Análise

Analistas reiteram otimismo com Vale após mineradora anunciar recompra de até US$ 4,6 bi em ações; confira os motivos

BBI ressalta que o programa é um passo importante no caminho para a reclassificação das ações da Vale

O conselho da mineradora Vale (VALE3) aprovou na última quinta-feira (1) um programa de recompra limitado a 270 milhões de ações ordinárias e seus respectivos ADRs, informou a companhia em fato relevante ao mercado.

O volume representa até 5,3% do número total de ações em circulação, com base na composição acionária de 28 de fevereiro de 2021. O percentual totaliza cerca de US$ 4,6 bilhões levando em conta o preço atual das ações. O programa será executado em um período de até 12 meses.

“Nosso programa de recompra demonstra a confiança da gestão da companhia no potencial da Vale de criar e distribuir valor de forma consistente”, disse a companhia. “Regidos pela disciplina na alocação de capital, consideramos a recompra de nossas ações um dos melhores investimentos disponíveis para a companhia.”

A empresa pontuou ainda que o programa de recompra não compete com a intenção da companhia de “consistentemente distribuir dividendos acima do mínimo estabelecido por nossa política de dividendos”.

De acordo com análises do Bradesco BBI, do Morgan Stanley e da XP, a recompra de ações é um movimento bastante positivo para a Vale.

Thiago Lofiego e Isabella Vasconcelos, do BBI, fizeram algumas considerações. Em primeiro lugar, do ponto de vista de alocação de capital, avaliam que a Vale fez a escolha certa, considerando a alta taxa interna de retorno (TIR) de dois dígitos
esperada levando em conta seu próprio patrimônio (TIR de 17% assumindo minério de ferro de longo prazo a US$ 70 a tonelada).

“O programa de recompra (contabilizando até 5,3% das ações em circulação) é um passo importante no caminho para a reclassificação [das ações] da Vale. A empresa continua a negociar a cerca de 3 vezes a relação entre o valor da empresa e o [lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações] Ebitda esperado para 2021, desconto significativo de 35% frente os pares australianos e bem abaixo de múltiplos justo de 4,5 vezes”, avaliam os analistas.

Do ponto de vista do balanço, os analistas avaliam que a empresa está em uma posição forte para conduzir o programa de recompra. “De acordo com nossas estimativas atuais (preço médio de minério de ferro de US$ 140 a tonelada para 2021), mesmo considerando nossa estimativa de dividendos de US$ 10 bilhões para 2021 (dividend yield, ou dividendo em relação ao preço das ações de 11,4%), a dívida líquida expandida da Vale alcançaria cerca de US $ 11 bilhões no final de 2021, dentro dos níveis da meta da empresa”, apontam Lofiego e Isabella.

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Os analistas apontam que a Vale deva concluir a recompra com sucesso antes do período anunciado de 12 meses, destacando que o programa de recompra representaria o equivalente a 45 dias de negociação dos ativos da companhia. A recomendação para o ADR da Vale é outperform (desempenho acima da média do mercado) com preço-alvo de US$ 25 para o ativo.

O Morgan Stanley também reiterou recomendação equivalente à compra, ou overweight (exposição acima da média do mercado), com preço-alvo de US$ 21 para o ADR, esperando uma reação positiva ao anúncio da recompra.

Eles também destacam que o anúncio mostra que a visão do Conselho de Administração e da Administração de que as ações da Vale estão sendo negociadas com um desconto excessivo em relação aos pares, além de reiterarem o compromisso da empresa de dar retorno aos acionistas em dividendos e alocação disciplinada de capital.

A XP avalia que o anúncio é positivo, uma vez que reforça o compromisso da Vale com a geração de valor aos seus acionistas. “Mantemos nossa recomendação de compra para o papel, com preço-alvo de R$ 122 por ação”, apontam os analistas.

(Com Reuters)

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