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SÃO PAULO – Tem sido um grande milênio para o Brasil, afirma o editor executivo da Harvard Business Review, Justin Fox. A economia do País tem registrado alta, os salários têm subido acentuadamente e o desemprego caiu para níveis considerados de pleno emprego. Além disso os déficits estão relativamente baixos e a inflação está sob controle – considerando os padrões históricos do Brasil. Isso sem contar que a Copa do Mundo e as Olimpíadas estão chegando aí em 2014 e 2016, respectivamente.
Contudo, há problemas pela frente – e não só porque o Brasil não está preparado para os eventos esportivos que ocorrerão nos próximos anos, aponta Fox. Isso porque dois dos principais motores do crescimento econômico do País, o tamanho da sua força de trabalho e a produtividade dos trabalhadores, está dando sinais de desaceleração. A taxa de fertilidade do Brasil caiu de 4,1 nascimentos por mulher em 1980 para 1,8 agora, com menos pessoas entrando no mercado de trabalho mais à frente. E o pleno emprego significa que a participação da força de trabalho não pode se elevar muito mais.
O economista-chefe do BNP Paribas para a América Latina, Marcelo Carvalho, ressaltou em conferência sobre a produtividade brasileira que o futuro pode ser sombrio, destacando que a única esperança de sucesso contínuo da economia era o forte crescimento da produtividade. Mas não é isso o que está acontecendo.
A sua mensagem era de que os trabalhadores brasileiros estão recebendo um “presente” que não pode mais ser oferecido, com o salário real superando e muito a produtividade dos trabalhadores, em um movimento nitidamente contrário ao dos EUA, por exemplo. Carvalho, pondera, porém, que os crescimentos são mais planos nos Estados Unidos, uma vez que é uma economia muito mais rica e desenvolvida. Por outro lado, ressalta que a produtividade tem crescido mais rapidamente do que os salários nos EUA desde 2001, o que dá uma perspectiva útil para uma discussão muitas vezes pessimistas sobre o futuro econômico.
E ressalta que o crescimento da produtividade foi superando o crescimento dos salários nos EUA em meio às compensações gerais do trabalhador aumentando mais rapidamente que os salários, mas também com a saída de milhares de pessoas da força de trabalho. Além disso, a crescente desigualdade de renda tem mantido os ganhos de produtividade nas mãos do trabalhador típico.
No Brasil, a queda da produtividade é o problema para o crescimento econômico número um, o que não acontecia até então, ou não pelos últimos 15 a 20 anos, quando o grande boom de produtividade de 1970 foi substituído por um ganho modesto, mas real. “A produtividade não é tudo, mas no longo prazo é quase tudo. A capacidade de um país para melhorar seu padrão de vida ao longo do tempo depende quase inteiramente da sua capacidade de aumentar sua produção por trabalhador”, destaca Fox.
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De volta ao Brasil , onde a produtividade parou de crescer em 2008, não parece haver nenhuma prescrição simples para fazer as coisas andarem novamente, ressaltou. Porém, o economista-chefe do BNP destacou a necessidade do investimento cada vez maior (a relação entre o PIB e o investimento é menor no Brasil do que em qualquer outra grande economia latino-americana), o que certamente ajuda . Mas o crescimento da produtividade também vem de outras fontes mais complexas – como tecnologia, regulamentação governamental, técnicas de gestão e educação, avalia.