Balanço financeiro

Vale (VALE3) lucra US$ 5,427 bi no 4º trimestre, 7,3 vezes acima de um ano antes e desempenho superior às expectativas

O consenso dos analistas consultados pela Refinitiv para o lucro da Vale era de US$ 4,703 bilhões; empresa anuncia ainda US$ 3,7 bi em dividendos

Por  Felipe Moreira -

A mineradora Vale (VALE3) registrou lucro líquido atribuído aos acionistas de US$ 5,427 bilhões no quarto trimestre de 2021, informou a companhia nesta quinta-feira (24).

O resultado representa um crescimento de 39,6% em relação ao terceiro trimestre de 2021 e 7,34 vezes superior ao registrado no quarto trimestre de 2020.

O consenso dos analistas consultados pela Refinitiv para o lucro da Vale era de US$ 4,703 bilhões.

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado, por sua vez, foi de US$ 4,828 bilhões, crescimento de 13,8% em relação ao mesmo período de 2020, mas queda de 30,4% frente ao 3T21.

Enquanto o Ebitda ajustado pro-forma, que exclui as despesas relativas a Brumadinho e à Covid-19, somou US$ 6,959 bilhões, queda de 23,5% no ano e 2,1% ante terceiro trimestre.

Segundo a Vale, a queda Ebitda proforma é explica por menores preços de venda realizados, principalmente em minerais ferrosos; e queda de US$ 19,9/t do preço realizado de finos de minério de ferro.

Apenas as despesas relativas a Brumadinho somaram US$ 2,115 bilhões, ante US$ 161 milhões do 3º trimestre e US$ 4,854 milhões frente ao mesmo intervalo do ano passado.

Dividendos de US$ 3,7 bilhões

A Vale (VALE3) informou ainda que distribuirá US$ 3,5 bilhões aos seus acionistas por meio de dividendos, sendo US$ 1,25 bilhão desses um dividendo extraordinário.

Ao total, cada papel dará direito ao seu detentor o saque de US$ 0,73 ou R$ 3,701.

Segundo o documento, o pagamento da remuneração ocorrerá em 16 de março e a data de corte foi fixada no próximo dia oito – as ações passam a ser negociadas ex-dividendos no dia nove.

Os titulares de ADRs, segundo o comunicado, receberão o pagamento através do Citibank N.A., agente depositário dos ADRs, a partir de 23de março.

Perspectivas da Vale

A Vale informou que as perspectivas para o minério de ferro continuam positivas, dada a recuperação da economia global impulsionada pelo progresso da vacinação e pelos impactos menos prejudiciais das novas variantes, levando à uma maior abertura das economias.

A mineradora acredita que a produção mundial de aço crescerá ligeiramente em 2022, à medida que a economia global for fortalecida pela redução dos gargalos nas cadeias de abastecimento, pela permanência da demanda reprimida nos últimos anos e pelo aumento da confiança dos negócios e dos consumidores. O aumento da inflação e a desaceleração na China são fatores que podem contrabalançar e aumentar o risco para a dinâmica de recuperação.

Quanto à ex-China, as perspectivas continuam positivas, pois os fabricantes esperam que o impacto da pandemia diminua e desencadeie uma recuperação sustentada na demanda e em suas cadeias de fornecimento, especialmente à medida que o fornecimento de semicondutores se recupera, com os setores de construção civil e automotivo apoiando uma maior recuperação da produção de aço.

A longo prazo, a transição para uma economia mais verde exigirá o consumo de produtos de minério de ferro de alta qualidade para garantir a redução de emissões.

Receitas do balanço da Vale (VALE3)

A receita totalizou US$ 13,105 bilhões entre outubro e dezembro do ano passado. Na comparação anual, houve recuo de 10,5%, mas na trimestral subiu 6,2%.

O fluxo de caixa livre das operações foi negativo em US$ 175 milhões no 4T21, principalmente devido a um impacto negativo do capital de giro; investimentos sazonalmente maiores, e pagamentos relacionados ao Acordo de Reparação Integral de Brumadinho.

A receita líquida de minerais ferrosos somou R$ 10,822 bilhões no 4T21, representando cerca de 82,6% da receita da mineradora no trimestre.

Já a receita de minério de ferro totalizou R$ 8,817 bilhões entre outubro e dezembro do ano passado, correspondente a 67,3% da receita total da Vale.

A receita de pelotas, por sua vez, atingiu a cifra de R$ 1,889 bilhão no 4T21, equivalente a 14,4% da receita trimestral.

Enquanto isso, a receita líquida de metais básicos foi de R$ 2,224 bilhões no 4T21, representando 17% da receita da mineradora no trimestre.

Custo Caixa

O custo caixa C1 da Vale diminuiu US$ 3,9/t no tri/tri, principalmente devido aos menores custos de compra de terceiros resultantes de menores volumes e preços; efeitos cambiais favoráveis; e menores custos de demurrage, que foram parcialmente compensados por menor diluição de custos fixos de menores volumes de produção; e maiores custos com diesel.

O custo caixa C1 da Vale ex-compras de terceiros totalizou US$ 17,1/t, uma redução de US$ 1,0/t em relação ao 3T21.

O custo unitário do frete marítimo da Vale foi de US$ 20,8/t no 4T21, um aumento de US$ 0,6/t em relação ao 3T21, explicado principalmente pelos maiores custos de bunker.

Dívida e investimentos

A dívida bruta e arrendamentos totalizou US$ 13,782 bilhões, e a dívida líquida totalizou US$ 1,877 bilhão em 31 de dezembro de 2021, ambos em linha com o trimestre anterior.

O índice de alavancagem, medido pela relação entre dívida liquida e o Ebitda ajustado foi de  0,4 vez, uma redução de 0,4 vez em relação ao 4T20.

Os investimentos no 4T21 totalizaram US$ 1,831 bilhão, sendo US$ 1,479 bilhão na manutenção das operações e US$ 352 milhões na execução de projetos de crescimento.

Em 2022, a Vale espera investir US$ 5,8 bilhões, um aumento de US$ 0,6 bilhão em relação a 2021, principalmente devido a postergação de investimentos de 2021 em função da pandemia de Covid-19; adiamentos em Sudbury como resultado da interrupção de trabalho em 2021; maiores desembolsos em projetos de capital do negócios Ferrosos (por exemplo, Capanema, planta de concentração a seco em Vargem Grande, Serra Sul 120); e aporte de capital para o projeto West III, que consiste na ampliação das instalações do Porto de Shulanghu na China.

Projeções

A Vale atualizou estimativa para as operações de Salobo: custo caixa unitário após by-products entre US$ 200/t e US$ 300/t para o 4T22, considerando o nível 1 de preços de by-products do 4T21.

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