Vale (VALE3) cai mais de 4% após corte de recomendação por Morgan Stanley

O minério passou a ser considerado a commodity menos preferida do time de análise do banco entre as cobertas pelo relatório, o que impactou recomendação da mineradora

Camille Bocanegra

Logo da Vale na NYSE/Reuters
Logo da Vale na NYSE/Reuters

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O Morgan Stanley revisou para baixo suas estimativas para a Vale diante de um cenário mais desafiador para o mercado global de minério de ferro. Segundo o banco, a menor produção mundial de aço, impulsionada principalmente pela China, deve pressionar ainda mais os fundamentos da commodity nos próximos anos. Em reação ao corte, os papéis caem 4,69%, a R$ 72,63 às 14h01 desta quarta (8).

De acordo com a análise, a produção global de aço ficou abaixo das projeções do modelo anterior da instituição, em especial pela China (2% abaixo do modelo), o que contribui para um aumento dos excedentes de oferta de minério de ferro transportado por via marítima. O banco estima que esses superávits podem ficar entre 8% e 21% acima das expectativas anteriores.

Diante desse cenário, a equipe de commodities do Morgan Stanley reduziu suas projeções para os preços do minério de ferro entre 2026 e 2028. O minério passou a ser considerado a commodity menos preferida do time de análise do banco entre as cobertas pelo relatório.

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Além das pressões de mercado, o Morgan Stanley vê aumento dos custos operacionais da Vale. A nova estimativa para o custo caixa C1 do minério de ferro em 2026 passou para US$ 23 por tonelada, valor 5% superior ao modelo anterior e acima da faixa de orientação da companhia, de US$ 20 a US$ 21,5 por tonelada.

Para 2027, o banco também elevou suas projeções de custos, estimando o C1 em US$ 19,5 por tonelada, um aumento de 7% em relação ao modelo anterior. A revisão reforça a avaliação de que a empresa continuará enfrentando pressões de custos nos próximos anos.

As mudanças nas premissas levaram o Morgan Stanley a reduzir suas projeções financeiras para a mineradora. As novas estimativas para o segundo trimestre de 2026 e para o ano de 2026 estão, respectivamente, 9% e 7% abaixo do consenso de mercado para EBITDA. Já no caso do lucro por ação (EPS), as projeções ficaram 13% e 6% abaixo das expectativas consensuais.

O banco destaca que a divisão de Metais Básicos da Vale continua apresentando evolução positiva e segue no caminho esperado. No entanto, a instituição avalia que essa melhora já está amplamente incorporada ao preço das ações da companhia.

Segundo o Morgan Stanley, os papéis da Vale são negociados a 4,2 vezes EV/EBITDA e 6,6 vezes preço sobre lucro (P/L) com base nas novas estimativas para 2027, ante médias históricas de dez anos de 4,1 vezes e 7 vezes, respectivamente. O banco definiu novo preço-alvo de US$ 16,50 por ação, o que representa potencial de valorização de aproximadamente 11%, utilizando como referência um múltiplo P/L de 7 vezes, em linha com a média histórica da última década.