WEG (WEGE3): o que o anúncio de R$ 1,2 bilhão em investimentos representa para as ações da companhia?

Analistas consideram que notícia não impacta visão para as ações, com BBA e BBI seguindo com recomendação neutra, mas destacam anúncio como positivo

Camille Bocanegra

WEG (Divulgação: Linkedin)

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A WEG (WEGE3) anunciou nesta terça-feira (5) que investirá R$ 1,2 bilhão, ao longo dos próximos três anos, para expansão de capacidade de produção de transformadores no Brasil, México e Colômbia. A expectativa é de aumento de aproximadamente 50% da capacidade de produção da companhia e que o projeto seja concluído até o final de 2026.

As ações da companhia reagiam positivamente ao anúncio, com alta de 0,99% às 14h38 (horário de Brasília) desta quarta-feira (6), cotadas a R$ 35,66.

Para a maioria dos analistas, o anúncio é considerado positivo mas mais detalhes ainda precisam ser oferecidos no Investor Day da companhia, que está marcado para sexta-feira (8). A empresa, no momento, informou como serão realizadas as alocações dos investimentos em linhas de produção e unidades industriais. A maior parcela dos investimentos terá como destino o México, com alocação de R$ 765 milhões para construção de fábrica de transformadores.

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Na visão do Itaú BBA, a notícia é neutra para o case de investimentos, mesmo que seja positiva. A análise é que o gasto de capital (capex) já está incorporado, atualmente, ao modelo do BBA para WEG e que já compreende os investimentos necessários para busca de crescimento, seja para negócios internacionais ou domésticos no setor de T&D (transmissão e distribuição).

“Acreditamos que o mercado de T&D na América do Norte será a principal fonte de crescimento da WEG nos próximos anos, impulsionado por investimentos sem precedentes nos EUA para a expansão de energias renováveis. Dito isso, a combinação de uma avaliação um tanto exigente (cerca de 29 vezes o preço sobre o lucro para 2024) e nossa expectativa de um momento de lucros pouco inspirador nos próximos trimestres sustentam nossa classificação de market perform (desempenho de mercado, similar a neutro) para a ação”, afirma o BBA, que estabelece o preço alvo em R$ 38,50.

Em outro relatório sobre o setor de transportes, o banco destacou que a WEG pode ter suas vendas impulsionadas com a aceleração da tendência de eletrificação no Brasil mas, no curto prazo, há manutenção de postura conservadora para o nome.

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Na análise do Bradesco BBI, o investimento anunciado não é o suficiente para mudança da recomendação neutra para o nome, com preço alvo estabelecido em R$ 37,00 para o final de 2024.

“A WEG está planejando aumentar sua capacidade de produção de transformadores em cerca de 50%, impulsionada por: 1) o aumento do volume de investimentos nos Estados Unidos em energia renovável, que também exigirá investimentos massivos em transmissão e distribuição; e 2) os recentes leilões de concessão de transmissão de energia no Brasil. Esperamos que esses novos investimentos posicionem bem a WEG para obter novos pedidos nesses mercados”, considera o BBI.

O BTG Pactual reforçou que a de expansão da produção da WEG no setor de transformadores fez com que sua relevância no mercado dos EUA crescesse, com participação de 4% no mercado de transformadores de potência e 7% no mercado de transformadores de distribuição (em dados do Investor Day de 2020).

“Acreditamos que essa participação aumentou durante a pandemia devido à superior flexibilidade industrial da WEG. Além disso, a aquisição de novos terrenos no México sinaliza o compromisso da WEG em expandir a capacidade de transformadores. O México serve como principal centro de produção da WEG fora do Brasil, beneficiando-se de uma avançada integração vertical, incluindo sua única fundição interna além do Brasil”, reforça o banco.

Embora não considere o valuation atual da companhia “uma barganha”, o BTG reforça a recomendação de compra para o nome, com preço alvo em R$ 50,00.

A visão da Levante é positiva para o anúncio, seja na perspectiva doméstica ou na visão para o cenário internacional. Para os negócios lá fora, a casa considera que os investimentos têm potencial de sustentar o crescimento da empresa no mercado de T&D nos EUA. O avanço é especialmente relevante, uma vez que o setor tem impulsionado aumento significativo da receita da companhia nos últimos trimestres.

“Temos uma visão positiva dos investimentos recentemente anunciados pela empresa. Reconhecemos a importância desses aportes para sustentar o contínuo crescimento no segmento de GTD, permitindo à empresa aproveitar as oportunidades advindas do crescimento desse mercado no Brasil, especialmente diante dos leilões programados para os próximos anos”, sugere a Levante.