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Vale destoa do Ibovespa em dia de euforia pós-eleição; entenda o que pesa sobre VALE3

Real forte, minério físico na mínima de dois anos e gráfico ainda sem confirmação de reversão ajudam a explicar por que a ação ficou fora do rali da Bolsa

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A Vale (VALE3) ficou de fora da euforia que tomou conta da Bolsa brasileira nesta segunda-feira (5). Enquanto o Ibovespa disparava mais de 8% após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, as ações da mineradora operavam em queda.

Às 13h03, VALE3 recuava 2,52%, a R$ 70,28, enquanto o Ibovespa avançava 8,51%, aos 208.472 pontos. O índice chegou aos 209.605 pontos na máxima do dia, renovando o recorde intradiário.

A Vale abriu a R$ 73,38, chegou a R$ 74,27 na máxima e tocou R$ 69,51 na mínima. No ano, o papel praticamente zerava os ganhos, com alta de apenas 0,08%.

O movimento não é exclusivo de VALE3. Suzano e Embraer também operavam em queda em meio à disparada do Ibovespa, enquanto bancos, varejistas, construtoras e outras empresas mais sensíveis aos juros lideravam os ganhos.

No caso da Vale, há uma combinação particular: além da forte valorização do real, o minério de ferro entrou no feriado chinês pressionado e o gráfico da ação ainda não confirmou uma reversão do movimento de baixa.

VALE3 ainda precisa confirmar reação no gráfico

Apesar da recuperação observada no último pregão, a configuração técnica de VALE3 ainda não indica uma reversão clara.

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A ação permanece dentro do canal de baixa iniciado após a máxima de R$ 89,41 e segue negociando entre as médias móveis de 9 e 21 períodos.

Para que a recuperação ganhe consistência, o papel precisa primeiro superar as médias curtas e avançar em direção aos R$ 77,55.

Acima desse patamar, as próximas resistências aparecem em R$ 81,31, R$ 83,35 e R$ 87,58, antes da máxima de R$ 89,41.

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O IFR de 14 períodos (Índice de Força Relativa, indicador que mede a intensidade dos movimentos de preço) estava em 49,29 pontos na leitura feita com base no pregão anterior, região neutra, sem sinal de sobrecompra ou sobrevenda.

Na parte inferior do gráfico, a mínima recente de R$ 68,67 segue como referência importante. Nesta segunda-feira, VALE3 chegou a R$ 69,51, aproximando-se novamente desse nível.

A perda dos R$ 68,67 pode reforçar a pressão vendedora e abrir espaço inicialmente para R$ 64,11. Abaixo, aparecem ainda R$ 58,67, R$ 56,81 e R$ 54,75.

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Assim, mesmo depois da reação da última sessão, o gráfico ainda exige novos rompimentos para indicar uma mudança mais consistente de direção.

Real forte também entra nas contas da Vale

O câmbio ajuda a explicar o descolamento de VALE3 em relação à Bolsa nesta segunda-feira.

O dólar chegou a cair abaixo dos R$ 5, acompanhando a forte reprecificação dos ativos brasileiros após o primeiro turno.

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Como a Vale é uma grande exportadora e possui parcela relevante de suas receitas atrelada ao dólar, uma valorização forte do real reduz, na conversão cambial, o valor dessas receitas em moeda brasileira.

O câmbio, porém, não explica sozinho o desempenho de VALE3. Minério de ferro, China, custos e expectativas para a demanda global também entram na formação de preço da ação.

A sessão mostra ainda uma forte rotação dentro da Bolsa: investidores privilegiam empresas mais expostas à economia doméstica e à queda dos juros, enquanto algumas exportadoras ficam para trás.

Minério entrou no feriado chinês na mínima de dois anos

O cenário da principal commodity da Vale adiciona outra camada de pressão.

A referência física mais recente da Platts, o IODEX — índice do minério de ferro entregue à China e atualmente normalizado para 61% de teor de ferro — foi avaliada em US$ 91,05 por tonelada seca em 2 de outubro, queda de US$ 1,15 no dia e menor nível em aproximadamente dois anos.

Com o mercado futuro chinês fechado nesta semana, por causa do feriado nacional, não há nova cotação sendo formada em Dalian nesta segunda-feira.

A ausência dos compradores chineses também reduz a atividade no mercado físico. Algumas ofertas de cargas apareceram durante o feriado, mas não puderam ser efetivamente testadas junto ao mercado mais amplo, segundo informações da Platts compiladas pelo Bradesco BBI.

China vira próximo teste para o minério

A retomada das negociações chinesas deve devolver ao mercado uma de suas principais referências para a commodity.

Até lá, investidores acompanham as avaliações do mercado físico, o comportamento das grandes mineradoras internacionais e as expectativas para a demanda das siderúrgicas chinesas.

Para a Vale, essa combinação ajuda a explicar o forte descolamento desta segunda-feira. Enquanto o Ibovespa dispara com a reprecificação eleitoral e o mercado privilegia ações domésticas, VALE3 enfrenta simultaneamente um real mais valorizado, minério físico nas mínimas dos últimos dois anos e uma estrutura gráfica que ainda exige confirmação de melhora.

No curto prazo, R$ 77,55 segue como a primeira barreira importante para uma recuperação mais consistente. Do lado de baixo, R$ 68,67 permanece como o nível técnico mais próximo a acompanhar.

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Rodrigo Petry
Mercados | Economia | Onde Investir

Coordenador de Projetos Editoriais. Atuou como editor de mercados e investimentos no InfoMoney, liderando o Ao Vivo da Bolsa e o IM Trader. Antes, foi editor-chefe do portal euqueroinvestir, repórter do Broadcast (Grupo Estado) e revista Capital Aberto. Também foi Gestor de Relações com a Mídia do ex-Grupo Máquina e assessor parlamentar.