“Vivo é passado e Oi é futuro”, diz Zeinal Bava, CEO da Portugal Telecom

Em teleconferência sobre as negociações, administradores afirmam que buscaram a "melhor solução para todos"

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SÃO PAULO – “Uma parte de nós fica na Vivo, mas a Vivo é passado e Oi é o futuro. E temos que olhar o futuro com confiança”. Foi assim que Zeinal Bava, CEO (Chief Executive Officer) da Portugal Telecom definiu o sentimento da companhia em relação às negociações anunciadas nesta quarta-feira (28), durante teleconferência com os acionistas.

Já o chairman da Portugal Telecom, Henrique Granadeiro, disse que a administração é sensível aos direitos dos acionistas, que expuseram em AGE (Assembleia Geral Extraordinária) a disposição de vender a participação que a companhia portuguesa detém na Brasilcel, que controla a Vivo (VIVO4).

Governo soube da arquitetura
No entanto, as razões para o veto que o governo impôs à transação, com a utilização de suas golden shares, envolvem o fato de que o Executivo tem o objetivo de assegurar a “dimensão internacional e ambição estratégica da Portugal Telecom”, por isso a arquitetura do negócio, que foi anunciado em conjunto com intenção de uma aliança industrial com a Oi (TNLP4, TNLP3), por meio de uma participação de 22,8% na empresa, foi informada ao governo, o que foi crucial para a retirada do veto. 

Granadeiro ainda disse que a administração da Portugal Telecom conseguiu “satisfazer os interesses de todas as partes envolvidas e até o momento não temos reclamação de ninguém”. Perguntado se as fraturas expostas no bloco acionário da Portugal Telecom criaram situações difíceis, Granadeiro disse que compete ao Conselho aproximar pontos de vista. “Eu não tenho essa visão de fratura. Creio que houve uma divergência circustancial acerca de um problema importante, não nego, mas nossa profissão é encontrar solução”.

Para o executivo, prova do entendimento entre os acionistas é a de que as votações ocorridas no Conselho envolvendo as decisões anunciadas nesta manhã se deram todas por unanimidade. Granadeiro ainda ressaltou que a Vivo foi vendida por um valor superior ao de mercado registrado pela Portugal Telecom ao final das negociações na terça-feira (28).

Em relação à Oi, o chairman da PT disse que a aposta torna o balanço “mais sólido e robusto” e permite assegurar todas as metas em que a empresa estava empenhada em seu plano estratégico. “As metas não serão revistas em baixa. Porventura poderão ter que ser trocadas por metas mais ambiciosas”, disse, otimista, Granadeiro.

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Flexibilidade e expansão
Os administradores ainda enfatizaram que a participação econômica de 22%, que permitirá à companhia portuguesa fazer parte do grupo de controle da Oi, será essencial para incrementar a flexibilidade financeira da empresa brasileira, permitindo investimentos e expansão que vão além do tripé África-Brasil-Portugal, para alcançar também a América do Sul.

Ainda de acordo com a perspectiva do Conselho de Administração da Portugal Telecom, a entrada da PT na Oi deverá estar concluída no primeiro trimestre de 2011, quando a transação de venda da Vivo para a Telefónica já estiver concluída, já que costumam demorar algum tempo porque envolvem o mercado de capitais.

“Estamos confiantes de que vamos realizar essa operação com sucesso [aquisição de participação na Oi]. Essa é uma transação que vai acontecer e criar valor”, disse Zeinal Bava, que por diversas vezes ao longo da teleconferência ressaltou que a gestão da Portugal Telecom é eficiente na criação de casos de turnaround, como foi o da Vivo, que enfrentava problemas de clonagem de linhas e reclamações há cerca de cinco anos e atualmente é líder em participação de mercado no Brasil.

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Diplomacia econômica
Henrique Granadeiro, por sua vez, disse que há excelente colaboração com os controladores da Oi, e que o contexto, fazendo referência a informações veiculadas na imprensa de que o presidente Lula e o primeiro-ministro de Portugal, José Socrates, teriam conversado para articular a aliança estratégica, foi favorável, “mas é óbvio que esta foi determinada por interesses específicos e exclusivos das empresas envolvidas”.

O chairman disse ainda que não se escandaliza com a diplomacia econômica praticada pelos governos “Eu não tenho a mesma visão escandalosa e promíscua que às vezes se atribui ao apoio que a diplomacia econômica dá e deve dar à expansão da economia portuguesa mundo afora”, concluiu.