Destaques da Bolsa

Vale tem dia de alívio e sobe 3%; Petrobras e bancos caem e educacionais reagem ao MEC

Confira os principais destaques da Bolsa desta segunda-feira (14)

Mineração da Vale
Mineração da Vale

SÃO PAULO – O dia foi de queda para o Ibovespa, com o mercado aguardando as próximas definições sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff; na quarta-feira, o STF julga o rito do processo. Além disso, o mercado seguiu de olho no cenário internacional à expectativa pela reunião do Fomc (Federal Open Market Committee): a maior parte dos investidores espera por alta de juros. O dia também foi de queda para as ações da Petrobras, mas bem menores em relação ao início da sessão, acompanhando a recuperação dos preços do petróleo na sessão. 

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Petrobras (PETR3, R$ 8,77 -0,90%PETR4, R$ 7,21 -0,55%) 
As ações da Petrobras tiveram um dia de queda,  mas menor em relação ao início da sessão, no embalo da recuperação dos preços do petróleo brent, que chegou a cair 3%, mas depois zerou. No noticiário da estatal, o Plano de Negócios da Petrobras deve alcançar US$ 83 bilhões em 2016-2020, uma redução de 37% em relação ao plano do período 2015-2019, segundo relatório dos analistas do Itaú BBA, Diego Mendes e Pablo Castelo Branco.

“Esperamos que a Petrobras invista cerca de US$ 1 bilhão ao ano em exploração, enquanto a produção doméstica provavelmente vai parar de crescer e se estabilizará em cerca de 2,2 mi bpd em 2017 (Petrobras poderá precisar instalar dois sistemas de produção por ano para manter produção estabilizada). Para outros negócios, esperamos apenas gastos em manutenção e investimento limitado em ativos que devem ser vendidos (principalmente no segmento internacional)”. “Independentemente do mercado internacional, reajustes nos preços do diesel e da gasolina são necessários”, afirmam. 

 A Petrobras disse ainda na sexta-feira após o fechamento do pregão que não considera “neste momento” a venda de participação na promissora área de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, como parte do plano de desinvestimentos de 15,1 bilhões de dólares no biênio 2015-16.

Gol (GOLL4, R$ 3,35 +0,60%)
Após abrir em alta em meio à queda do preço do petróleo, as ações da Gol viraram, mas se recuperaram instantes antes do fechamento, apesar da alta de 0,32% do dólar comercial, negociado na casa dos R$ 3,8862.

A companhia se beneficia da queda do preço da commodity por utilizar o insumo. A cotação da commodity nas bolsas internacionais é um balizador para o preço do querosene de aviação, um insumo que representa cerca de 40% dos custos das aéreas brasileiras.  Contudo, o seu endividamento é atrelado à moeda americana. 

Vale e siderúrgicas
As ações de Vale e siderúrgicas tiveram um dia misto na sessão desta segunda-feira, na sequência de uma leve recuperação do preço do minério de ferro, com a tonelada da commoditiy em Qingdao negociada com um valor 2% maior em relação à sexta-feira, além dos dados positivos da economia chinesa, sustentando uma estabilização da economia. 

Enquanto os papéis da Vale (VALE3, R$ 12,46, +2,05%; VALE5, R$ 9,87, +2,92%) terminaram o dia como destaque de ganhos dentro do Ibovespa, CSN (CSNA3, R$ 4,44, -1,55%), Gerdau (GGBR4, R$ 4,84, -1,02%) e Usiminas (USIM5, R$ 1,74, -3,33%) fecharam em queda. 

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No radar da Vale, segundo a Agência Estado, o transporte de rejeito de minério de ferro da mina de Alegria para a barragem de Fundão, da Samarco, que se rompeu em 5 de novembro, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, não estava previsto no processo de licenciamento da represa, informou nesta sexta-feira (11/12), a Secretaria de Estado de Meio Ambiente. Conforme a pasta, o transporte poderia ser realizado desde que estivesse dentro dos autos de licenciamento da barragem.

Segundo a Vale, 5% dos cerca de 55 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro de Fundão, que vazaram da represa destruindo Bento Rodrigues e atingindo o Rio Doce, saíram da mina de Alegria. De acordo com os dados do Ministério Público Federal (MPF), que investiga o rompimento da barragem, o volume seria ainda maior, de 28%.

BTG Pactual (BBTG11, R$ 14,10, +2,55%)
As ações do BTG subiram cerca de 3% na sessão de hoje. O conselho de administração do banco aprovou a recompra de até 21.061.230 units observando o limite de 10% dos papéis em circulação, com o objetivo de “demonstrar confiança” em sua estrutura de capital. A nova recompra é possível porque o banco cancelou ações compradas anteriormente e que estavam em tesouraria. 

Mais cedo, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) rejeitou um pedido do grupo BTG Pactual de recomprar até 41 por cento de suas units em circulação para segurar a queda de preços dos papéis causada pela prisão do ex-controlador e fundador da instituição financeira André Esteves no fim do mês passado.

Oi (OIBR4, R$ 1,32, +1,54%)
A Oi, por sua vez, terminou a sessão com ganhos mais moderados, após ver suas ações preferenciais chegarem a subir 6,15%. A companhia informou que não é parte e que não foi notificada sobre decisão cautelar do TCU(Tribunal de Contas da União). Em decisão anunciada na quarta-feira, 9, pelo ministro do TCU Bruno Dantas, relator do caso, a corte determina que o chamado “Termo de Ajuste de Conduta” (TAC) previsto para ser assinado com a Oi seja paralisado, até que os apontamentos sejam esclarecidos.

O TCU deu 15 dias para que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) explique uma série de indícios de irregularidades encontrados em uma proposta de acordo que será assinada com a operadora Oi.

Os indícios de irregularidades recaem sobre obrigações de empresas ligadas ao Grupo Oi, em relação a metas de qualidade e universalização dos serviços ligados à telefonia fixa, telefonia móvel, banda larga e TV por assinatura. O valor de referência estimado do acordo é estimado em R$ 1,18 bilhão.

Fibria (FIBR3, R$ 50,42, +2,31%)
As ações da Fibria registraram ganhos hoje. Além da alta do dólar, contribui para o movimento de alta a notícia do Estadão de que a Suzano (SUZB5, R$ 17,53, -0,85%) tem interesse em comprar uma fatia na Fibria, resultado da união entre a Votorantim Celulose e Papel (VCP) e Aracruz, a maior companhia do setor. A Suzano já teria buscado assessoria para avaliar como poderia alinhavar essa operação, apurou o jornal.

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A Fibria tem como principais acionistas a família Ermírio de Moraes, com 29,42% das ações, e o braço de participações do BNDES, o BNDESPar, com outros 29,08% de ações, segundo dados referentes a setembro.

Bancos
O dia também foi de baixa para as ações de bancos, seguindo o dia de aversão ao risco dos mercados. As ações do Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 28,12, -2,36%), Bradesco (BBDC3, R$ 22,80, -2,02%, BBDC4, R$ 20,45, -1,78%) e Banco do Brasil (BBAS3 , R$ 16,64, -4,46%). 

Ambev e Ultrapar
As ações da Ambev (ABEV3, R$ 18,05, -1,26%) e Ultrapar (UGPA3, R$ 62,22, -2,22%) tiveram movimento de queda na sessão de hoje. Na noite da última sexta-feira, a agência de classificação de risco Moody’s colocou o rating da Ultrapar Participações (Baa2) e a nota em escala global e moeda estrangeira da Ambev (Baa1) em revisão para possível rebaixamento. Na quarta-feira, a agência colocou a nota de crédito do Brasil em observação negativa. 

A Moody’s afirmou que, embora a Ambev tenha boas métricas de crédito, ampla liquidez e dependência limitada do sistema bancário nacional, cerca de 59% de sua receita é dependente do Brasil, o que pode afetar seu rating, considerando a deterioração econômica do país. 

A Moody’s ressaltou que a nota da Ultrapar está a um nível acima do rating do Brasil, mas não deverá conseguir manter esse grau. “Uma ação negativa no rating do Brasil poderá desencadear um ação negativa no rating da empresa”.

Educacionais
As ações das educacionais tiveram dia volátil e fecharam em queda em meio à publicação pelo Ministério da Educação da portaria com as normas e datas de candidaturas para o processo seletivo do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) referente ao primeiro semestre de 2016. O MEC continuará priorizando qualidade (cursos notas 4 e 5), cursos prioritários (área de Saúde, Engenharias e Pedagogia) e distribuição regional, com análise detalhada de cada microrregião do país. Nesse último critério, MEC analisará 1) demanda por educação superior, medido pelo ENEM, 2) demanda por financiamento estudantil: olhando p/ figura de 2015 como referência e 3) IDH – MEC faria ranking dos municípios, identificando áreas aonde necessitam melhores índices de educação e aplicaria um peso por faixa.

Conforme informa o BTG Pactual, neste último quesito, a Anima (ANIM3, R$ 11,12, -7,95%) perde mais dada a baixa diversificação geográfica, enquanto SER (SEER3, R$ 8,12, -1,22%) seria a mais beneficiada, centralizada no Nordeste e no Norte. Kroton (KROT3, R$ 10,25, -1,35%) fica estável e Estácio (ESTC3, R$ 14,09, -4,15%) tem queda.

Conforme ressalta um analista que não quis ser identificado, a portaria do Fies não trouxe nenhuma novidade e, por isso mesmo, mantém dois questionamentos a respeito do programa. Uma questão é sobre o tamanho do programa, que possui muitas questões estruturais que levam o mercado a questionar o que ocorrerá em 2016 em relação ao gasto. Outra coisa que o mercado esperava era a mudança dos recebíveis com a extensão do prazo, que seria regularizado no ano que vem. “Sem a notícia de que será regularizado, as educacionais acabam caindo, pois a portaria não responde às questões do mercado”. Com novos anúncios tornando o cenário mais claro, as ações do setor podem voltar a subir. 

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