Vivo (VIVT3): UBS BB faz duplo rebaixamento, recomenda venda e ação cai

Apesar do ambiente operacional seguir relativamente benigno, as premissas para crescimento indicam crescimento de fluxo de caixa livre (FCF) abaixo do observado entre pares

Felipe Moreira

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As ações da Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo, recuavam forte nesta quarta-feira (11), após o UBS BB promover um duplo rebaixamento para as ações da companhia, de compra para venda, com preço-alvo passando de R$ 37,50 para R$ 36. As ações da operadora de telefonia caíram 1,88%, a R$ 41,30.

Segundo o relatório, após três anos com visão construtiva sobre a operadora e o setor de telecomunicações na América Latina, os analistas passaram a adotar uma postura mais seletiva. Apesar do ambiente operacional seguir relativamente benigno, as premissas do banco para crescimento, margens, investimentos (capex) e custos de leasing indicam crescimento de fluxo de caixa livre (FCF) abaixo do observado entre pares, de cerca de 5% ao ano, ante média de 12% para empresas latino-americanas do setor.

Ao mesmo tempo, a avaliação de mercado deixou de compensar essa normalização do crescimento. Os rendimentos de dividendos e de fluxo de caixa livre caíram para níveis de um dígito, reduzindo o atrativo da ação. Na avaliação do banco, isso gera um perfil de retorno considerado pouco atraente, abaixo do custo de capital, tornando a Telefônica Brasil a menos atrativa entre as empresas de telecomunicações da região acompanhadas pelo UBS BB.

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O UBS BB avalia ainda que o potencial de alta do fluxo de caixa é limitado. Em um cenário otimista, com margens de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) acima dos níveis históricos, ganhos adicionais de eficiência, menor intensidade de investimentos e estabilidade nos custos de leasing, a empresa poderia registrar crescimento anual de FCF entre 4% e 8% entre 2025 e 2027, considerado o limite superior.

Por outro lado, o principal risco de queda está nas receitas de serviços móveis, que representam cerca de dois terços das vendas e apresentam desaceleração estrutural em direção à inflação, o que limita o crescimento da receita e a absorção de custos. Em um cenário mais negativo, com margens voltando aos níveis históricos ou custos de leasing mais elevados, o crescimento do fluxo de caixa poderia ficar abaixo de níveis médios de um dígito, reforçando um perfil de risco assimétrico para baixo.

Na avaliação relativa, o UBS BB destaca que o papel também apresenta perfil de retorno inferior ao de concorrentes globais. Com yield de FCF projetado de cerca de 7% e carry yield de aproximadamente 12%, a ação oferece retorno em caixa menos atrativo que o de outras empresas do setor, ficando cerca de 30% mais cara em comparação direta com pares.

Para chegar ao preço-alvo de R$ 36, o banco utiliza um múltiplo de 4,2 vezes o valor da empresa sobre o Ebitda (EV/Ebitda) estimado para 2027, praticamente estável em relação à estimativa anterior. Esse nível implica um yield de FCF de 9,3% em 2027, alinhado ao observado entre empresas de telecomunicações da América Latina. O novo preço-alvo representa leve redução em relação à estimativa anterior de R$ 37,50.