WEG (WEGE3) vê ação ter disparada após resultado do 2T: temor do mercado foi embora?

WEG mostra retomada da operação doméstica e supera projeções do mercado

Lara Rizério

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WEG (Foto: Divulgação)
WEG (Foto: Divulgação)

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O resultado do segundo trimestre da WEG (WEGE3) era esperado com ansiedade pelos investidores tanto por ser um dos primeiros da temporada brasileira quanto pelas sinalizações diferentes do que esperar para o balanço. Além disso, as últimas sessões pós-balanço da fabricante de motores elétricos e equipamentos de automação e geração de energia foram marcadas por variações extremas, tanto para cima quanto para queda.

Neste pós-2T26, a reação é “extrema” mais uma vez, mas pelo lado positivo. Às 10h13 (horário de Brasília) desta quarta-feira (22), WEGE3 saltava 7,44%, a R$ 45,63.

A companhia apresentou resultados acima das expectativas do mercado no segundo trimestre de 2026, impulsionados pela recuperação das operações no Brasil e por uma rentabilidade melhor do que a esperada, levando analistas a avaliarem que os números devem reforçar a confiança dos investidores na tese de crescimento da companhia.

A fabricante de motores elétricos, equipamentos industriais e soluções para energia registrou lucro líquido de R$ 1,56 bilhão entre abril e junho, queda de 2,1% na comparação anual, mas acima das projeções de mercado. O resultado superou em 4% o consenso e ficou 6% acima das estimativas do Bradesco BBI. Já a receita líquida recuou apenas 0,6% na mesma base de comparação, desempenho melhor do que o observado no primeiro trimestre e acima das previsões dos analistas.

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O principal destaque ficou por conta da rentabilidade. A margem EBITDA (Ebitda = lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações/receita líquida) atingiu 21,8%, recuo de apenas 0,3 ponto percentual em um ano, mas acima das estimativas do Bradesco BBI e do consenso do mercado. Para os analistas do banco, o resultado ajuda a dissipar as preocupações que surgiram após a performance mais fraca das margens no primeiro trimestre.

“O retorno a níveis mais normalizados de margem deve aliviar a maior parte das preocupações dos investidores sobre a rentabilidade”, afirmaram os analistas do BBI.

A leitura também foi positiva no Goldman Sachs. O banco destacou que o EBITDA de R$ 2,21 bilhões ficou 11% acima de suas projeções e 4% acima do consenso, enquanto o lucro líquido superou em 3% as expectativas compiladas pela Bloomberg.

Mercado doméstico volta a ganhar tração

O resultado trouxe sinais de recuperação das operações brasileiras, que vinham pressionando o crescimento da companhia nos últimos trimestres.

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As receitas do mercado doméstico recuaram 4,9% na comparação anual, mas a queda foi bem menor que a observada no primeiro trimestre, quando haviam caído quase 20%. O destaque ficou para a divisão de Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais (EEI), cujas vendas no Brasil avançaram 16,5%, sustentadas pela demanda por produtos de ciclo curto e equipamentos de ciclo longo, especialmente para o setor de papel e celulose.

Segundo o Bradesco BBI, a retomada da atividade industrial brasileira foi determinante para essa melhora e ajudou a compensar a ausência de entregas relevantes de projetos de geração solar centralizada, que continua afetando a divisão de geração, transmissão e distribuição (GTD).

No exterior, os resultados seguiram robustos. O crescimento orgânico das receitas internacionais atingiu 11,8% em bases neutras de câmbio, com destaque para América do Norte e Europa. Em dólares, as vendas avançaram 20% na América do Norte e 16,3% na Europa. A demanda por transformadores, projetos de transmissão de energia e soluções de geração de energia para data centers foi apontada como um dos principais vetores de crescimento.

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Margens resistem apesar de cobre e tarifas dos EUA

A rentabilidade da WEG chamou atenção porque veio acima das expectativas mesmo em um cenário de pressão de custos.

O Bradesco BBI destaca que a empresa continua enfrentando custos mais elevados de matérias-primas, especialmente cobre, além das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e do aumento das despesas com pessoal decorrente da expansão de capacidade produtiva. Ainda assim, ganhos de eficiência operacional ajudaram a compensar parte desses impactos.

O Goldman Sachs também observou que, embora a margem tenha sido beneficiada por uma normalização de despesas operacionais após efeitos não recorrentes registrados no primeiro trimestre, o desempenho ficou melhor do que o esperado.

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Após os números, o Bradesco BBI avalia que há espaço para revisões positivas das estimativas de receita e lucro para os próximos trimestres.

A instituição destaca que a companhia passará a enfrentar bases de comparação mais favoráveis no segundo semestre, principalmente após o impacto negativo das entregas de projetos solares observado ao longo do último ano. O banco também vê sinais encorajadores de aceleração das receitas domésticas e manutenção da forte demanda internacional.

Mesmo reconhecendo possíveis impactos das tarifas americanas sobre as margens, os analistas consideram que a lucratividade melhor do que o esperado pode levar o mercado a revisar para cima as projeções de resultados.

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Ações reagindo bem, mas valuation continua exigente

Apesar da avaliação positiva sobre o trimestre, o Bradesco BBI manteve recomendação neutra para a ação, com preço-alvo de R$ 48. Os analistas argumentam que a companhia continua entregando forte crescimento operacional, mas lembram que os múltiplos permanecem elevados.

Segundo o banco, a WEG negocia atualmente a cerca de 29 vezes o lucro estimado para 2026 e 25 vezes o projetado para 2027.

O Goldman Sachs, por sua vez, manteve recomendação de venda para o papel e preço-alvo de R$ 37,30. A instituição argumenta que, apesar da surpresa positiva no trimestre, ainda vê desafios para o crescimento das receitas diante da valorização do real, além de considerar a ação negociada em patamares exigentes de valuation.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.