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SÃO PAULO – Não há nenhuma solução rápida para os problemas da dívida da Europa, que ameaça se transformar em uma crise de crédito mais ampla. Esta é a opinião do vice-presidente do Banco Central japonês, Kiyohiko Nishimura, ao expressar preocupação frente aos danos que podem ser gerados por um aprofundamento da crise europeia.
Nishimura, conhecido como um dos membros mais pessimistas do conselho, também disse que Tóquio deve tomar medidas adequadas caso a moeda se desalinhe dos fundamentos econômicos, numa tentativa de manter os mercados preparados para outra grande venda de ienes, caso a moeda aponte um novo pico.
“Os problemas da dívida soberana da Europa são, essencialmente, o resultado da expansão desequilibrada da região (…), portanto, precisamos estar cientes de que não há bala de prata imediata para resolver seus problemas”, disse Nishimura em discurso a líderes empresariais em Kyoto, no oeste do Japão.
“Precisamos nos preparar para a tensão do mercado financeiro global, que poderá se mostrar elevada por um longo tempo. Devemos estar atentos ao risco de algum choque, desencadeando uma crise de crédito generalizada”, concluiu Nishimura.
Economia japonesa em recuperação
O desempenho da economia do Japão, que se recupera de uma recessão desencadeada pelos terremotos no inicio do ano, pode apontar uma redução acentuada neste trimestre.
Dados divulgados nesta quarta-feira (30) mostraram que produção industrial aumentou mais do que o esperado, resultado das montadoras que continuam a repor estoques no exterior após a restauração das cadeias de abastecimento, atingidas pelo terremoto de março.
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Nishimura disse que a terceira maior economia do mundo está pronta para retomar uma recuperação moderada apoiada pela força das economias emergentes e pelos trabalhos de reconstrução.
Todavia, o executivo acrescentou que as projeções foram impactadas pelas incertezas trazidas pela crise da dívida da Europa, visto que pesam sobre o crescimento global e sobre as exportações japonesas e sobre a moeda do país.
“Precisamos estar atentos ao fato de que o iene provavelmente despertará a atenção dos investidores como uma moeda relativamente segura à medida que aumentar a aversão ao risco nos mercados globais”, disse Nishimura.