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SÃO PAULO – A venda e troca de produtos usados por meio das redes sociais têm atingido um número cada vez maior de usuários, preocupados em aproveitar produtos de qualidade com mais economia. Prova disso é o grande número de blogs que se dedicam exclusivamente a divulgar e intermediar as transações com produtos, na sua maioria seminovos e em bom estado de conservação.
Um deles, o Girls On Sale, foi criado em 2008 pela webdesigner Analúcia Prado Batista. “Queria vender algumas peças que tinha em casa e não usava mais”, afirma Analúcia, que se inspirou depois de conhecer outros blogs-brechós por meio de um site de moda que costumava acessar.
“Achei a ideia muito boa e não tive dificuldades para criar o blog e começar a vender. Achei que, com o dinheiro que eu ganharia com as vendas, poderia comprar outras peças de roupas tanto em outros brechós como novas”, diz Analúcia, que afirma já ter vendido mais de 50 peças por meio do blog.
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A webdesigner Talitha Barbosa Cicon, dona do Veetrine, também decidiu criar o blog para desfazer-se de peças pouco utilizadas. “Criei porque tenho coisas sobrando e precisava rotacionar esse dinheiro, mesmo que fosse mais barato do que eu paguei”, afirma Talitha, que aproveita o blog para praticar o “desapego”, como ela mesma diz.
“Comprei, comprei e comprei como se não houvesse o amanhã. De tanto que comprei, está faltando espaço no cantinho novo e minha mãe disse que preciso praticar o desapego”, anuncia em seu blog.
Garimpando produtos
Para Analúcia, do Girls on Sale, a essência dos brechós virtuais é a mesma dos brechós físicos. “Tem que garimpar para achar coisas que valem a pena”, ensina. Segundo a webdesigner, para aqueles que gostam de comprar roupas, essa procura por produtos diferentes e baratos, considerados “um achado”, é o que mais fascina.
“O que vale a pena são peças de marcas boas com design diferenciado e com um preço bem abaixo da loja. Se a peça estiver em bom estado (e muitas estão até novas), com um preço baixo, vale muito a pena. Para saber se vale a pena, é necessário que quem compra esteja bem ligado na moda e conheça os valores das peças novas e das marcas. É como investir no mercado de ações”, compara.
Como comprar e receber
De acordo com ela, a forma de comprar é bastante parecida em todos os brechós virtuais. “Quem se interessa pela peça no blog entra em contato ou por email ou pelos comentários do próprio blog”, afirma.
Depois do contato inicial, o comprador envia o número do CEP para que possa ser calculado o valor do frete. “Quando o comprador faz o depósito, ele envia um e-mail confirmando o pagamento e os dados para o envio da peça. Uma vez que eu confirmo o valor depositado na minha conta, eu envio por correio a peça e respondo ao comprador com o número do rastreamento da encomenda”, afirma Analúcia.
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Com o número de rastreamento, é possível “seguir” a encomenda por meio do site dos Correios e saber onde está localizada até a entrega.
Trocas
Além das vendas, em muitos desses blogs, também é possível fazer trocas. No Girls On Sale, esse tipo de transação é bastante utilizada. “Quem gosta de alguma peça no meu blog entra em contato comigo e informa o endereço do seu blog/brechó. Eu entro no blog desta pessoa e verifico se existe alguma peça que eu goste, que sirva em mim e que tenha o mesmo valor”, afirma a criadora.
Nos casos dos valores serem diferentes, pode ser negociado o pagamento da diferença. “Também é válida a negociação de valores em caso da compra de mais de uma peça. Na maioria dos casos eu não cobro o valor do frete”, diz a webdesigner.
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Quebra de barreiras físicas
O professor da ECA (Escola de Comunicação e Artes) da USP (Universidade de São Paulo), Massimo di Felice, ressalta que, com as novas tecnologias e a multiplicação das redes sociais, a barreira da distância é quebrada e as pessoas acabam criando um novo tipo de economia.
“É a chamada economia personalizada, que não depende de aspectos físicos para ser eficaz”, aponta di Felice. De acordo com ele, com as redes sociais, as facilidades de divulgação e venda desses produtos são muito maiores. “As redes fazem com que o processo seja muito mais rápido”, pontua.