Volátil, Ibovespa ameaça virar para alta, mas volta a cair

Investidores se dividem entre boas notícias de Portugal, Grécia e França e más notícias de China e Alemanha; Bovespa passa a fechar às 17h a partir de hoje

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SÃO PAULO – Após chegar a cair 0,65% nos minutos iniciais e virar para alta de 0,31%, o Ibovespa voltou para o campo negativo nesta segunda-feira (8) e já marca queda de 0,73% às 10h39 (horário de Brasília), a 44.878 pontos. O dia começa bastante volátil na Bovespa, com as ações de maior participação no índice já tendo alternado entre perdas e ganhos nestes primeiros minutos de pregão.

É o caso das historicamente instáveis empresas do Grupo EBX, de Eike Batista: OGX Petróleo (OGXP3, R$ 0,54, +5,88%) e MMX Mineração (MMXM3, R$ 1,64, +2,50%). A Petrobras (PETR3, R$ 13,68, 0,00%; PETR4, R$ 15,09, -0,40%), que responde por quase 10% do Ibovespa, viu suas duas ações subirem mais de 1% e cair 0,6% neste começo de semana.

Quem tem se mantido no negativo durante todo o pregão desta segunda-feira é o setor elétrico, com destaque para CPFL Energia (CPFE3, R$ 20,00, -1,86%), Copel (CPLE6, R$ 27,34, -2,67%) e Light (LIGT3, R$ 15,24, -1,68%).

Brasil: novo horário da Bovespa e Copom
A semana marca a mudança nos horários de negociação na BM&FBovespa. A partir desta segunda, a Bovespa volta a ter trinta minutos a menos de negociação, tendo início às 10h, mas terminando às 17h, e não mais às 17h30. Já o “after market” da Bovespa, mercado que concentra as negociações após o pregão regular, terá início às 17h30 e seguirá até 18h – até sexta-feira (5), o “after market” tinha início às 18h e era encerrado às 19h30. O segmento BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) terá duração das 9h às 18h.

Vale lembrar também que está semana será mais curta para o mercado brasileiro, já que na terça-feira (9) a bolsa permanecerá fechada devido ao feriado paulista da Revolução Constitucionalista de 1932. Apesar disso, os 4 pregões restantes prometem agitar as bolsas, com eventos de extrema importância agendados, como a divulgação da ata do Fomc (Federal Open Market Committee) e a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre a nova taxa de juros brasileira – o mercado trabalha com expectativa de alta de 0,5 ponto percentual na Selic, para 8,50% ao ano.

Ainda no front doméstico, saiu nesta segunda-feira o tradicional Boletim Focus do Banco Central, trazendo a atualização semanal das projeções para a economia brasileira. O novo relatório mostrou uma expectativa menor para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 2013, que caiu de 5,87% para 5,81% na passagem semanal, enquanto o crescimento previsto para o PIB (Produto Interno Bruto) neste ano foi de 2,40% para 2,34%. A Selic foi mantida para 9,25% ao ano.

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Emergentes em desaceleração, mostra OCDE
Colaborando para o dia negativo nas bolsas de Brasil e China, o indicador divulgado pela OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico) mostrou que as economias emergentes em geral apresentaram estabilização ou desaceleração na atividade. No caso do Brasil, o índice desacelerou para 99,1 ante 99,3. Enquanto a China perdeu mais velocidade com uma leitura de 99,5, ante 99,6, enquanto a leitura para a Rússia caiu para 98,9, ante 99,2.

Já dentre os desenvolvidos, o o indicador volta a mostrar que estes países estão em continuada recuperação. O Japão, beneficiando-se de uma forte rodada de estímulo monetário, liderou entre os países desenvolvidos com uma leitura de 101,3, ante 101,1 em abril, Enquanto nos EUA a leitura ficou inalterada em maio em 101,0, o que segundo a OCDE sinaliza crescimento firme. A zona do euro, que há tempos luta para sair da crise de dívida, viu melhora com sua leitura subindo para 100,3 ante 100,1.

Reforçando as más notícias dentre os emergentes, o governo chinês afirmou que não estenderá crédito aos setores que estão com excesso de capacidade, em mais uma sinalização de que a atividade econômica do país apresentará em 2013 níveis bem abaixo do que o mercado se acostumou a ver. A semana começou com quedas de mais de 1% para os principais índices acionários da Ásia, com destaque para o Shangai Composite, que caiu 2,45%.

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Portugal, Grécia e França acalmam Europa
Na Europa, os principais índices acionários concentram-se no positivo, mesma tendência vista nos contratos futuros dos índices acionários norte-americanos. Sinais de calmaria vindo de duas economias fragilizadas do velho continente ajudam a animar os investidores por lá. Após uma revisão do programa de salvação do país feito juntamente com o BCE (Banco Central Europeu) e o FMI (Fundo Monetário Internacional), oficiais da comissão europeia disseram ter chego a um acordo com as autoridades gregas sobre as necessidades econômicas e financeiras do país para garantir que o plano de ajuda atinja os objetivos almejados.

Já em Portugal, um acordo entre dois parceiros do partido de coligação e o primeiro-ministro foi anunciado com o intuito de remodelar o gabinete do governo, que na última semana viu dois ministros renunciarem. Mesmo assim, é bom frisar que os dados de confiança na zona do euro mostraram deterioração neste começo de julho, sobretudo pelas dúvidas que envolvem a economia portuguesa.

Por outro lado, a Alemanha, principal economia da Europa, voltou a mostrar que tem enfrentado dificuldades. A produção industrial alemã recuou 1% em maio, queda mais acentuada desde outubro do ano passado, além de também ter vindo pior do que esperavam os analistas, que estimavam recuo de 0,5%. Já as exportações do país caíram em maio ao ritmo mais forte visto desde o fim de 2009. 

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Alcoa: “ponta pé” inicial nos resultados dos EUA
Hoje após o fechamento do mercado dos EUA, será divulgado o resultado do segundo trimestre da Alcoa, considerado como um “ponta pé não oficial” da temporada de balanços do país – diferente daqui, onde há um prazo para as empresas apresentarem seus números trimestrais, a divulgação de resultados corporativos nos EUA é quase que constante.

Projeções consultadas pela Reuters estimam que a siderúrgica apresente um lucro por ação de US$ 0,10, enquanto as receitas devem cair de US$ 6 bilhões para US$ 5,8 bilhões na comparação com o 2º quarto de 2012. No entanto, a expectativa para a temporada de balanços em si mostra-se bastante negativa por parte do mercado: uma pesquisa feita pela mesma Reuters mostra que a relação entre resultados positivos e negativos esperados é a pior desde 2001.


Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers