Vulcabras (VULC3) tem lucro de R$ 133,8 mi no 2º tri, alta de 41%, e estuda aumentar distribuição de dividendos

Sem aquisições no radar, empresa pode distribuir mais proventos; receita cresce há 12 trimestres

Ana Paula Ribeiro

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A perspectiva de continuidade de crescimento dos resultados e a falta de uma aquisição à vista fazem a fabricante de calçados esportivos Vulcabras (VULC3) pensar no aumento da distribuição dos dividendos nos próximos trimestres. Isso pode ocorrer devido à geração de caixa da empresa e um cenário de baixo endividamento, explicou ao InfoMoney Wagner Dantas, diretor financeiro da companhia.

O executivo aponta que nada muda no curto prazo, em que a meta é fazer o pagamento trimestral de dividendos. Os proventos referentes ao segundo trimestre ficarão no mesmo patamar do primeiro trimestre: R$ 0,15 por ação, que serão pagos em 14 de setembro, sendo que a base da distribuição será o dia 30 de agosto. O total do trimestre chegará a R$ 36,3 milhões e, no ano, R$ 73,6 milhões.

“A gente não vai ficar acumulando caixa sem ter um novo investimento. Se não tiver onde investir ou uma nova aquisição em algo que tenha uma rentabilidade superior ao nosso ROIC (retorno sobre o capital investidor), o único destino é a distribuição de dividendos”, disse.

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A Vulcabras possui um baixo endividamento. Atualmente, a dívida líquida é de 0,1 vez o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês). O executivo acredita que até o quarto trimestre, no máximo em 2024, isso irá a zero, o que abre espaço para o aumento na distribuição de dividendos se nenhuma aquisição surgir no caminho.

A Vulcabras apresentou um lucro líquido recorrente (que exclui efeitos extraordinários) de R$ 133,8 milhões no segundo trimestre do ano, alta de 40,8% na comparação com igual período de 2023. O lucro líquido societário ficou em R$ 139 milhões, uma expansão de 33,9%.

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Esse resultado foi registrado graça ao aumento da receita líquida, que ficou em 10,2% no trimestre, chegando a R$ 723,9 milhões. A margem Ebitda ficou em 23,4%, uma melhora de 3,1 pontos percentuais na comparação com o segundo trimestre de 2022.

No entanto, as despesas operacionais também subiram. A alta foi de 19,8%, chegando a R$ 157,9 milhões.

Aquisições

O executivo explica que esse crescimento segue a dinâmica que teve início em 2020, quando a Vulcabras licenciou a marca Azaleia para a Grendene (GRND3) para se concentrar em calçados esportivos. Em 2021, incorporou ao portfólio a Mizuno, o que elevou para três as marcas do portfólio, que ainda conta com a Olympikus e a Under Armour.

“Amadurecemos todo o processo de captura de sinergias, com economia de escala e complementariedade das três marcas”, diz.

Essa combinação faz com que a Vulcabras consiga equilibrar volume, com a Olympikus, e rentabilidade, mais presente nos calçados da Mizuno. Os tênis da marca brasileira podem ser encontrados a um preço de venda de R$ 160 e mesmo os destinados ao mercado de corrida, com os tênis da linha Corre, a principal aposta da marca nos últimos anos, o valor não passa de R$ 800. Já na Mizuno, os calçados de performance chegar a R$ 2 mil.

“A evolução da margem vem das três marcas, mas a Mizuno captura as maiores, com Under Armour e Olympikus da sequência”, diz.

Também é em 2023 que a Vulcabrás registra uma consolidação do seu canal de comércio eletrônico. As vendas do e-commerce no ano somam R$ 107,9 milhões, 8,3% do total da receita operacional líquida. A expectativa é que até o início de 2024 atinja os 10%.

“Estamos caminhando para R$ 300 milhões de receita anualizada em venda direta. É um canal que entrega uma margem maior”, espera.

Os bons resultados da Vulcabras nos últimos trimestres (são 12 trimestres consecutivas de crescimento de receita) fogem do comportamento da restante das calçadistas e do varejo de forma geral. Esse comportamento tem sido percebido por investidores, com as ações da empresa acumulando alta de 66,7% no ano. Para Dantas, no entanto, essa valorização reflete apenas o reporte dos lucros e não o potencial de crescimento da empresa.

“A gente tem que esse crescimento vai se manter por uns bons trimestres. A gente ainda não bateu no teto.”

A boa geração de caixa da operação e o cenário de baixa dívida abre espaço para aquisições. No entanto, o executivo afirma que isso só seria feito se um potencial negócio pudesse entregar uma rentabilidade compatível com o retorno da empresa hoje e que não canibalizasse as demais marcas do portfólio.

“A gente tem uma cultura de disciplina. Aprendemos na dor (se referindo à crise dos anos 1990). Só teríamos um novo licenciamento se fosse um contrato de longo prazo, de 10, 15 anos, para conseguir criar valor”, afirma.

Das três marcas da empresa, apenas a Olympikus é própria. Under Armour e Mizuno são contratos de licenciamento, em que parte dos produtos são produzidos no Brasil e uma outra, importada. A Vulcabras não revela o quanto dos itens vendidos são prevenientes de importação. Só no segundo trimetre, foram 5,4 milhões de pares de calçados vendidos, alta de 8%.

Ana Paula Ribeiro

Jornalista colaboradora do InfoMoney