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Uma disputa de ofertas pela Janus Henderson explodiu nesta quinta-feira (26), depois que a Victory Capital propôs comprar a gestora por US$ 57,04 por ação, em um movimento que superou a oferta anterior da Trian Fund Management, de Nelson Peltz.
A proposta em dinheiro e ações da Victory prevê que os acionistas da Janus Henderson fiquem com cerca de 38% da empresa combinada, que teria valor de empresa (enterprise value) de aproximadamente US$ 16 bilhões, segundo comunicado.
A oferta vem cerca de dois meses após a Trian, de Peltz, e a General Catalyst terem concordado em comprar a Janus Henderson, sediada em Londres, em um negócio que avaliou a gestora em cerca de US$ 7,4 bilhões e oferecia aos acionistas US$ 49 por ação em dinheiro.
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“Nossa proposta está totalmente financiada e oferece aos acionistas da Janus Henderson um potencial relevante de valorização de longo prazo, por meio da participação em uma organização mais forte e competitiva”, afirmou David Brown, chairman e CEO da Victory Capital, no comunicado.
A guerra de ofertas ocorre em meio a uma onda mais ampla de consolidação na indústria de gestão de recursos, em que as casas vêm há anos lidando com a migração de clientes de fundos tradicionais para produtos passivos mais baratos. A Janus Henderson, criada em 2017 a partir de uma fusão transatlântica justamente para enfrentar esses desafios, sofreu anos de resgates líquidos até recentemente.
A Victory disse que pretende emitir US$ 4,1 bilhões em nova dívida como parte da tentativa de assumir o controle da Janus Henderson, que administra quase 60% mais ativos que a própria Victory. A empresa afirmou ter compromissos de financiamento de dois grandes bancos de investimento.
As ações da Janus Henderson subiam 4,6% no pré‑mercado em Nova York por volta das 8h30.
Oferta anterior
A Victory Capital disse nesta quinta-feira que apresentou pela primeira vez, em 24 de novembro, uma oferta preliminar de até US$ 52 por ação pela Janus — quase um mês antes de a gestora anunciar que havia fechado acordo com a Trian.
Na época, John Cassaday, chairman do conselho da Janus Henderson, afirmou que a empresa havia feito “uma análise cuidadosa da transação proposta e de suas alternativas” e concluiu que o acordo com Peltz era o que melhor atendia aos interesses dos acionistas.
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Brown, porém, disse nesta quinta que sua firma foi repetidamente impedida de ter qualquer tipo de engajamento significativo com seus pares na Janus.
“Apesar de termos sido a única parte independente e crível a demonstrar interesse e indicar uma faixa de avaliação superior à proposta da Trian, fomos privados da oportunidade de um diálogo substantivo e não tivemos acesso a informações para refinar nossa oferta”, afirmou Brown, chamando Peltz de “insider”, já que ele integra o conselho da Janus desde 2022.
A nova onda de aquisições no setor tem incluído alguns nomes improváveis. No início deste mês, a Schroders concordou em ser comprada pela Nuveen, surpreendendo muitos no centro financeiro de Londres.
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No caso da Victory Capital, sediada em San Antonio, Texas, a empresa adicionou mais de US$ 100 bilhões em ativos sob gestão com o negócio fechado no ano passado para adquirir a Pioneer, o braço norte‑americano da francesa Amundi. E, no começo deste mês, Brown previu mais movimentos.
“Continuamos extremamente ocupados do ponto de vista de aquisições”, disse o CEO na teleconferência de resultados da companhia. “Na verdade, eu diria que este é o período mais intenso que já tivemos.”
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