VIX: índice de volatilidade sobe 50%, sua maior alta desde 2007

Medidor de volatilidade repercute agravamento da crise nos EUA após S&P cortar nota de crédito do país pela primeira vez na história

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SÃO PAULO – O VIX, índice de volatilidade da CBOE (Chicago Board Options Exchange), disparou 50% no pregão de segunda-feira (8), com o recrudescimento das preocupações sobre a economia norte-americana, especialmente depois de a Standard & Poor’s ter rebaixado o rating de crédito dos Estados Unidos pela primeira vez na história, de AAA para AA+.

Medido pela CBOE desde 1993, o VIX leva em conta a volatilidade dos preços das ações do S&P 500 dos Estados Unidos. É um dos principais indicadores de expectativa dos mercados por medir a volatilidade de curto prazo.

O medidor de volatilidade terminou a sessão aos 48 pontos, o seu maior nível desde 9 de março de 2009. A variação diária de 50% também é a maior alta desse índice em um único dia desde 2007. 

De AAA para AA+
Conforme já era ventilado no mercado na noite de sexta-feira (5), a agência de classificação de risco Standard & Poor’s cortou o rating de crédito dos Estados Unidos, que passou de AAA para AA+, repercutindo as preocupações com o forte crescimento do déficit fiscal do país. A perspectiva para a nota é negativa, ou seja, um novo downgrade pode ser anunciado dentro de 12 a 18 meses, explicou a agência.

Desde a semana passada, quando o Senado dos EUA aprovou o aumento do teto da dívida do país, começaram a crescer os rumores de que a principal economia do mundo poderia ter seu rating. A S&P já havia afirmado que poderia cortar o rating do país caso não houvesse um corte da dívida em US$ 4 trilhões na próxima década. Com a decisão, os títulos da dívida norte-americana, por muito tempo indiscutivelmente considerados o investimento mais seguro do mundo, agora possuem um rating menor do que de outros países, como Reino Unido, Alemanha, França e Canadá.

Dilma discorda do corte
A presidente Dilma Rousseff não concordou com a decisão da Standard & Poor’s. Durante encontro com o primeiro ministro canadense, Stephen Harper, nesta segunda-feira, Dilma afirmou que o corte feito pela agência de classificação de risco foi precipitado e sem “base real”. “Podemos deixar claro que não compartilhamos com a avaliação um tanto quanto rápida e, diria, não correta da agência que diminui o grau de valorização do crédito dos Estados Unidos”, disse Dilma à jornalistas, segundo a Agência Brasil.

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“Em um momento desses não se pode tomar atitudes dessas que não têm base real”, completou a presidente do Brasil, ressaltando que a S&P cometeu erros nos cálculos de avaliação da dívida dos EUA, os quais resultaram no rebaixamento da nota. Dilma lembrou ainda que, assim como o restante do mundo, o Brasil não está imune aos efeitos negativos da crise. “Temos clareza que não somos imunes, não vivemos numa ilha, mas o Brasil tem força suficiente para fazer frente a essa conjuntura”, disse a presidente.

Mercados no Vermelho
Enquanto os investidores repercutem o corte no rating norte-americano, as principais bolsas da Europa fecharam com expressiva queda nesta segunda-feira. Além disso, o mercado cambial também sentiu reflexo do rebaixamento, com a moeda dos Estados Unidos registrando avanço frente às principais divisas internacionais. Os mercados acionários dos EUA, por sua vez, operam com expressivas desvalorizações de mais de 5%, enquanto que, por aqui, o Ibovespa cai em torno dos 9% e se aproxima de uma parada técnica