Vale (VALE3) além do minério: novo vento favorável eleva otimismo com ações

Analistas apontam melhora dos preços do níquel e veem possível reprecificação

Lara Rizério

Ativos mencionados na matéria

Vista aérea de mina de níquel da Vale em Sorowako, Indonésia. REUTERS/Ajeng Dinar Ulfiana/File Photo
Vista aérea de mina de níquel da Vale em Sorowako, Indonésia. REUTERS/Ajeng Dinar Ulfiana/File Photo

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As ações da Vale (VALE3) registram um início de 2026 bastante positivo, com alta acumulada de 5% nos três primeiros pregões do ano, muito atribuído à resiliência do minério de ferro.

O Bradesco BBI destaca a melhora dos fundamentos macro e microeconômicos para a commodity, enquanto a promessa da China de afrouxar política monetária também impulsionou os ganhos da commodity. Assim, o BBI segue com preferência pela Vale (VALE3) em relação às siderúrgicas.

Além disso, conforme ressalta a XP, as exportações do Brasil de minério de ferro em dezembro de 2025 aumentaram 17% na base mensal e +32% anualmente, com volumes subindo em geral, com destaques para Porto de Itaguaí, Corumbá e Tubarão. Isso traz um sinal positivo para a mineradora.

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Porém, além do minério, uma outra commodity tem trazido otimismo do mercado sobre a Vale, conforme destaca análise recente do BTG Pactual.

Conforme apontam os analistas, as últimas semanas trouxeram um movimento de preços favorável para um ativo esquecido e atrasado: o níquel. Embora a Vale seja um dos maiores produtores globais de níquel (atrás da Norilsk), o níquel tem sido percebido pelos investidores, há anos, como um “problema” para a Vale.

Ao longo de vários trimestres nos últimos anos, a unidade de níquel da Vale operou com Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) negativo e queimou caixa de forma recorrente. Por isso, a equipe de análise está monitorando de perto o aumento dos preços do níquel de cerca de US$ 14.000 a tonelada (t) para mais de US$ 18.000/t (mais de 25% em 1 mês), e ficou positivamente surpresos com o movimento, que acredita ainda passar despercebido em grande parte das suas conversas recentes com investidores.

“Embora precisemos de mais tempo e informação para verificar e confirmar essa tendência, trata-se de um desenvolvimento marginalmente positivo que pode ajudar a reprecificar a divisão de metais básicos da Vale, que continua sendo negociada como se fosse uma empresa puramente de minério de ferro (cerca de 4 vezes), enquanto seus pares negociam a 7– 10 vezes o Ebitda.

“Este é mais um ângulo que reforça nossa visão construtiva para a Vale, que retomamos há cerca de três meses com nossa recomendação de compra”, ressalta o banco.

A análise destaca o impacto recente da Indonésia sobre o níquel. O país representa mais de 50% da oferta global de níquel e tem sido o principal fator de pressão estrutural sobre a indústria, levando a um mercado estruturalmente mais ofertado por anos. A incerteza em torno do novo marco regulatório de licenciamento de níquel da Indonésia tornou-se o principal driver de curto prazo para os preços, à medida que o mercado tenta avaliar quanta produção de minério e capacidade downstream serão efetivamente aprovadas para 2026. Há expectativas de desaceleração da oferta, embora isso ainda seja apenas uma proposta, e não uma decisão formal.

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Voltando para a Vale, o BTG estima que a unidade de metais básicos da Vale deve representar aproximadamente 15–20% do Ebitda consolidado da companhia. Além disso, o cenário base assume um Ebitda de cerca de US$ 3 bilhões para divisão de metais básicos da Vale em 2026. “Com o recente aumento dos preços de níquel e cobre, essa marcação a mercado geraria um retorno de 8% em nosso Ebitda consolidado, o que é bastante relevante (Ebitda somente da divisão de metais ultrapassaria confortavelmente US$ 4 bilhões)”, avaliam os analistas.

Ao assumir que os preços permaneçam nesses níveis e que a administração continue entregando resultados e recuperando a unidade, o BTG acredita que há uma clara tese para uma reprecificação à frente para a Vale.

“Faz pouco sentido a Vale negociar como uma empresa puramente de minério de ferro se tem perto de 20% de exposição a metais básicos, e crescente, enquanto seus pares globais negociam a níveis muito mais altos”, apontam os analistas. Eles reconhecem que talvez exista um problema de confiança legado em torno da unidade de metais básicos da Vale, mas acredita que as condições agora estão muito melhores do que antecipava e melhores do que o que hoje está refletido no preço das ações.

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Ao assumir que a unidade de metais básicos da Vale entregue US$ 4 bilhões em Ebitda e negocie a 6,5 vezes o Ebitda, que é a parte inferior do grupo de comparáveis, acreditaque isso poderia destravar algo próximo de 20% de valor de equity apenas com essa reprecificação.

O BTG Pactual aponta que a mineradora virou a página dos problemas históricos (desafios institucionais, Brumadinho, Samarco, instabilidade operacional) e está recuperando a confiança dos investidores.

“A história micro está sólida. Isso, combinado com fundamentos de minério de ferro, cobre e níquel mais fortes do que o esperado, com sazonalidade favorável pela frente, sustenta um viés positivo no curto prazo”, avalia, seguindo com recomendação de compra para os ativos, com preço-alvo de R$ 80.

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.