

Enquanto isso, no exterior, o cenário preocupa, mas juros mais baixos podem ajudar a levantar os ânimos. “O cerne do problema é uma desaceleração global, que vem sendo acentuado por tensões comerciais recorrentes, em especial as tensões entre os EUA e a China, o que traz incerteza, menores investimentos e volatilidade aos mercados”.

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Porém, do lado positivo, o Federal Reserve mudou a retórica e está em trajetória de redução de juros e mais estímulos, sendo seguido por outros grandes bancos centrais, o que dá suporte aos emergentes apesar da preocupação com o crescimento. 

“Com o ambiente reformista no Brasil, juros em queda e expectativa de que a atividade deve começar a acelerar, o otimismo ganha força, apesar de um cenário internacional mais incerto”, destaca. 

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