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As falas de Donald Trump voltaram a trazer volatilidade a Wall Street nesta terça-feira (21). As bolsas americanas fecharam em baixa, pressionadas pelas dúvidas sobre um acordo entre Estados Unidos e Irã antes do anúncio de extensão do cessar-fogo.
Ao longo do dia, o mercado até tentou sustentar o tom mais positivo do início do pregão, mas a percepção de que as negociações seguiam travadas, somada à nova alta do petróleo, acabou pesando sobre os ativos de risco.
O anúncio de que Trump decidiu prorrogar a trégua só veio depois do fechamento dos negócios em Nova York.
Com o movimento de aversão ao risco já consolidado, o S&P 500 e o Nasdaq Composite recuaram 0,63%, enquanto o Dow Jones caiu 0,59%, uma perda de 293,18 pontos. O desempenho refletiu o temor de que o canal diplomático entre Washington e Teerã estivesse mais fragilizado do que o mercado vinha precificando.
Mercado devolve ganhos com ruído diplomático
A sessão começou com algum apetite por risco, apoiada ainda pela expectativa de avanço nas tratativas e por uma temporada de balanços que vinha ajudando a sustentar o mercado.
Esse impulso, porém, se perdeu ao longo do dia, à medida que aumentaram os sinais de que as conversas entre Washington e Teerã seguiam emperradas.
Segundo a Bloomberg, as ações apagaram os ganhos que chegaram a colocar o S&P 500 na rota de novo recorde depois de notícias de que autoridades iranianas teriam se recusado a participar das negociações e de que o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, adiou a viagem ao Paquistão.
A Reuters, por sua vez, ressaltou que a piora do noticiário geopolítico acabou se sobrepondo ao alívio trazido pelos resultados corporativos.
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Irã endurece discurso e trava expectativa de acordo
No centro da tensão esteve a dificuldade de abrir uma frente de negociação em condições minimamente aceitáveis para os dois lados.
Uma autoridade iraniana graduada disse à Reuters que Teerã poderia participar de negociações com os Estados Unidos no Paquistão, desde que Washington abandonasse sua política de pressão e ameaças.
Ao mesmo tempo, o recado seguia longe de indicar rendição ou concessão imediata.
Na mesma direção, a Bloomberg informou que o Irã avisou aos EUA, por meio do mediador paquistanês, que não participaria da rodada prevista para quarta-feira em Islamabad.
Com isso, ganhou força no mercado a leitura de que o cronograma diplomático estava mais comprometido do que se imaginava no começo da semana.
O cancelamento da viagem de JD Vance ao Paquistão, conforme a CNBC, reforçou essa percepção e ajudou a ampliar as perdas no fim do pregão.
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Para o investidor, o sinal foi claro: sem avanço concreto nas negociações, o prêmio de risco voltou a subir.
Petróleo volta a disparar e recoloca Ormuz no radar
A piora no humor das bolsas veio acompanhada de uma reação forte no petróleo, que voltou a subir após as quedas recentes registradas com a aposta de que um acordo estaria próximo.
Com o enfraquecimento dessa tese, o mercado passou novamente a precificar o risco de interrupções na oferta global de energia.
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Os contratos do Brent avançaram 2,81%, para US$ 92,13 por barril, enquanto o WTI subiu 3,14%, a US$ 98,48.
A retomada das altas recolocou no radar a importância estratégica do Estreito de Ormuz, ponto central para o fluxo global da commodity e uma das maiores sensibilidades do mercado em qualquer escalada no Oriente Médio.
Trump muda o tom ao longo do dia
Ao longo da terça-feira, Trump contribuiu para manter a volatilidade elevada.
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Em entrevista à CNBC, o presidente afirmou que esperava um “ótimo acordo” com o Irã, mas também disse que os Estados Unidos estavam prontos para retomar os bombardeios caso não houvesse entendimento.
A combinação entre discurso de negociação e ameaça militar aumentou a cautela em Wall Street.
Depois do fechamento, porém, veio a mudança de rumo no discurso. Trump anunciou a extensão do cessar-fogo e afirmou que a trégua seguirá até que os líderes iranianos apresentem uma proposta unificada para encerrar a guerra com os Estados Unidos e Israel.
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Segundo ele, a decisão se justifica porque o governo de Teerã está “seriamente fragmentado”.
Lucros seguem no radar, mas geopolítica volta a mandar
Apesar do recuo desta terça-feira, a visão mais construtiva sobre os mercados não desapareceu por completo.
Analistas ouvidos pela CNBC seguem apontando que a temporada de resultados corporativos tem servido de suporte para as ações, com expectativa de crescimento forte nos lucros e receitas resilientes.
Ainda assim, o pregão mostrou que, no curto prazo, o humor de Wall Street continua refém do noticiário geopolítico.
Quando a percepção de avanço diplomático enfraquece, as bolsas perdem tração rapidamente, o petróleo ganha força e o mercado volta a operar em modo defensivo.

