Vale (VALE3): provisão adicional de US$ 500 milhões por Mariana pode afetar ações?

Analistas veem notícia como negativa, mas que pode diminuir incerteza

Lara Rizério

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Placa com logo da Vale na entrada da mina Fábrica Nova, em Mariana (MG) 11/11/2015 REUTERS/Ricardo Moraes
Placa com logo da Vale na entrada da mina Fábrica Nova, em Mariana (MG) 11/11/2015 REUTERS/Ricardo Moraes

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O Tribunal Superior de Londres decidiu nesta sexta-feira (14) que a BHP é responsável pelo rompimento da barragem de Fundão em Mariana (MG), em 2015, o que terá efeitos para as ações da Vale (VALE3).

A Vale e a BHP têm um acordo para compartilhar igualmente a responsabilidade por quaisquer pagamentos em processos no Reino Unido e na Holanda.

Ambas as empresas afirmaram que continuam confiantes de que o acordo definitivo assinado em outubro de 2024 no Brasil oferece os mecanismos mais rápidos e eficazes para indenizar os afetados.

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Mesmo assim, a Vale informou que deve fazer uma provisão adicional de aproximadamente US$ 500 milhões em suas demonstrações financeiras de 31 de dezembro de 2025, além dos US$ 2,4 bilhões já reconhecidos, enquanto as saídas de caixa projetadas permanecem em linha com as projeções anteriores.

Na visão do Bradesco BBI, apesar das provisões mais elevadas, a decisão da Suprema Corte da Inglaterra reduz a incerteza em torno da responsabilidade da Mariana e reforça a eficácia do acordo brasileiro.

Já o Morgan Stanley aponta que, embora a decisão judicial seja claramente negativa, esperaria apenas uma pequena queda no preço das ações – se houvesse. Os papéis caíam cerca de 1% durante a tarde desta sexta, mas também em meio a dados mais fracos do que o esperado sobre produção industrial na China, o que afeta o minério.

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“Em primeiro lugar, a decisão era amplamente esperada. Segundo, a BHP provavelmente recorrerá, e qualquer desembolso de caixa potencial ocorreria em 2028 ou posteriormente. Terceiro, a provisão que a Vale fará é modesta. Vemos um impacto limitado, ou nenhum, no retorno de caixa para os acionistas no curto prazo. Além disso, considerando o acordo de R$ 170 bilhões já assinado no Brasil, esperamos que o impacto no balanço patrimonial e no fluxo de caixa da Vale seja moderado”, avalia o banco americano.

BBI tem recomendação equivalente à compra para os ativos, enquanto o Morgan tem exposição equalweight (exposição em linha com a média do mercado, equivalente à neutra).

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.