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WEG (WEGE3) divulga balanço: o que esperar e até onde vão as ações?

A companhia tem cerca de 60% da receita bruta de fora do Brasil, por isso a vulnerabilidade em relação à moeda

Rodrigo Paz Camille Bocanegra

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A WEG (WEGE3) apresenta seus resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) nesta quarta-feira (25). Mais uma vez, a expectativa de analistas não é positiva para o balanço da companhia, marcado por crescimento modesto da receita e margens mais pressionadas.

Na prática, isso significa que a WEG que a receita da companhia deve seguir com crescimento fraco (+2% na comparação anual) e com números impactados pelo câmbio, considerando o nível atual do real. A moeda brasileira, mesmo após tocar seu menor patamar dos últimos 21 meses na sexta-feira, segue desvalorizada na comparação com o dólar.

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“No curtíssimo prazo, esperamos resultados fracos no 4T, com receita caindo 2% na comparação anual e EBITDA em queda de 3%, refletindo bases de comparação difíceis no negócio de solar”, afirma o BBI.

A companhia tem cerca de 60% da receita bruta de fora do Brasil, por isso a vulnerabilidade em relação à moeda. Outro aspecto que impactou a companhia no último ano foi o tarifaço imposto pelos EUA sobre produtos brasileiros de diversas categorias. Com a revisão realizada na sexta-feira (20) pela Suprema Corte dos EUA, há caminho aberto para recuperação da companhia.

Em termos de impacto para a WEG, analistas da XP veem uma interpretação positiva. “Esperamos que tais medidas (embora ainda seja uma avaliação preliminar) eliminem as tarifas sobre produtos exportados do Brasil para os EUA (aproximadamente 9% da receita total da WEG), reduzindo os custos gerais para os produtos que entram no mercado americano”, apontam Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, analistas da XP Investimentos.

Além disso, o desempenho recente foi impulsionado por fluxos para mercados emergentes, em vez de seus próprios fundamentos. O JPMorgan aponta, inclusive, que a companhia apresentou queda nos papéis da companhia logo após divulgação de resultados, mesmo quando os dados vinham dentro das expectativas.

“Nos últimos 5 trimestres, as ações da WEG caíram mais de 5% em 4 ocasiões (excluindo o 3º trimestre de 2025, com +1%), mesmo quando os resultados estavam em linha com o consenso. Por fim, a WEG não é um veículo viável para surfar uma potencial recuperação econômica brasileira (60% da receita bruta vem de fora do Brasil) nem para o próximo ciclo de afrouxamento monetário (a empresa possui caixa líquido)”, destaca o JPMorgan, citando os argumentos dos “pessimistas”.

Os analistas observam um perfil de risco assimétrico, com maior potencial de queda do que de alta com atenção à atual avaliação de 32 vezes o múltiplo de preço sobre lucro (P/L) esperado para 2026 e 21,6 vezes o valor da empresa (EV)/ sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) esperado para 2026, pois espera um 4º trimestre fraco, com crescimento modesto da receita e margens pressionadas.

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“Embora os investidores estejam, em sua maioria, cientes da fraqueza do 4º trimestre e nossas análises de sensibilidade cambial sugiram uma queda limitada em relação ao consenso para o 4º trimestre, acreditamos que a confirmação de um trimestre fraco levará a novas revisões para baixo das projeções para 2026”, aponta.

Análise técnica Weg (WEGE3)

A WEG (WEGE3) entrou em um movimento de correção no curto prazo após a forte pernada de alta, encerrando a última sessão em queda de 1,08%, aos R$ 51,41, e voltando a negociar abaixo das médias móveis de 9 e 21 períodos, o que reduz a força do fluxo comprador no curtíssimo prazo. O IFR (14) em 50,87, em zona neutra, confirma a perda de momentum e coloca o ativo em uma região técnica importante.

No gráfico semanal, contudo, a estrutura permanece positiva: o papel acumula valorização de 5,98% em 2026, segue acima das médias e mantém a formação de topos e fundos ascendentes, enquanto o IFR (14) em 64,86 mostra que ainda há espaço para continuidade do movimento altista.

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Curto prazo

No curto prazo, observo que o retorno dos preços para baixo das médias de 9 e 21 períodos enfraquece o fluxo comprador imediato e mantém o ativo em fase corretiva após o movimento de alta recente. O fechamento em R$ 51,41 (-1,08%) reforça esse cenário de ajuste, com o IFR (14) em 50,87.

Para que o viés positivo seja retomado, será fundamental o rompimento da faixa de R$ 52,60 e R$ 54,52, região que recoloca o papel acima das médias e abre espaço para R$ 55,62 e novo teste da máxima histórica em R$ 56,73, com projeções mais longas em R$ 58,90 e R$ 60,00.

Por outro lado, a perda dos suportes em R$ 49,90 e R$ 47,65 deve acelerar o movimento corretivo, com possíveis alvos em R$ 45,50 e R$ 43,10, além da média de 200 períodos em R$ 41,56. Enquanto o ativo permanecer abaixo das médias no curto prazo, a leitura técnica segue de atenção para a duração desse ajuste antes de uma nova tentativa de retomada da tendência principal.

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Médio prazo

No gráfico semanal, a tendência de alta permanece preservada. A WEG segue negociando acima das médias móveis de 9 e 21 períodos, que mantêm inclinação positiva desde a recuperação iniciada no segundo semestre de 2025. A valorização de 5,98% em 2026, com cotação em R$ 51,41, é acompanhada por um IFR (14) em 64,86, ainda em zona neutra.

Para a retomada de um fluxo comprador mais intenso no médio prazo, será importante o rompimento de R$ 54,97 e, principalmente, da máxima histórica em R$ 56,73. Acima desses níveis, o ativo passa a trabalhar com projeções em R$ 57,50, R$ 61,00 e R$ 62,85, com alvo mais longo em R$ 67,00. Enquanto os preços permanecerem acima das médias, a leitura segue sendo de continuidade da tendência de alta.

No cenário de enfraquecimento, a perda da região de R$ 49,90 e R$ 45,50 tende a intensificar o movimento corretivo, podendo levar o ativo a R$ 41,22 e à média de 200 períodos em R$ 38,40. Ainda assim, no contexto atual, a estrutura principal permanece construtiva, e o mercado segue atento à defesa das médias como ponto-chave para uma nova tentativa de rompimento das máximas.

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