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Em meio ao rali das ações neste início do ano, a Vale (VALE3) divulgou seus dados operacionais do quarto trimestre de 2025 (4T25) na última terça-feira (27), com números considerados positivos pelos analistas de mercado.
A mineradora reportou produção de minério de ferro de 336,1 milhões de toneladas em 2025, aumento de 2,6% na comparação com 2024, passando pela primeira vez desde 2018 o total produzido pela concorrente Rio Tinto em Pilbara, principal polo produtor da gigante australiana. A empresa brasileira, desta forma, superou a produção total de 327,3 milhões de toneladas da anglo-australiana e voltou a ser a maior produtora global do insumo.
A Vale perdeu a liderança em minério de ferro para a Rio Tinto em 2019, após impactos do rompimento de sua barragem em Brumadinho (MG), o que demandou uma profunda revisão dos projetos da companhia em busca de maior segurança devido ao desastre que matou centenas de pessoas.
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Mas nos últimos anos a Vale ampliou a produção novamente, ganhando terreno frente à Rio Tinto, o que levou o presidente da mineradora brasileira, Gustavo Pimenta, a comentar recentemente em várias oportunidades que a companhia recuperaria o posto de número 1 em minério de ferro.
Em relatório, a XP ainda destaca um desempenho sólido de cobre, com produção/vendas em alta de 6% na base anual, impulsionado pelo aumento da produção em Salobo (que entregou volumes recordes) e Sossego, enquanto os preços realizados aumentaram +US$ 1.185/t (tonelada) na base trimestral (devido ao aumento dos preços de referência LMEs). Já a produção de minério de ferro avançou cerca de 6% na comparação anual (+1% ante a estimativa da XP), com embarques de finos de minério de ferro subindo 7% ante o 4T24 (em linha com a estimativa da XP), impulsionados por volumes maiores em Brucutu e aumento de Vargem Grande e Capanema. Enquanto isso, os volumes de vendas de Pelotas caíram 10% ano a ano.
O JPMorgan aponta que o trimestre foi sólido em todos os segmentos. Enquanto a produção de minério de ferro e cobre atingiu seus maiores níveis desde 2018 – com 336 milhões de toneladas e 382 mil toneladas (kt), respectivamente – a produção de níquel também foi a mais forte desde 2022.
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O segmento de metais básicos também apresentou um trimestre forte, com a produção e as vendas de cobre superando as estimativas da JPMorgan e os volumes de níquel mostrando crescimento ano a ano, particularmente no Brasil. “No geral, os números reportados demonstram consistência operacional e progresso em direção às metas estabelecidas”, apontou o JPMorgan, projetando uma reação positiva aos números reportados.

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O Goldman Sachs avalia que a produção de minério de ferro da Vale no 4º trimestre de 2025 ficou em linha com as estimativas do banco e do consenso do mercado; já a produção de cobre superou as estimativas do Goldman Sachs e do consenso em 14-19%, devido à melhoria geral da produção (níquel 5% mais forte). “Acreditamos que a contínua melhora no desempenho dos metais básicos provavelmente levará os investidores a reavaliar a empresa após anos de decepções”, aponta o banco americano.
Em termos anuais, a Vale tem apresentado recordes de 4 a 8 anos, mas observa que o esgotamento em Serra Norte continua elevado (em 10% em 2025), embora mais do que compensado por esforços em outras áreas.
“Acreditamos que o principal potencial de alta daqui para frente está relacionado à estabilização da produção nesse negócio”, avalia.
O banco lembra que a ação da Vale acumula alta de 17% no ano, após um sólido aumento em 2025. A forte valorização foi impulsionada principalmente por uma combinação de fluxos positivos para o Brasil (a Vale superou seus pares em 30% e 20% em 2025 e no acumulado do ano), mas também por uma alta geral nos preços das commodities, que tem sustentado o setor, e por um bom desempenho operacional (também destacado no relatório de produção).
“A partir daqui, acreditamos que a narrativa para a mineração deve continuar sendo sustentada por uma combinação de dólar mais fraco, taxas de juros em queda e riscos geopolíticos crescentes que favorecem os investimentos em ativos físicos. Também acreditamos que a Vale tem uma boa estratégia para equilibrar o portfólio de minério de ferro e crescer no cobre”, aponta.
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O Goldman segue vendo a avaliação atraente em termos relativos, com a Vale negociando a 11% do fluxo de caixa livre anual à vista, contra 5% para as concorrentes Rio/BHP.
“A Vale também tem uma estratégia de alocação de capital com risco limitado de fusões e aquisições e desempenho operacional em melhoria. Os investidores domésticos com quem conversamos também estão cautelosos em relação às principais commodities no Brasil (incluindo petróleo, proteína, aço e celulose), e a Vale se destaca em termos de retorno de fluxo de caixa livre e pode ser relativamente defensiva entrando em um ano eleitoral em 2026”, avalia.
Por outro lado, o risco é que os preços do ferro já tenham atingido o pico do ciclo e o Goldman Sachs espera uma correção de 8% até o final de 2026. O Goldman segue com recomendação de compra para as ações, com preço-alvo de US$ 13,80 para os ADRs (recibo de ações negociados em Nova York). O JPMorgan também tem recomendação equivalente (overweight, ou exposição acima da média), enquanto o BBI tem recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, também equivalente à compra), com preço-alvo de US$ 15 para o ADR.
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Já a XP Investimentos reiterou recomendação neutra para Vale, principalmente diante de expectativas de redução dos preços do minério de ferro após o período de reabastecimento, embora reconheça a melhora no momento de curto prazo para as ações.