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Durante meses, os acionistas da Tesla (BDR: TSLA34) viveram momentos de tensão com o envolvimento de Elon Musk no governo do presidente americano Donald Trump. Mas qualquer alívio trazido por sua saída formal da administração na semana passada rapidamente se transformou em preocupação, quando o CEO da fabricante de veículos elétricos trocou farpas publicamente com seu ex-aliado.
As ações da Tesla despencaram 14% na quinta-feira após o desentendimento sobre o projeto de lei tributária proposto por Trump se transformar em uma briga aberta, com o presidente ameaçando encerrar contratos e subsídios do governo para a Tesla e a SpaceX, também de Musk. A queda eliminou US$ 153 bilhões do valor de mercado da Tesla — a maior perda diária já registrada — e gerou um ganho de US$ 4 bilhões para os vendedores a descoberto, segundo dados da S3 Partners.
No pré-mercado de sexta-feira, as ações mostraram sinais de recuperação, com alta de 4,7% às 4h01 em Nova York. Analistas otimistas, como Daniel Ives, da Wedbush Securities, disseram que a disputa não muda sua avaliação da ação, mas “claramente adiciona um obstáculo ao ambiente regulatório sob Trump”.
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Embora os acionistas da Tesla estejam acostumados com oscilações acentuadas, o tombo de quinta-feira destacou o quanto o valor de mercado da empresa está atrelado ao comportamento de Musk. Apesar da possibilidade de surgir uma oportunidade de compra, alguns observadores do mercado consideram arriscado tentar “pegar a faca caindo”.
As ações da Tesla haviam subido após a vitória eleitoral de Trump, com muitos acreditando que sua proximidade com o então presidente-eleito beneficiaria a empresa. Porém, nos bastidores, a perspectiva para os negócios de veículos elétricos vem enfraquecendo, e o envolvimento de Musk em controvérsias políticas nos EUA e no exterior afastou consumidores e motivou protestos contra a marca. Com a queda de quinta-feira, os papéis da Tesla acumulam perda de 41% em relação ao pico histórico de dezembro.
Veja o que dizem os analistas sobre o que vem pela frente para as ações da Tesla:
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- Wayne Kaufman, analista-chefe da Phoenix Financial Services:
“Tudo isso é idiota. Pessoas nessas posições deveriam saber que não se comporta como adolescentes. O que torna tudo mais difícil para a Tesla é que você não consegue separar o valor da empresa do Musk. A Tesla sempre negociou com base nele. Quando parecia um visionário, a ação subia. Quando se envolveu com Dogecoin, caiu. Quando saiu disso, subiu de novo. Musk é quem movimenta a ação — então é óbvio que ela vai cair quando ele vira o problema. Se houvesse um valor intrínseco enorme na Tesla, ela não estaria despencando desse jeito. Nunca foi sobre fundamentos.”
- Adam Sarhan, CEO da 50 Park Investments:
“Está claro que Elon e Trump não estão mais alinhados. Não sabemos quais serão as consequências disso, e é por isso que o mercado vendeu. Não é o tipo de situação que terá uma solução clara. Se escalar, pode realmente prejudicar os lucros da Tesla. São duas das maiores personalidades do planeta, e se for uma disputa de egos, Trump vence. O impacto para a ação é imprevisível. É um jogo de apostas neste momento — e isso sem falar que a ação da Tesla já era cara. Pode estar ficando mais atraente com a queda, mas não posso dizer que está barata.”
- Ross Gerber, CEO da Gerber Kawasaki Wealth and Investment Management, à Bloomberg TV:
“Isso é um desastre para o Musk. Não sei como girar isso de forma positiva — está além do que qualquer empresário inteligente faria. Não consigo entender como ele colocou o Trump lá e agora transforma Trump no inimigo de tudo. O conselho não vai fazer nada, ninguém vai proteger os acionistas da Tesla, então a única forma de se proteger é vendendo. E eu vendi ações da Tesla hoje. Já vínhamos vendendo há anos e continuamos.”
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- Dave Mazza, CEO da Roundhill Financial:
“É claramente negativo no curto prazo. Adiciona um nível de complexidade que a empresa não precisava agora. As pessoas vinham ignorando os problemas de vendas porque os robotáxis estavam a caminho e havia uma paciência com isso. Mas se a empresa vai ser alvo e o Musk pessoalmente também, o ‘prêmio do sonho’ vai desaparecer — e foi isso que vimos hoje.”
- Tom Orlik, economista-chefe da Bloomberg Economics:
“Alvejar as empresas de Musk colocaria em risco a liderança tecnológica dos EUA. Desde satélites da SpaceX™ até a Grok AI™ e os veículos elétricos da Tesla™, suas empresas deram aos EUA uma vantagem estratégica em setores-chave. Seria muito a perder.”
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