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O JPMorgan avalia que a WEG (WEGE3) poderia registrar um ganho extraordinário de aproximadamente R$ 170 milhões a R$ 230 milhões no terceiro trimestre de 2026 caso consiga recuperar as tarifas de importação cobradas pelos Estados Unidos sobre produtos de origem brasileira exportados pela companhia.
O impacto poderia elevar a margem EBITDA (Ebitda = lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações/receita líquida) da fabricante para entre 23,6% e 24,2%, ante estimativa de 22,1% do JPMorgan e consenso de 21,9%.
O banco ressalta que a análise envolve limitações de informação, já que a WEG não divulgou quanto efetivamente pagou em tarifas.
Para chegar à estimativa, o JPMorgan considera uma tarifa média de 20% sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) sobre as exportações brasileiras para os EUA entre abril de 2025 e fevereiro de 2026.

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O banco também assume que cerca de 60% das exportações para os EUA, principalmente produtos de ciclo curto, foram sujeitas às tarifas e tiveram os custos inicialmente absorvidos pela WEG.
Reembolso pode adicionar até R$ 234 milhões ao EBITDA
O JPMorgan estima que um eventual reembolso das tarifas da IEEPA poderia gerar um ganho extraordinário de R$ 166 milhões a R$ 234 milhões, equivalente a cerca de 7% a 9% do EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) estimado para o terceiro trimestre.
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Com esse efeito, a margem EBITDA do período poderia chegar a 23,6% a 24,2%, contra 22,1% na estimativa atual do JPMorgan. Isso representaria um impacto positivo de aproximadamente 150 a 210 pontos-base.
Em relação ao consenso, a margem projetada para o terceiro trimestre é de 21,9%.
O mesmo ganho de R$ 166 milhões a R$ 234 milhões incorporado ao EBITDA de 2026 elevaria a margem anual para aproximadamente 22,5% a 22,7%, ante estimativa atual de 22,1% do JPMorgan e consenso de 22,0%.
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Como o JPMorgan chegou à estimativa
O cálculo parte de aproximadamente R$ 1,68 bilhão em exportações da WEG do Brasil para os Estados Unidos entre abril de 2025 e fevereiro de 2026, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Desse total, R$ 621 milhões correspondem a produtos de transmissão, distribuição e geração de energia (GTD) e R$ 1,056 bilhão a equipamentos elétricos e industriais e motores para eletrodomésticos (EEI & Appliance Motors).
O JPMorgan não aplica a tarifa sobre toda a base. O banco considera apenas a parcela de produtos de ciclo curto, que teria maior probabilidade de ser elegível ao reembolso. Para isso, assume participação de 15% a 35% de produtos de ciclo curto nas exportações de GTD e de 70% a 90% em EEI & Appliance Motors.
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Com essas premissas, a base sujeita a tarifas ficaria entre R$ 832 milhões e R$ 1,168 bilhão. Aplicando uma tarifa média de 20%, o JPMorgan chega ao potencial de reembolso de R$ 166 milhões a R$ 234 milhões.
A estimativa considera especificamente as tarifas da IEEPA pagas entre abril de 2025 e fevereiro de 2026 e, portanto, é diferente do atual regime envolvendo as Seções 122, 232 e 301.
Tarifaço
O cenário tarifário entre Estados Unidos e Brasil passou por diversas mudanças desde o início de 2025.
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Pela IEEPA, as exportações brasileiras começaram sujeitas a uma tarifa reduzida de 10% em abril de 2025. A alíquota subiu para 50% em agosto e permaneceu nesse nível até outubro, antes de retornar a 10% em novembro. Em março de 2026, a tarifa caiu para zero.
Paralelamente, a Seção 232 adicionou uma tarifa de 50% sobre alumínio e aço a partir de junho de 2025, que permaneceu em vigor.
Após a Suprema Corte dos EUA derrubar a IEEPA em fevereiro de 2026, os Estados Unidos substituíram a medida no mesmo dia por uma tarifa de 10% a 15% baseada na Seção 122, inicialmente válida até junho de 2026.
Com a aproximação do fim da Seção 122, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) passou a utilizar a Seção 301. A nova estrutura entrou em vigor em julho de 2026, com tarifa de aproximadamente 37,5%, composta por uma alíquota-base de 25% e uma sobretaxa de 12,5% relacionada a trabalho forçado.
O que diz a WEG
Na teleconferência de resultados do segundo trimestre, a administração da WEG afirmou que estudava a possibilidade de obter o reembolso das tarifas já pagas. A companhia também destacou que as tarifas da Seção 232 permaneceriam em vigor e poderiam pressionar as margens, enquanto eventuais medidas de alívio levariam de um a dois trimestres para aparecer nos resultados.
A WEG afirmou ainda estar confiante na capacidade de compensar a maior parte do impacto por meio de reajustes de preços, do aumento da parcela de produtos fabricados e vendidos localmente e da flexibilidade para transferir a produção entre o México e os ativos recentemente adquiridos da Regal Rexnord.
O JPMorgan observa que a WEG é negociada atualmente a 19 vezes o valor da firma sobre o EBITDA estimado para 2027, acima dos 17,7 vezes dos pares industriais globais.