Vale (VALE3) reverte lucro e tem prejuízo de US$ 694 mi no 4º tri

Mineradora divulgou resultado na noite desta quarta-feira (19)

Lara Rizério Camille Bocanegra

Ativos mencionados na matéria

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A Vale (VALE3) reportou seus resultados do 4º trimestre nesta quarta-feira (19), após o fechamento do mercado. A mineradora teve prejuízo de forma líquida (atribuível aos acionistas) US$ 694 milhões no quarto trimestre de 2024. Um ano antes, o lucro havia sido de US$ 2,418 bilhões.

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De acordo com a mineradora, o prejuízo se deu pelo impacto do reconhecimento da redução ao valor recuperável de US$ 1,4 bilhão relacionada às operações de níquel de Thompson. Além disso, a companhia destaca os US$ 540 milhões relacionados ao projeto de Extensão da Mina de Voisey’s Bay, após uma revisão abrangente dos ativos da Vale Base Metals (VBM).

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A receita líquida de vendas no 4T24 ficou em US$ 10,124 bilhões, queda de 22% ante igual período de 2023. O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado ficou em US$ 3,79 bilhões no mesmo período, recuo de 41% na comparação anual.

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Analistas ouvidos em pesquisa da LSEG esperavam lucro líquido de US$ 1,947 bilhão no 4T, com receita líquida de US$ 10,106 bilhões e um lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) de US$ 3,955 bilhões.

“Estamos satisfeitos com o forte desempenho operacional e financeiro em 2024, ressaltado pela maior produção de minério de ferro desde 2018 e recorde de produção de cobre em Salobo. Em termos de segurança e gestão de barragens, fizemos progressos significativos ao eliminar mais quatro barragens em 2024 e completar 57% do nosso programa de descaracterização de barragens. Este ano, esperamos remover a última barragem em nível 3 de emergência”, afirma o CEO da companhia, Gustavo Pimenta, no comunicado sobre o desempenho da Vale.

A Vale notou ainda que o lucro líquido “proforma”, que inclui arrendamento, foi de US$ 872 milhões no período, com queda de 64% ante o igual janela de 2023. Já o Ebitda ajustado “pro forma” ficou em US$ 4,119 bilhões, recuo de 40% contra o quarto trimestre do ano passado.

A Vale afirmou que o desempenho recorre da depreciação do real na marcação a mercado de swaps de obrigações. O efeito foi parcialmente compensado por maiores contribuições de Coligadas e JVs. A companhia cita também que a provisão relacionada ao rompimento da barragem de Samarco impactou resultados no ano anterior.

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O Fluxo de Caixa Recorrente foi de US$ 817 milhões no 4T24, US$ 2,251 bilhões menor a/a, impactado negativamente por um EBITDA Proforma menor. O efeito foi parcialmente compensado por uma maior coleta de caixa no 4T das vendas realizadas no 3T.

A dívida bruta e os arrendamentos chegaram a US$ 15,5 bilhões em 31 de dezembro de 2024, com crescimento de US$ 1,3 bilhões na comparação trimestral. A causa principal apontada para o avanço foi o efeito líquido de US$ 1,5 bilhões de fundos levantados e pagamento de dívidas. Já a dívida líquida expandida ficou relativamente estável, em US$ 16,5 bilhões. O valor é considerado dentro da meta da companhia, entre US$ 10-20 bilhões.

Investimentos

Os investimentos se dividem em projetos de crescimento e projetos de manutenção. Na modalidade de crescimento, os investimentos totalizaram US$ 324 milhões no quarto trimestre, com queda de US$ 157 milhões (-33%) na comparação anual. A redução foi causada por projetos como Serra Sul +20, que teve compras reduzidas no período; a duplicação da Ponte Rio Tocantins na ferrovia Carajás e; as plantas de briquete em Tubarão.

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Já os investimentos de manutenção apresentaram queda de 12%, em US$ 1,44 bilhões, principalmente por menores despesas nas operações ferroviárias de minério de ferro. A Vale destaca também efeito positivo na taxa de câmbio no trimestre paras duas divisões.

Redução de projeção do capex

A companhia também apresentou, em outro fato relevante, a nova projeção de capex total em 2025. O valor foi atualizado para US$ 5,9 bilhões, o que representa um corte de US$ 600 milhões na estimativa antes divulgada.

Nos investimentos de capital por tipo, o corte principal veio na linha “investimento para crescimento”, que foi reduzida de US$ 2,0 a US$ 2,5 bilhões para US$ 1,6 bilhão. Já os recursos destinados para “manutenção” ficaram em US$ 4,3 bilhões, contra US$ 4,0 a US$ 4,5 bilhões anteriores.

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Já nos investimentos de capital por negócio, a divisão de soluções de minério de ferro ficou em US$ 3,9 bilhões, contra de US$ 3,5 a US$ 4 bilhões estimados. E, por fim, as expectativas para metais para transição energética ficaram em US$ 2 bilhões, ante os US$ 2,5 a US$ 3 bilhões anteriormente projetados.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.