Vector Investimentos planeja lançar fundo imobiliário ainda em 2010

Em entrevista à InfoMoney, sócio Francisco Carballido falou sobre portfólio da gestora de recursos e estratégias de investimento

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SÃO PAULO – Com aproximadamente R$ 360 milhões de ativos sob gestão, a Vector Investimentos oferece em seu portfólio um fundo quantitativo, baseado no cálculo de modelos matemáticos e estatísticos, e dois fundos estruturados, focados em agronegócio e crédito. 

Em entrevista à InfoMoney, Francisco Carballido, um dos sócios da gestora de assets, falou sobre esses produtos e as estratégias de investimento da asset, além dos planos de lançar um fundo imobiliário no segundo semestre. 

Portal InfoMoney: Como funciona o fundo quantitativo?

Franscico Carballido: Em um fundo quantitativo, o processo de tomada de decisão é efetuado com base em modelos matemáticos e estatísticos, desenvolvidos pela equipe da instituição desde 1999. Tais modelos buscam identificar oportunidades de retorno através da análise de diversas séries de dados temporais e intradiários e suas correlações. Todo o processo de execução de ordens se dá eletronicamente. 

É feita a análise de todas as movimentações de todos os dados de mercado, isto é, todas as ações na bolsa, de todos os índices futuros (em índices futuros você tem juros, você tem dólar), ou seja, de diversos ativos do mercado financeiro. Nós coletamos esses dados desde 1999 e, em 2006, nasceu o fundo Vector Quantitativo. Nós começamos a divulgá-lo em março, após quatro anos de casa, e o foco desse produto é a pessoa física. 

E os fundos estruturados?
Os fundos estruturados são voltados a investidores institucionais (locais e estrangeiros), que façam aportes grandes para as nossas operações. Estes fundos normalmente requerem valores de R$ 50 milhões para cima. Por isso estes fundos, na maioria das vezes, não conseguem receber pessoas físicas e sim investidores institucionais.

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“Nossos fundos estruturados são
produtos tailor made, que atendem
as necessidades específicas dos clientes”
 

Eles têm a característica de serem produtos tailor made, ou seja, estruturados para servir necessidades específicas desses clientes. Atualmente, nossos fundos estruturados estão voltados ao agronegócio, para financiar tecnologia de irrigação, e a crédito, através de FIDCs.

Entre esses dois principais produtos, qual deles apresenta maior procura pelos clientes?

O Vector Quantitativo. É um produto com liquidez diária, volatilidade muito baixa e constante ao longo de quase quatro anos. E o valor mínimo de aplicação é de R$ 25 mil.

Esse é o primeiro produto da instituição. Começamos com ele e depois desenvolvemos a área de estruturados.

Por que você considera que ele desperta tanto interesse nos clientes?

Ele é um fundo que está a 291% do CDI, nos quatro primeiros meses do ano. Existe um rigoroso controle de volatilidade: no mesmo período, a volatilidade desse fundo foi inferior a 2%.

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Outro diferencial é que, no Brasil, temos uma oferta muito baixa de fundos quantitativos. Entre um total 6 mil fundos no geral do Brasil, temos menos de 10 desse tipo. Nos Estados Unidos, Europa e Ásia, existe um número muito maior desse tipo de fundo, esse mercado está mais desenvolvido. Não só as pessoas procuram mais, como esses produtos já foram lançados e divulgados há mais tempo. Nos Estados Unidos, por exemplo, 50% da movimentação da bolsa é feita através de fundos quantitativos, enquanto no Brasil esse percentual é muito pequeno.

É um tipo de fundo que exige muita tecnologia e pessoas muito especializadas para poder desenvolver esse produto. Você tem que ter pelo menos uma década de experiência no assunto e uma quantidade de pessoas muito especializadas em várias áreas. Em nossa equipe temos engenheiros de computação e mestres em Física e Genética.

Vocês têm interesse em buscar novos perfis de clientes?

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“Queremos lançar fundos
imobiliários de renda para pessoas
físicas e investidores institucionais”
 

Sim, temos. Queremos lançar fundos imobiliários de renda. Um exemplo de como eles funcionam é quando você compra um prédio, ou parte de um prédio, onde você tenha empresas alugando imóveis e coloca isso tudo dentro de um fundo. O investidor passa a ter uma renda mensal, além da valorização imobiliária do imóvel. Esse produto pode tanto atingir pessoas físicas, quanto investidores institucionais.

Estamos estruturando esse fundo para em breve divulgar e fazer as captações necessárias. Nós queremos lançá-lo no segundo semestre.

Quais as estratégias de investimento da instituição?

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Para o fundo quantitativo, existe um acompanhamento permanente de novos modelos matemáticos e estatísticos. Todos os dias são feitas análises sobre novos modelos que possam ser incluídos. Dentro da área de estruturados, temos a aplicação do tailor made, em que montamos o produto de acordo com a demanda dos clientes.