Vale (VALE3) tem lucro líquido de US$ 2,68 bilhões no 3º trimestre, alta anual de 11%

A mineradora publicou seus resultados na noite desta quinta-feira (30)

Camille Bocanegra

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A Vale (VALE3) reportou seus resultados do 3º trimestre de 2025 nesta quinta-feira (30), após o fechamento do mercado. A mineradora teve lucro de US$ 2,68 bilhões de forma líquida (atribuível aos acionistas) no terceiro trimestre de 2025, alta de 11% frente um ano antes. Na comparação trimestral, a alta foi de 27%.

A projeção LSEG era de lucro de US$ 2,1 bilhões, abaixo do apresentado pela mineradora. Nas expectativas de analistas, o lucro teria a alta de cerca de 13% na comparação anual e seria cerca de 20% superior ao observado no trimestre anterior.

O lucro líquido proforma da mineradora ficou em US$ 2,7 bilhões, com alta de 78% na comparação anual. Já os investimentos em projetos de crescimento ficaram em US$ 299 milhões, com queda de US$ 77 milhões na comparação com o mesmo período do ano passado. A companhia afirma que, por avanços de projetos como o ramp-up da Mina de Capanema (que ilustra esta matéria), foram necessários menores desembolsos no segmento de Soluções de Minério de Ferro.

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A receita líquida da mineradora foi de US$ 10,4 bilhões, com alta de 9% no ano e de 18% na comparação trimestral. A projeção LSEG apontava US$ 10,3 bilhões, em linha. Já o Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) ajustado proforma ficou em US$ 4,399 bilhões, com alta de 17%. O indicador veio acima do esperado, em US$ 4,1 bilhões.

O uso do Ebitda proforma é justificado pela ausência de recorrências como pagamentos realizado, embora o Ebitda ajustado seja utilizado para cálculo de dividendos. Conforme explica a Vale, o cálculo do Ebitda proforma é composta pelo Ebitda ajustado, excluindo os efeitos relacionados a Brumadinho e à descaracterização de barragens, e itens não recorrentes.

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A geração de Fluxo de Caixa Livre Recorrente chegou a US$ 1,6 bilhão no 3T25, com US$ 1 bilhão maior do que o observado no ano passado. O crescimento foi resultado tanto de desempenho mais forte do Ebitda quanto de menor impacto de capital de giro, de acordo com o comunicado que divulgou os resultados. O capex ficou em US$ 1,3 bilhão, com queda de US$ 0,1 bilhão na comparação anual.

A dívida líquida expandida diminuiu US$ 0,8 bilhão na comparação trimestral, em US$ 16,6 bilhões. O target da dívida líquida expandida segue entre US$ 10 a 20 bilhões. Quanto mais perto a dívida líquida fica da parte superior da meta, menor a possibilidade de dividendos extraordinários. Perto ou superior a US$ 15 bilhões, como é o caso, já pode ser descartado o dividendo extraordinário.

Portfólio e estratégia de vendas

A mineradora destacou, em soluções de minério de ferro, a execução bem-sucedida de estratégia de portfólio, com melhora de US$ 2/t no prêmio de finos de minério de ferro. Além disso, houve o lançamento do produto de médio teor de Carajás.

“A companhia segue focada em maximizar valor por meio de um portfólio de produtos otimizado, viabilizado pela flexibilidade de sua cadeia”, afirma a Vale.

A companhia também aposta em metais para transição energética. Na frente, o segundo forno de Onça Puma iniciou operações com sucesso em setembro. O projeto foi entregue dentro do prazo e custou 13% menos do que o orçado, em US$ 480 milhões de Capex final. O segundo forno adiciona 15 ktpa de capacidade de níquel, elevando a capacidade nominal do site para 40 ktpa.

Barragens e reparação

No comunicado de resultados, a Vale também apresentou atualizações sobre barragens de rejeito. Atualmente, a mineradora não tem nenhuma barragem classificada no nível 3 de emergência, após a redução do nível de emergência de 3 para 2. A descaracterização da estrutura será iniciada em 2026.

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A mineradora também informou a implementação, com sucesso, do Padrão Global da Indústria para a Gestão de Rejeitos (GISTM) em todas as suas barragens de rejeitos, como parte de seu compromisso contínuo com o ICMM.

“Essa conquista significativa reforça o compromisso da companhia com a segurança das
pessoas e comunidades, refletindo sua abordagem disciplinada na aplicação das melhores práticas de gestão de barragens”, afirma a Vale.

Na frente dos acordos de reparação, o Acordo de Reparação Integral de Brumadinho segue avançando e cerca dos 79% dos compromissos acordados foram concluídos até o 3T25. O programa de reparação da Samarco segue progredido, com R$ 70 bilhões já desembolsados até 30 de setembro de 2025.

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Até meados de outubro, a Vale contava com adesão formal de mais de 327 mil indivíduos e mais de 291 mil acordos assinados no Programa de Indenização Definitiva (PID).