WEG: nova regra tarifária dos EUA muda exposição e traz efeito mistos para companhia

Política comercial dos Estados Unidos segue volátil, com mudanças recentes na Seção 232

Felipe Moreira

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Foto: Adobe Stock
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A XP Investimentos avalia que, um ano após a adoção das tarifas do chamado “Dia da Libertação”, a política comercial dos Estados Unidos segue volátil, com mudanças recentes na Seção 232 alterando a exposição da WEG (WEGE3). A sensibilidade da companhia deixa de ser majoritariamente geográfica e passa a depender mais do tipo de produto, em um cenário que combina efeitos positivos e negativos.

De um lado, a introdução de alíquotas escalonadas, isenções mais claras e limites para equipamentos de rede tende a reduzir distorções competitivas. Por outro, a decisão de aplicar tarifas sobre o valor total dos produtos, e não apenas sobre o conteúdo metálico, reduz parte desse benefício.

Apesar de manter uma visão positiva para a WEG como uma empresa de alta qualidade, a XP Investimentos reiterou recomendação neutra e preço-alvo de R$ 50, ao enxergar potencial de alta limitado no curto prazo. Entre os riscos, destacam-se restrições de capacidade produtiva e um câmbio desfavorável, que podem pressionar o crescimento dos lucros nos próximos trimestres.

Impactos das tarifas na WEG (WEGE3)

Antes, as tarifas incidiam apenas sobre o conteúdo metálico dos produtos importados, geralmente a uma taxa fixa de 50%. Agora:

Na prática, motores e geradores seguem como principal foco de exposição, com tarifas em torno de 25%, enquanto equipamentos de rede passam a ter regime limitado e produtos de automação tendem a ser isentos.

A XP estima um impacto tarifário equivalente a cerca de 3,6 pontos percentuais da receita consolidada, ou entre 12% e 13% das receitas nos Estados Unidos.

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Apesar disso, a casa entende que a WEG e o setor devem continuar conseguindo repassar os custos tarifários aos clientes, o que ameniza o impacto direto nas margens.

Estimativas

Com base nos dados de exportações divulgados Secex (Secretaria de Comércio Exterior), o JPMorgan estima que as exportações da WEG no 1T26 somaram US$ 292 milhões, queda de 6% na base anual.

Os dados mostram desempenho positivo no segmento de GTD (geração, transmissão e distribuição), com alta de 10% ano contra ano, enquanto equipamentos eletroeletrônicos industriais (IEE) e motores (AM) recuaram 11%.

Nesse cenário, o JPMorgan estima que as receitas externas da WEG em dólares devem crescer cerca de 5% no 1T26, abaixo dos 16% do consenso e de 12% da estimativa do banco. A casa mantém recomendação neutra para o papel, com preço-alvo de R$ 49, destacando que a ação negocia a 32,9 vezes o lucro projetado para 2026, acima dos pares globais (24,7 vezes), o que considera um prêmio injustificado diante de um cenário mais fraco para o primeiro semestre.