O que esperam os analistas

Vale (VALE3) deve trazer números pouco animadores, com queda do preço do minério e efeito câmbio

Resultados devem refletir forte queda na base anual, por conta da base de comparação mais forte

Por  Vitor Azevedo -

A Vale (VALE3) divulga nesta quinta-feira (27), após o fechamento do mercado, seu resultado do segundo trimestre de 2022 (2T22). Este, para especialistas, deve trazer uma piora considerável na comparação com os períodos passados.

Na comparação com o mesmo intervalo de 2021, a expectativa das casas é de forte queda dos números, uma vez que a base de comparação é muito forte. Na base trimestral, é esperada uma queda menos acentuada – e há quem espere, até mesmo, uma leve alta.

“Esperamos resultados mais fracos da Vale em função dos menores preços realizados do minério de ferro, que devem ofuscar os maiores volumes de vendas no segundo trimestre”, comenta o Itaú BBA em relatório.

Na última semana, a mineradora divulgou que produziu 74,1 milhões de toneladas de minério de ferro entre abril e junho deste ano, número 17% maior na base trimestral, mas caindo 1,2% no ano.

O banco vê o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ficando em US$ 5,95 bilhões, queda de 6,7% no trimestre e de 47,1% no ano.

O Bradesco BBI vai no mesmo caminho, dizendo que os custos mais altos, por conta da valorização do real, e os preços mais baixos do minério devem pesar nos números. Os analistas da casa veem o Ebitda ajustado em US$ 5,75 bilhões, recuando 12% no trimestre e 49% no ano.

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“O preço médio do minério de ferro caiu 3% no trimestre, para US$ 138 a tonelada, enquanto vemos os prêmios médios caindo para US$ 22 por tonelada, frente US$ 29 no primeiro trimestre”, defendem os analistas do banco.

O JPMorgan, por sua vez, aposta que o Ebitda recuará 17,5% na base trimestral e 43,1% na anual, para US$ 6 bilhões. “A trajetória de queda dos preços do minério de ferro no trimestre, de 18%, deve resultar em reajustes provisórios negativos e volumes fracos devem resultar em menor diluição de custos”, comentam.

O time de analistas do Banco Inter, por outro lado, é o único que vê o Ebitda da Vale crescendo na base trimestral, com alta de 3,5%, para US$ 6,6 bilhões – apesar de ainda apostar em um recuo de 39,9% no ano.

Segundo eles, a recuperação na base trimestral dos volumes vendidos de minério deve impulsionar a receita em 4% na comparação com o intervalo entre janeiro e março. No segmento de metais básicos, o faturamento deve subir 8% na mesma base.

O consenso Refinitiv é de um lucro de US$ 3,887 bilhões no trimestre, Ebitda de US$ 5,826 bilhões e receita de US$ 11,3 bilhões no período.

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