Vibra, Ultrapar e Raízen saltam na B3 após operação da PF mirar combustíveis; entenda

Expectativa é de diminuição da informalidade no setor, o que impulsionaria lucratividade das empresas de capital aberto

Lara Rizério Agências de notícias

Ativos mencionados na matéria

Bomba de combustível em posto de gasolina
07/03/2022
(Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Bomba de combustível em posto de gasolina 07/03/2022 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

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Em uma sessão de fortes ganhos para o Ibovespa em geral, os ativos das distribuidoras de combustíveis registraram forte disparada. Nesta quinta-feira (28), os papéis da Raízen (RAIZ4, R$ 1,09, +2,83%), Ultrapar (UGPA3, R$ 19,94, +8,08%) e Vibra (VBBR3, R$ 24,30, + 4,97%) tinham ganhos expressivos.

O movimento ocorre após a Polícia Federal e a Receita Federal do Brasil lançarem a operação Carbono Oculto, com o objetivo de desmantelar operações ilegais associadas principalmente a irregularidades no setor de distribuição de combustíveis (por exemplo, sonegação fiscal, adulteração de combustível e lavagem de dinheiro).

A operação conta com o apoio de 1,4 mil agentes, com mandados de busca e apreensão em distribuidoras de combustíveis e intermediários financeiros. Segundo o noticiário, esta é a maior operação contra uma rede criminosa da história do Brasil.

Viva do lucro de grandes empresas

O Goldman Sachs aponta que a operação é positiva para as maiores distribuidoras. Isso porque, apontam os analistas, um dos principais obstáculos à lucratividade e à participação de mercado das maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil (Ultrapar, por meio da Ipiranga, Vibra e Raízen, por meio da Shell) é a informalidade no setor – que pode incluir o descumprimento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel fóssil e a sonegação fiscal – ambos permitindo que empresas irregulares ofereçam preços mais baixos ao consumidor final.

“Embora tenhamos visibilidade limitada sobre os efeitos práticos que a operação de hoje poderia ter no mercado, acreditamos que potenciais ventos favoráveis ​​poderiam ser i) uma recuperação da participação de mercado para os maiores players e ii) expansão da margem”, avalia o Goldman.

Os analistas do banco lembram que esses três maiores players perderam participação de mercado significativa nos últimos dois anos para distribuidores sem marca/menores, o que acreditam poder estar, pelo menos em parte, associado ao avanço das irregularidades no setor.

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“Conforme temos sinalizado, vemos essa postura mais rigorosa em relação aos operadores irregulares como algo positivo para o ambiente do setor, enfrentando a concorrência desleal criada por essas práticas e sustentando as margens para os operadores em conformidade”, também afirmaram analistas do UBS BB.

“Do nosso ponto de vista, essa notícia está alinhada com nossa previsão de um combate mais intenso às irregularidades no setor de distribuição de combustíveis, o que pode sustentar margens melhores no setor”, acrescentaram analistas do Citi em relatório a clientes nesta quinta-feira.

(com Reuters)

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.