WEG (WEGE3): por que o novo plano do governo para a indústria não é bala de prata para a ação?

Mesmo apontada como potencial maior beneficiada do plano do governo, a WEG é vista com cautela por analistas

Camille Bocanegra

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O anúncio desta semana do programa “Nova Indústria Brasil”, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MIDC), foi visto com cautela pelos analistas de mercado. Porém, entre as possíveis beneficiadas, é quase um consenso de que a WEG (WEGE3) está entre as principais empresas que podem se beneficiar com o programa de incentivos.

Mesmo com o robusto programa sendo lançado, a maioria das casas de análise segue com recomendações neutra para a companhia, sem mudanças desde o lançamento do programa. De acordo com compilação LSEG, de 10 casas que cobrem as ações, 7 têm recomendação neutra e apenas 3 de compra.

De acordo com a XP, a WEG será privilegiada porque está “exposta a múltiplas iniciativas [contempladas pelo programa], como automação da indústria, energia limpa e mobilidade”.

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Porém, os analistas da casa ainda possuem recomendação neutra para o papel, com preço-alvo de R$ 40 para 2024 (ou alta de 20% frente o fechamento da véspera). “Ainda vemos uma assimetria negativa considerando os preços atuais das ações, com possíveis revisões descendentes iminentes nos lucros (para R$ 5,3-5,4 bilhões, como frequentemente ouvimos de investidores institucionais) sugerindo uma possível redução adicional do múltiplo”, consideram Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, analistas de bens de capital do Research da XP.

Os analistas reforçam que as razões que levaram ao rebaixamento da recomendação da companhia pela XP de “compra” para “neutro”, em agosto do ano passado, ainda se impõem, como o crescimento dos lucros em desaceleração e o múltiplo de 25,5 vezes a relação entre preço sobre lucro (P/E, na sigla em inglês, ou P/L em português) permanecendo em nível mais alto que o esperado. Em outras palavras, por mais que a análise considere estabilidade no retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), em níveis mais altos que os observados no período anterior a 2019, a métrica não é o suficiente para manter o otimismo com o nome.

O entusiasmo do Itaú BBA com o nome também esbarra no valuation, ainda que os analistas considerem que a companhia tem “potencial brilhante a longo prazo”. A assimetria da ação é vista como ligeiramente negativa, contando com um valuation exigente de cerca de 29 vezes o P/L para 2024 e expectativas mais pessimistas que o consenso (com lucro por ação estimado em 10% menos pelo BBA que o consenso BBG, por exemplo).

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A mensagem dos analistas do banco pode ser resumida em: “WEG sim, mas não agora”. Em análise do portfólio da companhia, há várias vias de crescimento e oportunidades de entrada em diversos mercados igualmente crescentes. No entanto, o ponto de entrada atual não se apresenta como o mais favorável para os papéis da companhia.

“Eletrificação (substituição de combustíveis fósseis por energia limpa) e eficiência energética impulsionarão um crescimento significativo na demanda por motores, que consomem metade da eletricidade do mundo, e por drives, que podem aumentar a eficiência de um motor em até 80%. Além disso, acreditamos que há amplo espaço para a WEG continuar expandindo sua participação de mercado, principalmente no exterior”, observam os analistas.

Mesmo também considerando a WEG como maior beneficiada pela nova política do governo para promover a indústria nacional, o Bradesco BBI continua com recomendação neutra para a ação, com preço-alvo estabelecido em R$ 37 (upside de 11%). Na recente revisão de cobertura do setor, o banco manteve o modelo de valuation inalterado para o nome.

Já o BTG Pactual aposta no nome no momento, com recomendação de compra e preço-alvo estabelecido em R$ 50 (upside de 50%). A análise reconhece o ciclo de crescimento mais lento após uma expansão constante durante a pandemia. Contudo, a visão positiva se baseia no segmento de transmissão e distribuição que, de acordo com a análise, deve sustentar o crescimento orgânico da WEG neste ano, em especial no mercado doméstico. O segmento também se coloca como robusto nos EUA e no México.