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Mais um bancão elevou a recomendação para o WEG (WEGE3) após os resultados da companhia. Contudo, ainda assim, segue cauteloso com o papel.
O Goldman Sachs elevou sua recomendação para as ações da WEG, mas de venda para neutra, citando uma combinação de expectativas mais ajustadas pelo mercado, melhora gradual do ritmo de crescimento da companhia e uma avaliação que considera mais equilibrada em relação aos fundamentos atuais. Apesar do upgrade, o banco manteve uma visão cautelosa sobre o potencial de valorização dos papéis, estabelecendo preço-alvo de R$ 42,60 para os próximos 12 meses, abaixo da cotação de R$ 46,40 observada no fechamento de 27 de julho.
Segundo os analistas João Frizo e Bruno Amorim, uma das principais teses por trás da recomendação negativa anterior era a expectativa de que o mercado precisaria revisar para baixo suas projeções de crescimento da empresa, especialmente diante dos impactos da valorização do real sobre os resultados.
Como cerca de 60% das receitas da WEG são geradas no exterior, a apreciação da moeda brasileira reduziu receitas e lucros convertidos para reais. Ao longo de 2026, no entanto, o consenso de mercado já cortou em cerca de 6% as estimativas de receita e em 8% as projeções de lucro líquido, aproximando-se das estimativas do Goldman.
O banco também avalia que a trajetória operacional da companhia deve ganhar força nos próximos trimestres. Entre os fatores apontados estão a normalização da base de comparação dos projetos solares, o menor impacto cambial com os níveis atuais do real e, principalmente, a expansão de capacidade no segmento de transmissão e distribuição de energia (T&D), tanto no Brasil quanto no exterior. Na visão dos analistas, esses investimentos devem começar a impulsionar de forma mais relevante as receitas a partir do quarto trimestre de 2026.
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Com isso, o Goldman espera que a receita da WEG cresça apenas 1,7% em 2026, para R$ 41,5 bilhões, mas acelere para 16,1% em 2027, alcançando R$ 48,2 bilhões. O lucro líquido, por sua vez, deve recuar 4,2% neste ano, para R$ 6,1 bilhões, antes de voltar a avançar 15,1% em 2027, para cerca de R$ 7 bilhões.
Apesar da melhora nas perspectivas operacionais, o banco entende que a ação já precifica uma parcela importante desse crescimento esperado. A WEG negocia atualmente a cerca de 25 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, múltiplo próximo da média histórica de dez anos, de aproximadamente 24 vezes. Segundo o Goldman, esse prêmio reflete não apenas a qualidade do negócio, mas também o fato de a companhia ser vista por investidores como uma proteção contra a volatilidade macroeconômica brasileira, uma vez que possui forte exposição internacional.
Os analistas ressaltam ainda que os riscos de novas revisões negativas parecem mais limitados após os resultados do segundo trimestre e a acomodação das expectativas do mercado. Por outro lado, também enxergam poucos gatilhos para revisões relevantes para cima, já que o mercado já embute em suas projeções a contribuição das novas capacidades produtivas de T&D previstas para entrar em operação entre 2026 e 2027.
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Como reflexo dessa visão mais equilibrada, o Goldman elevou seu preço-alvo de R$ 37,30 para R$ 42,60 e aumentou o múltiplo utilizado na avaliação para 24 vezes o lucro projetado, ante 22 vezes anteriormente. Ainda assim, a instituição conclui que a relação entre risco e retorno está hoje mais balanceada, justificando a mudança de recomendação para neutra.
Cabe ressaltar que o Bradesco BBI e o JPMorgan elevaram a recomendação para WEGE3, mas com visão mais positiva ao elevarem para compra.