Vale (VALE3) demonstra resiliência, apesar da queda da produção no 1T25; ação cai

Mineradora publicou seu relatório de produção e vendas do primeiro trimestre de 2025

Felipe Moreira

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A Vale (VALE3) registrou na noite de terça-feira (15) uma queda de 4,5% na sua produção de minério de ferro no primeiro trimestre ante o mesmo período de 2024. Apesar da queda na produção em todos os sistemas, o JPMorgan comenta que a resiliência operacional da mineradora ficou evidente com os níveis recordes de produção em S11D, sustentados por iniciativas contínuas de confiabilidade dos ativos.

Às 11h20 (horário de Brasília), a ação caía 1,45%, a R$ 53,03. Cabe destacar que o minério também registra perdas com a nova escalada da tensão comercial entre China e Estados Unidos aumentando os temores relacionados às perspectivas da demanda, enquanto também se intensificaram as dúvidas sobre a possibilidade de estímulos na China após uma série de dados otimistas.

O contrato de setembro do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China recuperou parte das perdas registradas mais cedo e encerrou as negociações do dia com queda de 0,14%, a 708 iuanes por tonelada. O minério de ferro de maio, referência na Bolsa de Cingapura, caiu 1,28%, para US$97,45 a tonelada.

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As vendas de minério de ferro da Vale totalizaram 66,1 milhões de toneladas no 1T25, em linha com as estimativas do JPMorgan, representando um aumento de 3,6% em relação ao ano anterior.

Segundo o JPMorgan, o crescimento foi impulsionado pela venda estratégica de estoques avançados, o que compensou as restrições de embarque causadas por condições climáticas adversas no Sistema Norte.

“O foco da companhia em oferecer produtos de teor médio, como BRBF e PFC1, para maximizar a geração de valor, reforça ainda mais sua estratégia adaptativa ao mercado”, comenta JPMorgan.

Já os preços realizados de minério de ferro e pelotas ficaram em linha com as estimativas do JPMorgan, mesmo com a redução nos prêmios trimestrais, destacando a capacidade da empresa de enfrentar condições de mercado desafiadoras.

Além disso, segundo JPMorgan, o desempenho de metais básicos foi robusto, com as vendas de cobre e níquel superando as expectativas do banco, embora os preços do cobre tenham ficado ligeiramente abaixo do esperado.

O JPMorgan manteve classificação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para Vale, com preço-alvo de R$ 99.

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Para a XP Investimentos, a Vale reportou um desempenho operacional neutro no 1T25, com melhores embarques de minério de ferro compensados por um mix de produtos e prêmios mais fracos.

A XP destaca que (i) os embarques de finos de minério de ferro aumentaram 7% na base anual, refletindo a venda de estoques formados nos trimestres anteriores, com contribuição mais fraca do Sistema Norte (chuvas intensas no 1T25); (ii) os volumes de vendas de pelotas diminuíram 19% na comparação anual; (iii) com os preços realizados do minério de ferro caindo 2% na base trimestral, refletindo teores mais baixos e prêmios de mercado mais baixos.

A XP reiterou recomendação neutra para Vale com upside limitado, embora veja uma assimetria positiva para as ações aos preços atuais do papel.

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Já a Genial Investimentos disse que os dados vieram, em sua maioria, levemente inferiores as suas projeções, com o preço de finos de minério de ferro reportado em US$ 90,8 por tonelada, ligeiramente abaixo da estimativa da corretora.

O time da Genial disse ter apurado apenas uma surpresa positiva, diante dos embarques de finos de minério de ferro chegando a 56,8 Mt (milhões de toneladas), com elevação de 8,0% na base anual (já considerando sazonalidade) – acelerando o ritmo de desestocagem, embora ainda assim gap entre produção e vendas tenha subido para 16,3% contra 15,4% no 1T24. A corretora acredita que isso compensou parcialmente o desempenho decepcionante na pelotização — segmento mais sensível à padronização do feed e aos efeitos climáticos com acúmulo de chuvas no período.

A Genial reiterou recomendação de compra e preço-alvo de R$ 61,50.

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O Goldman comenta que os preços realizados ficaram dentro do esperado, embora tenham recuado em relação ao trimestre anterior, principalmente devido ao desconto de qualidade — US$ 1,3 por tonelada no 1T25, frente a um prêmio de US$ 1,0 por tonelada no 4T24 —, reflexo da queda no teor de ferro (61,7% contra 62,4% no 4T24).

No segmento de metais básicos, as vendas de níquel vieram fracas, na avaliação do Goldman (10% abaixo das estimativas do banco), enquanto a produção de cobre e níquel ficou em linha com as expectativas.

O Goldman manteve recomendação de compra e preço-alvo de US$ 16,10 por ADR (American Depositary Receipt) da Vale.

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O Bradesco BBI avalia que a Vale apresentou um conjunto forte de números operacionais, com S11D atingindo seu nível mais alto para um primeiro trimestre.

O BBI observa que a queda na produção da Vale em relação ao ano anterior é explicada, principalmente, pela otimização do portfólio da empresa e pelo aumento das chuvas no Sistema Norte. Enquanto isso, a empresa apresentou forte desempenho operacional em seus ativos de metais básicos, com a produção de níquel e cobre aumentando em relação ao ano anterior.

Ainda assim, o BBI manteve recomendação de compra para VALE3 e preço-alvo de US$ 13 por ADR (recibo de ações negociado nos mercados dos EUA), pois apesar das crescentes incertezas macroeconômicas, continua a ver riscos limitados de queda nos preços do minério de ferro, dada a dinâmica saudável de mercado, que deve sustentar uma sólida geração de caixa nos próximos trimestres. O valuation das ações permanece atraente, com sendo negociadas a 3,8 vezes o múltiplo EV/Ebitda para 2025.

O Itaú BBA, por sua vez, avalia que o trimestre foi marcado por vendas de estoque e uma estratégia comercial focada em produtos de teor médio.

Além disso, conforme analistas, a disponibilidade sazonalmente menor de produtos de alto teor e os menores prêmios de mercado levaram a uma deterioração sequencial no prêmio médio de qualidade da Vale. O preço CFR (Custo e Frete)/FOB (Frete a Bordo) realizado foi de US$ 90,8 por tonelada, ligeiramente abaixo da projeção de US$ 91,4 por tonelada, enquanto o preço das pelotas ficou em linha com a estimativa. No geral, o BBA disse estar confortável ​​com sua estimativa de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para o 1T25 de US$ 3,2 bilhões.

O BBI manteve recomendação de compra e preço-alvo de US$ 13 por ADR.