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O chairman do Federal Reserve, Kevin Warsh, já deixou claro, em duas reuniões ocupando a cadeira, que sua comunicação seria diferente do que o mercado se acostumou com Jerome Powell. De acordo com matéria do Financial Times, seu estilo “mais enxuto” deve ser mantido, mesmo após consequências no mercado na última decisão.
De acordo com fontes ouvidas pelo Financial Times, Warsh estaria disposto a apoiar uma alta dos juros já na reunião de setembro caso os próximos dados de inflação surpreendam para cima e reforcem a necessidade de um aperto adicional da política monetária. Atualmente, os contratos futuros apontam cerca de 55% de probabilidade de uma elevação de 0,25 ponto percentual, segundo dados da CME Group.
A possibilidade ganhou força após o FT revelar a disposição de Warsh em elevar os juros já no próximo mês. Na quinta-feira, o rendimento dos Treasuries de dois anos, considerado um dos papéis mais sensíveis às expectativas para a política monetária, avançou 0,04 ponto percentual, para 4,22%.
Poucos detalhes
A decisão de oferecer poucos detalhes sobre a estratégia para juros provocou forte liquidação dos títulos do Tesouro americano, segundo a matéria. Investidores afirmaram que Warsh não teria fornecido orientações suficiente sobre como pretendia conter o surto inflacionário presente desde o início do conflito entre os EUA e o Irã.
Pessoas próximas a Warsh consideram que o rumo da reformulação do Fed deve se manter, mesmo com admissão do chairman sobre ter cometido erros em suas primeiras dez semanas à frente do Fed. Mudanças mais amplas no processo de formulação da política monetária, contudo, devem ficar para depois. Os grupos de trabalho anunciados por Warsh em sua primeira coletiva de imprensa como presidente do Fed, em junho, só devem apresentar suas conclusões ao Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) ao longo do próximo ano, segundo a matéria.
Entre os pontos que Warsh teria se equivocado estão falhas em reforçar suas principais mensagens sobre estabilidade de preços e a criação de dúvidas sobre se seus planos de longo prazo para reformar o Fed poderiam afetar decisões de política monetária no curto prazo.
Um dos pontos principais, segundo o FT, da estratégia de Warsh é reduzir drasticamente as orientações fornecidas aos mercados pelos formuladores de política monetária. Esse plano têm sido comunicado desde a última decisão de juros.
Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 30 anos atingiram na semana passada o maior nível desde 2007. Muitos investidores afirmaram que o movimento refletiu, em parte, preocupações de que a comunicação limitada de Warsh tenha enfraquecido sua credibilidade no combate à inflação em um momento em que os preços elevados da energia ameaçam pressionar os custos de forma mais ampla.
No entanto, pessoas próximas a Warsh destacam que as medidas de expectativas de inflação baseadas no mercado permanecem baixas e recuaram nos últimos dias, sugerindo que os investidores acreditam que o Fed continua comprometido com a meta de estabilidade de preços de 2%.
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A expectativa é que Warsh utilize seu primeiro discurso no simpósio de Jackson Hole, promovido pelo Fed de Kansas City ainda neste mês, para explicar a “base intelectual de sua revolução silenciosa”, segundo o FT. Isso deve incluir esclarecimentos sobre pontos em que acredita ter falhado em sua própria comunicação.
Os sinais vindos do mercado de títulos seguem no radar do Federal Reserve. Os contratos de swap de inflação mostram que os investidores projetam inflação média de 2,4% em um período de cinco anos que começa daqui a cinco anos, indicador amplamente acompanhado pelo banco central americano para medir as expectativas de preços no longo prazo, segundo reportagem do Financial Times.
Desde que assumiu o comando do Fed, Kevin Warsh tem defendido que os participantes do mercado compreendem sua estratégia de política monetária, apesar das críticas crescentes de economistas e analistas. Para parte dos investidores, porém, sua credibilidade ainda precisará ser colocada à prova em um cenário no qual a inflação permaneceu acima da meta por vários anos. Na avaliação desses agentes, as preocupações só devem diminuir de forma definitiva quando os indicadores retornarem de maneira consistente ao objetivo de 2%, informou o FT.
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Sem forward guidance
Uma das principais marcas da gestão até aqui tem sido a comunicação mais enxuta. Diferentemente de seus antecessores, Jay Powell, Janet Yellen e Ben Bernanke, que costumavam oferecer orientações detalhadas sobre o cenário econômico e os possíveis rumos dos juros, Warsh tem adotado uma postura mais reservada.
Essa visão não é nova. Desde que deixou o Fed em 2011, após cinco anos na instituição, Warsh critica o uso do forward guidance, prática pela qual bancos centrais sinalizam antecipadamente os próximos passos da política monetária. Na avaliação do atual presidente do Fed, a estratégia tende a limitar a flexibilidade das autoridades ao criar expectativas que podem não se concretizar diante de mudanças no cenário econômico, segundo o Financial Times.
Antes da decisão anunciada na semana passada, os mercados atribuíam apenas 33% de probabilidade a uma alta dos juros, refletindo um nível incomum de incerteza que, na avaliação de analistas citados pelo FT, poderia aumentar a volatilidade dos ativos.
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Ao reduzir as sinalizações antecipadas, Warsh aposta que investidores passem a dedicar menos atenção à interpretação de discursos de dirigentes do Fed e concentrem suas análises nos indicadores econômicos que servirão de base para as próximas decisões de política monetária.

