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A XP Investimentos elevou o valor justo do Ibovespa para 205 mil pontos ao fim de 2026, ou alta de 9,44% em relação ao fechamento de abril, em uma revisão que reforça a leitura construtiva da casa para a bolsa brasileira no médio prazo, mesmo diante da recente correção do mercado.
O novo patamar representa um aumento em relação à estimativa anterior, de 196 mil pontos, e reflete principalmente a melhora das expectativas de lucro das empresas listadas, além de uma projeção de juros reais levemente mais baixos.
Segundo a XP ressaltou em relatório, o Ibovespa passa por um movimento de ajuste no curto prazo, influenciado por fatores técnicos, posicionamento de investidores e dinâmica de fluxos. Em abril, a bolsa brasileira teve desempenho inferior ao de outros mercados globais, em meio à retomada do apetite por ações ligadas à tese de inteligência artificial, sobretudo nos Estados Unidos e na Ásia. Ainda assim, a corretora avalia que essa correção não compromete a tese estrutural para o Brasil.
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Um dos principais vetores por trás da revisão do valuation é a resiliência dos lucros corporativos. Mesmo com a volatilidade recente, as estimativas de lucro por ação continuam sendo revisadas para cima, o que levou a uma compressão relevante dos múltiplos. De acordo com o relatório, o P/L projetado do Ibovespa recuou de cerca de 10,5 vezes para 9,0 vezes, patamar considerado atrativo em bases históricas e em comparação com outros mercados emergentes.
A XP calcula seu valor justo para o índice a partir da média de quatro metodologias — fluxo de caixa descontado, múltiplo de P/L(preço sobre lucro)-alvo, EV/Ebitda-alvo (EV = Valor da Firma/Ebitda = lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) e abordagem bottom-up com preços-alvo dos analistas.
No cenário-base, o alvo de 205 mil pontos incorpora um ambiente de crescimento moderado dos lucros e juros reais menos pressionados. Já no cenário otimista, o Ibovespa poderia atingir até 258 mil pontos, enquanto, no pessimista, o índice recuaria para a região de 156 mil pontos.
Apesar das incertezas no curto prazo, a XP segue vendo o Brasil como um vencedor relativo no cenário global, especialmente se houver redução dos riscos geopolíticos e retomada mais consistente dos fluxos para mercados emergentes.
Para a casa, o atual nível do Ibovespa oferece uma combinação favorável de valuation descontado e perspectiva de melhora nos fundamentos ao longo de 2026.
