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SÃO PAULO – “O tempo parece estar do lado da Portugal Telecom”. Com essa frase, e citando possíveis ganhos de sinergia de uma fusão entre Vivo (VIVO4) e Telesp (TLPP4) caso se concretize a aquisição de participação da Telefónica na Vivo, o analista da Banif, Alex Pardellas, considerou a operação provável e também positiva para a empresa brasileira, reiterando a recomendação de compra para ambas as ações.
“Acreditamos que a Telefónica pode ter sucesso na aquisição da participação da Portugal Telecom na Vivo, mas para tanto a empresa pode ser forçada a melhorar sua oferta ainda mais”, pondera, mesmo afirmando que a nova oferta, de € 6,5 bilhões, é muito atraente e as chances da PT aceitá-la são maiores atualmente, apesar da possibilidade dos acionistas recusarem o acordo mais uma vez.
Oferta pela Vivo
Pardellas cita os rumores da imprensa de Portugal de que os controladores da PT querem um aumento da oferta para € 7,5 bilhões, que está dentro das estimativas de preço-justo do analista para a oferta (entre este valor e € 8,2 bilhões). Ele afirma ainda que a Vivo é um veículo interessante para potenciais movimentos de consolidação, que podem envolver não só a Telesp mas também a TIM Brasil.
O analista da Banif comentou sobre o valor estratégico da Vivo para a PT, e afirmou que caso aceitem a oferta, os acionistas possuiriam uma empresa com alta exposição a Portugal, um mercado com “severas limitações macro”.
Também não foi descartada a possibilidade de ser lançada uma oferta sobre a pópria PT, mas Pardellas acredita que isso seja improvável, em função de obstáculos políticos e um grupo central de acionistas “potencialmente coesos”. Também é pouco provável, em sua visão, uma contraoferta da PT pela Vivo.
Fusão Vivo e Telesp
A possibilidade da Telefónica – que possui o controle da Telesp – fundir a empresa com a Vivo é vista com bons olhos por Pardellas, que cita os ganhos de sinergia próximos a € 2,8 bilhões – cerca de 43% da última oferta pela Vivo. Ele cita que a fusão resultaria em uma empresa forte em São Paulo (onde a Telesp cobre telefonia fixa, banda larga e TV por assinatura) e no Brasil (com cobertura da Vivo no segmento de telefonia móvel).
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O analista acredita que caso a fusão ocorra, a relação de troca não deve ser injusta com os minortiários das duas empresas, acreditando que o valor de mercado seria a base do cálculo.
Portugal Telecom e Oi
Pardellas acredita que dificilmente a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) permitiria a aquisição do controle da Oi pela PT – sobretudo porque a primeira adquiriu há pouco tempo a Brasil Telecom -, mas vê a possibilidade de uma compra sem detenção de controle. “De acordo com nossas estimativas, a PT poeria adquirir 33% do Gruop Oi por € 3,5 bilhões”, observa.
Recomendação
Avaliando a oferta e os múltiplos, Pardellas manteve o preço-alvo de R$ 66,50 para o final de 2010 para a Vivo, além da recomendação de compra para o papel.
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Com relação a Telesp, a recomendação é a mesma, e o preço-alvo é de R$ 66,00. O analista destacou o múltiplo barato frente ao setor de telecomunações, com o EV/Ebitda (que relaciona valor de mercado sobre potencial de geração de caixa) de 3,7 vezes com base nas projeções de 2010, ante 4,3 vezes do setor.