Vale está cuidadosa para falar de dividendo extraordinário por volatilidade, diz CFO

A companhia divulgou seus resultados do segundo trimestre de 2026 na noite desta quinta-feira

Camille Bocanegra

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A Vale (VALE3) deve chegar mais perto dos US$ 15 bilhões de dívida líquida expandida até o fim do ano, segundo afirmou o CFO da companhia, Marcelo Bacci, na teleconferência sobre os dados do segundo trimestre de 2026, nesta sexta (31). Mesmo assim, a mineradora tem cautela para falar em dividendos extraordinários porque “o mercado está muito volátil”, nas palavras do CFO.

A companhia divulgou seus resultados do 2º tri na noite da quinta (30), com lucro líquido atribuível de US$ 1,375 bilhão no segundo trimestre deste ano, recuo de 35% ante igual período de 2025. Na comparação trimestral, a companhia teve lucro 27% menor. “Lucro líquido não é tão importante em nossa operação quanto para outros setores”, explica o CFO, destacando que o Ebitda reflete melhor a operação da mineradora.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado pro forma atingiu US$ 4,1 bilhões no trimestre, alta de cerca de 19% na comparação anual e acima das expectativas do consenso.

O vice-presidente também afirmou que futuras decisões sobre remuneração aos acionistas continuarão condicionadas à capacidade de geração de caixa da companhia.

A Vale também destacou avanços na gestão de custos logísticos. A mineradora reduziu sua exposição ao mercado spot de fretes para menos de 10% em 2026, buscando diminuir a volatilidade gerada pelas oscilações do transporte marítimo. A empresa afirmou ainda que trabalha para ampliar essa estratégia de redução de exposição nos próximos anos, incluindo 2027 e 2028.

Em relação aos ativos minerários em Minas Gerais, a empresa declarou estar preparada para retomar as operações nas minas de Fábrica e Viga. Segundo a Vale, os projetos já estão aptos para voltar à atividade, restando apenas a obtenção das autorizações necessárias junto aos órgãos reguladores estaduais e federais.

O CFO confirmou que a mineradora retomou a produção de pelotas em Omã e vem observando forte demanda pelo produto na região. Além disso, a administração avaliou que o mercado global de minério de ferro continua sustentado por fundamentos resilientes, destacando sinais de melhora da demanda em países fora da China, o que contribui para uma perspectiva mais favorável para o setor.

Matéria em atualização