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As revisões para baixo nas expectativas de lucro e um cenário operacional mais apertado no curto prazo levaram a XP Investimentos a adotar uma postura de maior cautela com a WEG (WEGE3).
Segundo relatório divulgado nesta quarta-feira (6), os analistas ajustaram o preço-alvo para R$ 47 até o final de 2026. Os analistas destacam que apesar da companhia ainda manter um perfil de expansão no longo-prazo, os balanços recentes mostram que a rentabilidade líquida para 2026-2027 deve ficar entre 6% e 10% abaixo do que o consenso de mercado previa anteriormente.
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“A WEG continua se destacando pela força de seu perfil de crescimento de longo prazo, mas os resultados recentes ainda implicam revisões negativas de lucros”, diz o relatório, que reitera a recomendação neutra para as ações da WEG, que operavam em alta de 3,47%, a R$ 45,05, às 16h15 (horário de Brasília) desta quarta, em um dia de ânimo para o mercado.
Os analistas afirmam no documento que a desaceleração projetada para o próximo ano é reflexo direto de gargalos na capacidade de produção e de impactos desfavoráveis do câmbio, um dos principais fatores que devem limitar o avanço consolidado da receita em real a apenas 3%.
A XP Investimentos mantém a ideia de “ventos contrários” sobre a WEG, ao menos até um ponto de virada que está previsto para o biênio de 2027-2028, quando é esperada uma reaceleração mais robusta. A XP espera um crescimento orgânico que deve retomar o patamar de 14% a 16%.
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De acordo com o documento, no curto prazo, a dinâmica de preços e o mix de produtos oferecem suporte, mas a desalavancagem operacional e as pressões tarifárias seguem como obstáculos mais fortes.
Margens
A lucratividade da companhia deve enfrentar um primeiro semestre de 2026 mais volátil do que o antecipado, com uma normalização esperada apenas a partir da segunda metade do ano.
“A dinâmica recente de lucratividade introduziu alguma incerteza”, afirma a XP, que aposta na melhor alavancagem das operações e no ramp up (aceleração de produção) da unidade de Betim para sustentar a expansão das margens, por conta da “recomposição de preços em andamento e uma base comparativa mais fácil em solar”.
A estimativa é que o lucro líquido atinja entre R$ 6,3 bilhões e R$ 7,3 bilhões no biênio 2026-2027, respectivamente, refletindo a recente valorização da moeda nacional nos modelos matemáticos da instituição.
Valorização
Sob a ótica do valuation, a assimetria atual é considerada pelos analistas como ligeiramente desfavorável, uma vez que os múltiplos de P/L (Preço sobre Lucro) entre 25 e 29 vezes já absorveram boa parte da recuperação esperada para os lucros futuros.
“Em um contexto de revisões negativas de lucros, crescimento limitado no curto prazo e um pano de fundo macro menos favorável, vemos a assimetria de valuation ligeiramente enviesada para o downside”, explicam os analistas.
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Eles sugerem que um ponto de entrada tecnicamente mais seguro estaria na faixa entre R$ 36 e R$ 38 por ação. Desta forma, o nível de suporte presume um cenário mais conservador para os ganhos e múltiplos que retrocedem para patamares históricos de piso.
Riscos
Os riscos que podem pressionar o desempenho das ações estão concentrados em fatores externos, como a volatilidade macroeconômica global e possíveis impactos do conflito entre Estados Unidos e Irã nas cadeias de suprimentos.
Os analistas acreditam, por outro lado, que a WEG pode se beneficiar de um eventual re-rating do setor industrial, impulsionado pelo aumento do capex (Investimentos em bens de capital) em redes elétricas para suportar o avanço da IA (Inteligência Artificial).
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Além disso, fluxos de investidores estrangeiros e novas oportunidades de crescimento inorgânico via aquisições continuam no radar como potenciais de alta para o papel.
“Continuamos dando à WEG o benefício da dúvida quanto à execução, dado seu amplo histórico de encontrar avenidas alternativas de crescimento apesar de obstáculos de curto prazo, particularmente por meio de alavancas operacionais e potenciais oportunidades inorgânicas”, finaliza o relatório.
