Visão positiva sobre balanço

Vibra (VBBR3) aponta incertezas em meio à instabilidade do petróleo, mas ação fecha em alta após resultado

“Foi o trimestre mais emocionante, com vários elementos de volatilidade”, diz CEO; visão do mercado em geral sobre o balanço foi positiva

Por  Augusto Diniz -

Queda no consumo, pandemia, guerra Rússia-Ucrânia e problemas relacionados à precificação de Petrobras (PETR3;PETR4). Esses são alguns dos itens apontados pela Vibra Energia (VBBR3), ex-BR Distribuidora, a analistas de mercado, nesta terça (17), que fizeram o primeiro trimestre do ano ser bastante complexo.

Wilson Ferreira Jr., CEO da companhia, disse que a palavra do período foi “volatilidade”. Segundo ele, “foi o trimestre mais emocionante, com vários elementos de volatilidade”.

O volume de vendas da Vibra no primeiro trimestre do ano apresentou uma redução de 9,9% na comparação com o trimestre anterior (4T21), com reflexo das menores vendas, de queda de 5,9%, no diesel, de -56,1% no óleo combustível e de -7,6% no ciclo otto, parcialmente compensado pelas maiores vendas de coque de mais 20,3% e combustível de aviação de mais 2%.

De acordo com o balanço da companhia, na comparação do 1T22 com o 1T21, houve redução de -3,7% no volume total de vendas, principalmente em razão das menores vendas de coque de -72,2% e de óleo combustível de -39,1%, parcialmente compensado pelas maiores vendas de combustível de aviação de mais 33,7%.

A Vibra teve no 1T22 lucro líquido de R$ 325 milhões, valor 33,9% menor frente o mesmo período do ano anterior. Em relação ao trimestre anterior, a queda foi de 68,3%.

Contudo, a visão do mercado em geral sobre os números foi positiva, o que impulsionou as ações, com VBBR3 fechando em alta de 1,83%, a R$ 20,00, ainda que longe das máximas do dia, de alta de 4,48%.

“Apesar dos muitos desafios para as distribuidoras de combustíveis no trimestre, a Vibra ainda saiu na frente, consolidando sua posição como líder do setor”, destacou o Morgan Stanley. “As iniciativas que estão sendo implementadas na Vibra desde seu IPO no final de 2017 estão dando frutos, e a empresa parece bem posicionada para surfar a recuperação do consumo de combustível no Brasil em um ponto de alta margem”, segue.

Além disso, o Morgan Stanley acha que as ações podem continuar a fornecer uma proposta atraente de remuneração aos acionistas, “assim que a volatilidade do mercado diminuir, ao mesmo tempo em que a equipe de administração começar a abordar as preocupações de perpetuidade de longo prazo relacionadas à transição energética”. A classificação da ação é overweight (exposição acima da média do mercado), com preço-alvo de R$ 31,50.

Já o Itaú destacou que a Vibra reportou lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda. na sigla em inglês) ajustado de R$ 1,107 bilhão, implicando uma margem de R$ 123/m³, “em linha com nossas robustas estimativas”, diz o BBA. A Vibra apresentou resultados mais fortes que seus pares, com margem consolidada acima da Ipiranga (R$ 110/m³) e Raízen (R$ 102/m³).

“A Vibra efetivamente entregou a maior parte do corte de custos prometido durante o processo de privatização em 2019 e conseguiu sustentar uma sólida vantagem de margem sobre seus pares, apesar do cenário altamente volátil de preços e oferta internacional apertada. Reiteramos nossa visão positiva sobre o nome”, explica. A recomendação para a ação é outperform (desempenho acima da média de mercado), com preço-alvo de R$ 34,00.

Preço da bomba não é igual ao preço internacional

A companhia relatou no último balanço que a volatilidade exacerbada de preços de derivados no mercado internacional aliada aos significativos descontos nos preços domésticos, tornou mais desafiadora a dinâmica operacional e de precificação – como resultado, o período foi marcado pelo descasamento entre os preços domésticos e a chamada paridade de preço internacional (PPI).

André Natal, CFO da Vibra, explicou na teleconferência que “não faz o menor sentido imaginar que o preço na ponta vai ser exatamente o PPI. O custo da empresa não é o PPI”.

O executivo explicou que todos os players de distribuição “estão comprando tudo que pode da Petrobras e eles, tendo algum desconto (no combustível adquirido), repassam para a bomba”.

Natal comentou que o preço de equilíbrio no mercado não se dará pelo PPI e se a Vibra precificasse pelo índice internacional, a margem da empresa tinha sido muito maior do que apresentou no primeiro trimestre do ano: “Não foi o que aconteceu e não acontecerá”.

Ele também não crê que a definição do preço de combustíveis se dará pelo preço da Petrobras. Para ele, na medida em que se importar combustível para atender o mercado interno, se definirá uma margem, mas não vê uma margem extremamente elevada.

Momento de cautela na alocação de capital

Questionado durante a apresentação dos resultados sobre possíveis mudanças na alocação de capital, André Natal comentou que devido ao momento de volatilidade, “é necessário ser mais cuidadoso com a liquidez e a preservação do caixa da companhia”.

“É um momento de cautela”, disse. Segundo Natal, o aumento do preço do petróleo influencia no capital a ser destinado a investimentos.

O petróleo tipo Brent iniciou o primeiro trimestre do ano em patamares próximos a US$ 80 o barril (bbl) e chegou a atingir o pico de cerca de US$ 130/bbl, de acordo com relato da companhia. Em particular no mês de março, o petróleo teve uma valorização de cerca de US$ 30/bbl em um espaço de tempo de apenas uma semana.

Maior consumo de capital de giro com a volatilidade

A Vibra relatou a necessidade de mais capital de giro no período, devido a uma menor geração de caixa operacional livre, quando comparado com o primeiro trimestre do ano passado.

O CFO da companhia explicou que “de fato, tem um consumo de capital de giro, visível no nosso resultado do trimestre, e mesmo assim a gente não pode antever, se vai precisar de mais”.

André Natal ressaltou que há uma preocupação muito grande com o preço do diesel. De acordo com balanço da empresa, os preços de diesel atingiram ao final do último trimestre uma volatilidade de cerca de quatro vezes a sua média histórica.

A rápida apreciação de preços não foi acompanhada imediatamente pelos preços dos produtos no refino doméstico, o que deixou as importações pouco favoráveis, informou a empresa.

“Temos como alternativa usar o risco sacado, que é um financiamento bem rápido”, disse o executivo sobre possível necessidade de liquidez a curto prazo. “A gente tem desenvolvido. É uma operação com pré-autorização do conselho (de administração da empresa) pra usar como ponte, para depois estruturar captação mais robusta”, complementou.

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