Qual valor está escondido na unidade de metais básicos da Vale (VALE3)?

Combinação entre preços mais elevados, maior escala e diluição de custos elevou a participação da VBM no EBITDA para mais de 20% em 2025

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Logo da Vale na NYSE/Reuters
Logo da Vale na NYSE/Reuters

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A divisão de metais básicos (VBM) da Vale (VALE3) pode esconder um valor relevante ainda pouco refletido no preço da mineradora. Segundo avaliação do Bradesco BBI, o avanço de projetos de cobre em Carajás e a perspectiva de crescimento da produção nos próximos anos aumentam a visibilidade sobre o potencial dessa unidade, que já ganha peso no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) e na geração de caixa da companhia.

De acordo com relatório, a Vale projeta elevar sua produção de cobre para patamares acima de 500 mil toneladas anuais nos próximos cinco anos, apoiadas em novos projetos e expansões na região de Carajás. Entre os destaques estão o projeto Bacaba, com entrada prevista para 2028, a expansão da planta de Salobo, estimada em 2029, e o projeto Alemão, previsto para entrar em operação em 2030.

Esse crescimento orgânico também deve ampliar a exposição ao ouro como subproduto, com possibilidade de superar 700 mil onças, reforçando a diversificação da divisão de metais básicos.

Na visão do Bradesco BBI, apesar do custo competitivo e da boa perspectiva de crescimento, a divisão ainda tem espaço para expansão do volume de reservas, hoje estimadas em 6,4 milhões de toneladas de cobre, o que implica vida útil menor do que a média global.

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Mesmo assim, a combinação entre preços mais elevados, maior escala e diluição de custos já elevou a participação da VBM no Ebitda consolidado para mais de 20% em 2025, com potencial de alcançar cerca de 30% em 2026, além de aproximadamente 25% da geração de caixa no mesmo horizonte.

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O Bradesco BBI manteve leitura construtiva para a tese de Vale, entendendo que a divisão de metais básicos deve ganhar ainda mais relevância na criação de valor da companhia nos próximos anos. O cronograma de projetos — todos com expansão orgânica, sem depender de aquisições em um mercado global de cobre com valuations elevados — sustenta a visão de que a VBM poderá responder por mais de um terço do EBITDA e da geração de caixa da Vale a partir do início da próxima década, especialmente após a maturação de Alemão.

Embora a necessidade de ampliação de reservas siga como ponto de atenção para uma eventual reprecificação mais próxima de pares globais, o BBI vê a relação entre risco e retorno como favorável, com o papel negociando a um múltiplo EV/Ebitda (Valor da Firma sobre Ebitda) de 4,6 vezes para 2026 — ainda um desconto relevante em relação aos produtores australianos. Assim, o banco reiterou recomendação de compra e preço-alvo de R$ 102.