“Vivemos um cenário de tragédia”, diz Gustavo Franco

Do lado fiscal, o ex-presidente do BC vislumbra um agravamento da situação das contas públicas a partir da adoção de políticas anticíclicas em 2008, o que potencializou o rombo da dívida pública do país
29/05/2008 FINANCAS
Personagem: Gustavo Franco, socio da Rio Bravo e da Unik
Detalhe: Unik, empresa de cartoes da Rio Bravo, recebe investimentos do BID e do Banco Mundial
Reporter: Altamiro Silva Junior.
Local: Sao Paulo, SP
Foto: Gustavo Lourencao/VALOR
 
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29/05/2008 FINANCAS Personagem: Gustavo Franco, socio da Rio Bravo e da Unik Detalhe: Unik, empresa de cartoes da Rio Bravo, recebe investimentos do BID e do Banco Mundial Reporter: Altamiro Silva Junior. Local: Sao Paulo, SP Foto: Gustavo Lourencao/VALOR cultura

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SÃO PAULO – O Brasil vive um momento de combinação insensata de erros e construiu um cenário de verdadeira tragédia. A visão pessimista da vez foi apresentada pelo ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco, durante participação em evento realizado na manhã desta quarta-feira (9) em São Paulo. Para ele, a atual política de elevação dos juros como forma de debelar o aumento da inflação funciona “como banho frio para febre”, não mais que um simples paliativo e que pouco adianta se não acompanhado por ações mais incisivas em outros campos de atuação do governo.

Antes da maior austeridade monetária através do BC, o governo tentou mitigar a alta dos preços através de sua administração artificial. Na avaliação de Franco, essa foi a “pior decisão possível” da presidente Dilma Rousseff e trouxe sérias consequências. Uma delas é a própria resiliência atual da inflação, apontada por muitos analistas.

“Não podemos brincar com inflação. Já sofremos muito”, disse o ex-presidente da autoridade monetária brasileira, atual estrategista-chefe da Rio Bravo Investimentos e presidente do Instituto Millenium. Para ele, a inflação não parece estar cedendo, mas, sim, piorando. E uma das consequências disso é a perda de confiança do mercado, agravada pela crise política, que adicionou mais incerteza e insegurança.

Do lado fiscal, Franco vislumbra um agravamento da situação das contas públicas a partir da adoção de políticas anticíclicas em 2008, o que potencializou o rombo da dívida pública do país e culminou, inclusive, nas pedaladas fiscais, que hoje ameaçam a aprovação das contas do governo referentes a 2014. “O TCU (Tribunal de Contas da União) está coberto de razão em não aprovar as contas”, defende.

Com isso, diz, torna-se imperativo reduzi-la e melhorar a eficiência da economia nacional. Na avaliação do ex-chefe do BC, o mercado já começa a mostrar rejeição aos títulos do governo – tidos como investimento seguro e amplamente rentável em um momento de juros elevados e baixo desempenho dos principais investimentos em renda variável. “O governo está alavancado de maneira irresponsável”, disse durante sua apresentação no evento.

Na visão do economista, o Brasil segue um país muito ineficiente e precisa investir em soluções para este problema apra voltar a crescer com solidez. “Estamos voando a 10 cm do solo. Estamos mal”, concluiu.


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.