Revisões para baixo

Vale (VALE3) tem produção abaixo do previsto, enquanto atenções se voltam para cortes em projeções; ação fecha em queda

“Parece que a Vale está mais cautelosa em relação às perspectivas de demanda para o restante do ano”, apontou o BBI.

Por  Felipe Moreira -

A Vale (VALE3) produziu 74,1 milhões de toneladas métricas de finos de minério de ferro no segundo trimestre de 2022 (2T22), montante 1,2% inferior ao mesmo período do ano passado, mas um aumento de 17% em relação ao 1º trimestre de 2022, de acordo com prévia operacional publicada na última terça-feira (19).

A mineradora ainda revisou suas projeções para 2022. A produção deve ficar entre 310 milhões e 320 milhões de toneladas de minério. A projeção anterior estava entre 320 a 335 milhões.

A reação aos números foi negativa: as ações VALE3 caíram 2,16%, a R$ 67,39.

Em relatório a clientes, o Morgan Stanley disse que enxerga um número um pouco menor em relação a suas premissas para o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) para Vale no 2T22 (abaixo do consenso de US$ 6,4 bilhões) devido aos embarques menores de minério de ferro e metais básicos no 2T22 e prêmio realizado menor do minério de ferro. Sobre o guidance, as estimativas atuais de produção para 2022 do banco estão no topo do novo guidance da Vale (ou seja, 320 milhões).

Para o Bradesco BBI, os números de produção e embarque de minério de ferro no 2T22 ficaram em linha com as suas expectativas, enquanto os prêmios ficaram um pouco abaixo da projeção do banco, em US$ 7,30 a tonelada (o destaque positivo foi uma forte contribuição de prêmio de pelotas de US$ 6,20 a tonelada).

Analistas acreditam que os investidores, no entanto, se concentrarão na revisão para baixo na produção de minério de ferro, implicando em uma potencial revisão para baixo nas estimativas do BBI, de 325 milhões de toneladas. A revisão é  parcialmente explicada por um impacto pontual na Ponta da Madeira e a venda do Sistema Centro-Oeste para a J&F, mas também atribuível à estratégia de “valor sobre volume” da empresa em meio às condições voláteis do mercado de minério de ferro.

Diante disso, “parece que a Vale está mais cautelosa em relação às perspectivas de demanda para o restante do ano”, escreveu o BBI.

A equipe de análise do Itaú BBA diz ainda que a revisão para baixo do guidance de produção de minério de ferro para 2022 sinaliza desafios operacionais para atingir a meta de longo prazo da Vale de 400 milhões de toneladas por ano, mas pode ajudar a sustentar os preços do minério de ferro.

Além disso, o BBA ressalta que a “melhora de 17% na produção trimestral vem de uma base fraca no 1T22”.

A XP vê os resultados como ligeiramente negativos, já que a produção ficou abaixo dos números de consenso e os guidances para minério de ferro e cobre foram revisados para baixo. “Como esperado, a estação seca melhorou a produção geral e vemos a venda do Sistema Centro-Oeste como positiva e em linha com a estratégia da empresa de simplificação do portfólio e foco nas principais oportunidades de negócios”, avaliam os analistas.

No mais, os analistas do JPMorgan pontuaram que, do lado dos metais básicos, os números da produção também frustraram as expectativas, especialmente em cobre.

Para o BBA, a produção sequencialmente menor de níquel e cobre foi impulsionada por paradas para manutenção no trimestre.

Com base nos números tímidos em geral, JP Morgan e Goldman Sachs destacaram, em relatórios antes da abertura, esperar uma reação negativa das ações no pregão desta quarta.

“A faixa intermediária da orientação de minério de ferro da Vale não implica em crescimento de produção em relação a 2021, o que é decepcionante e provavelmente alimentará as preocupações dos investidores sobre o desempenho da empresa”, disse o Goldman Sachs.

O Goldman tem recomendação neutra para o ADR (na prática, os ativos da companhia negociados na bolsa americana) da Vale, pois vê o preço das ações em US$ 87 a tonelada para o preço do minério de ferro, apenas ligeiramente abaixo da média prevista pelo banco de US$ 90 a tonelada para 2023-2024. O preço-alvo foi revisado para baixo, de US$ 17 para US$ 15, um potencial de valorização de 18% frente o fechamento da véspera.

O Bradesco BBI, por sua vez, mantém recomendação de Compra para VALE3, uma vez que espera que as tendências de demanda na China melhorem na segunda metade do ano, apoiando os preços de commodities e ações, embora reconheçam que o caminho não deve ser linear, especialmente no curto prazo (normalmente sazonalidade mais fraca durante verão, casos mais elevados de Covid-19).

“Dito isso, vemos o preço de VALE3 apontando uma correção nos preços do minério de ferro para US$ 70/tonelada já a partir do 2S22, o que vemos como muito pessimista. Relembrando que a Vale divulga os números do 2T22 no próximo dia 28 de julho e projetamos Ebitda ajustado em US$ 5,75 bilhões (sem considerar as despesas de Brumadinho)”, conclui.

A XP também segue positiva com o preço de minério de ferro e na geração de caixa da Vale e por isso mantém rating de compra na ação (preço-alvo US$ 17,6 por ADR e de R$ 97,1 por ação).

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