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SÃO PAULO – Depois de cair 3,11% na semana passada, o Ibovespa já caiu mais 2,77% nos últimos 5 dias, devolvendo quase dois terços da forte alta de fevereiro, quando o benchmark subiu 9,97%. O período entre dia 9 e 13 de março foi marcado pelo reajuste na tabela do IR com acordo entre Fazenda e Congresso, início de estímulos na Europa e especulações sobre aumento dos juros nos Estados Undos. Confira os principais eventos da semana:
Lista de Janot
A semana começou repercutindo a entrega da lista de políticos que foram citados nas investigações da Operação Lava Jato como tendo envolvimento no escândalo de corrupção. Os nomes do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB) e do Senado, Renan Calheiros (PMDB), trouxe preocupações de agravamento nas tensões políticas que culminaram na devolução da MP 669, que trata das desonerações por Renan na semana anterior. As preocupações eram de que o ajuste fiscal proposto pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ficasse prejudicado pelo racha entre Executivo e Legislativo.
Piora no cenário econômico
As previsões pessimistas para a economia brasileira do ano deram uma guinada nas últimas semanas e se tornaram ainda mais pessimistas. A inflação, que a maior parte das casas de análise, economistas e instituições financeiras, previa que ficaria em torno de 7%, atingiu 7,7% na última leitura do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).
Com isso, a pressão sobre a política monetária implementada pelo Banco Central aumentou e muitos agentes do mercado já esperam que a Selic sofra ainda mais elevações, para além de 13% ao ano. Com juros mais altos, as perspectivas já negativas para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) pioraram consideravelmente e uma retração de mais de 1% em 2015 já é vista como possibilidade real por parte expressiva do mercado.
Reajuste da tabela do IR
O único dia de alívio da semana veio quando o Congresso aprovou o reajuste da tabela do Imposto de Renda para um aumento de 6,5% escalonado. O acordo firmado entre o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o presidente do Senado, Renan Calheiros, selou uma trégua entre o maior partido da base aliada e o Planalto. O ajuste fiscal de Levy ficou com um obstáculo político a menos e os investidores preocupados com as contas públicas do País agradeceram.
Início do Quantitative Easing europeu
O programa de compra de ativos dos 19 países da zona do euro pelo BCE (Banco Central Europeu) teve início no dia 9. Serão 60 bilhões de euros injetados na debilitada economia do velho continente durante os próximos meses. Com mais dinheiro disponível, investidores têm um motivo a mais para colocar capital em ativos de risco, o que deu novo ânimo aos mercados mundiais.
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Indefinição no Fomc
Praticamente certo no início da semana era que a próxima reunião do Fomc (Federal Open Market Comittee) já tiraria a expressão “paciente” do seu comunicado ao mercado e iria abrir caminho para uma elevação dos juros em junho. Com isso, nem todo o dinheiro disponível pelo “Quantitative Easing” europeu adiantaria para manter vivo o apetite por risco ao redor do mundo. Uma rentabilidade maior para os títulos da dívida norte-americana, considerados os ativos mais seguros do mundo, faria com que investidores se voltassem para os EUA.
No fim da semana, contudo, vendas do varejo da maior economia do mundo sofreram uma surpreendente retração de 0,6% em fevereiro, bem como a inflação ao produtor (queda de 0,5%) e o índice de confiança do consumidor (queda de 95,4 pontos para 91,2 pontos). O cenário para a semana que vem ganha indefinição e investidores ficarão atentos a qualquer manifestação dos membros do Federal Reserve.