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SÃO PAULO – Antes restrita ao mercado imobiliário dos EUA, a atual crise acabou contagiando os mais diversos mercados ao redor do mundo. Um deles foi o de fundos de investimentos, e o brasileiro não é exceção. Desde o começo do ano, a indústria doméstica de fundos registrou uma fuga líquida de recursos que já supera os R$ 55 bilhões.
E a captação não é o único parâmetro marcado pelas turbulências. Poucas são as categorias de fundos listadas pela Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento) que mostram taxas positivas de rentabilidade em 2008. Algumas, como a de fundos atrelados à privatização da Vale, mostram retornos negativos superiores a 50%.
Em contrapartida, há aquelas categorias que vêm sendo beneficiadas de tal clima tenso nas bolsas. Os fundos ligados ao câmbio, por exemplo, reverteram seu histórico de rentabilidades em queda e mostram expressivos retornos positivos neste ano, dada a inversão na trajetória do dólar frente ao real. Mas outro destaque positivo neste ano é uma categoria velha conhecida dos brasileiros: os tradicionais fundos de renda fixa.
Retornos positivos
Composta por três classes, “fundos renda fixa”, “fundos renda fixa médio e alto risco” e “fundos renda fixa com alavancagem”, a categoria acumula em 2008 uma rentabilidade média positiva de 10,03%, calculada de acordo com o peso de cada classe em seu patrimônio líquido total. Confira:
| Classe de Fundo | Rentabilidade Out/2008* | Rentabilidade 2008* |
| Renda Fixa | +0,85% | +10,12% |
| Renda Fixa Médio e Alto Risco | +0,60% | +9,47% |
| Renda Fixa Com Alavancagem | +0,19% | +8,10% |
| Renda Fixa Total | +0,79% | +10,03% |
*Acumulado até 30 de outubro
Os números revelam um desempenho superior da classe mais tradicional da categorias sobre seus pares de perfis mais arriscados, os “fundos médio e alto risco” e “com alavancagem”, dado as turbulências nas bolsas.
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Ganhando espaço
Os bons retornos conquistados neste ano vêm rendendo à categoria uma inversão também em outro parâmetro: o referente ao patrimônio líquido e market share. Até o início da crise, os fundos de renda fixa vinham perdendo espaço na indústria brasileira de fundos, com os investidores tirando proveito do clima ameno nas bolsas para migrarem a ativos mais arriscados.
No começo de 2001, os fundos renda fixa detinham 40,9% de todo o patrimônio líquido dos fundos brasileiros de investimentos. Em junho deste ano, a parcela atingiu o nível mínimo de 29,37%. Mas vem subindo deste então. Confira:
| Evolução do Market Share dos Fundos de Renda Fixa |
|||
| Período | Participação PL total | ||
| Junho | 29,37% | ||
| Julho | 29,75% | ||
| Agosto | 29,75% | ||
| Setembro | 30,61% | ||
| Outubro* | 30,83% | ||
Fonte: Anbid
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*Até 30 de outubro
Fuga de recursos
A despeito dos retornos positivos, nem mesmo os fundos de renda fixa vêm conseguindo escapar da tendência de fuga de recursos que predomina sobre a indústria brasileira de fundos de investimentos como um todo em 2008: a categoria acumula desde o começo do ano uma saída líquida de R$ 39,895 bilhões, dos quais R$ 15,451 bilhões foram registrados em outubro.
| Classe de Fundo | Captação Out/2008* (R$ milhões) |
Captação 2008* (R$ milhões) |
| Renda Fixa | -13.583,04 | -34.473,30 |
| Renda Fixa Médio e Alto Risco | -1.707,33 | -4.325,96 |
| Renda Fixa Com Alavancagem | -111,78 | -769,02 |
| Renda Fixa Total | -15.451,51 | -39.895,41 |
*Acumulado até 30 de outubro