Bolsa

Vale sobe 5% e Ibovespa se recupera de perdas na semana após alívio de Fomc e veto

Bolsa teve alta apesar de preocupações com a Grécia em dia de alívio depois de 4 quedas em 5 pregões seguindo também a alta nas bolsas americanas, com o Nasdaq atingindo máxima histórica

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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em forte alta nesta quinta-feira (18) em dia de recuperação no mercado brasileiro após sucessivas quedas. O índice reflete também o veto da presidente Dima Rousseff (PT) às mudanças no fator previdenciário. Do lado internacional, a decisão do Fomc (Federal Open Market Comittee) mostrou que as elevações de juros nos Estados Unidos devem ser mais lentas, o que é positivo para o apetite de risco. Os índices norte-americanos fecharam em alta, com o Nasdaq atingindo a sua máxima histórica. Por outro lado, a Grécia ainda preocupa e continua no radar. 

O benchmark da Bolsa brasileira subiu 1,86%, a 54.238 pontos depois de registrar queda em quatro dos últimos cinco pregões. O volume financeiro negociado na BM&FBovespa foi de R$ 5,450 bilhões. Nos EUA o Nasdaq subiu 1,34%, a 5.133 pontos, atingindo o seu maior nível da história. Enquanto isso, o dólar comercial zerou perdas à tarde e teve leve variação positiva de 0,03%, a R$ 3,0581 na compra e a R$ 3,0588 na venda. O Banco Central decidiu reduzir a rolagem de swaps pela segunda vez em sete dias. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 subia 5 pontos-base, para 13,96% ao ano, ao passo que o DI para janeiro de 2020 caía 3 pontos-base, a 12,84%. 

Para o analista da Walpires, Angelo Larozi, as questões que têm mais peso para a alta do Ibovespa hoje são a previsão de aumento dos juros mais lento pelo Federal Reserve e uma entrada de capital estrangeiro forte na Bolsa esta semana.

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Previdência
Depois do veto da presidente, o ministro da Previdência, Carlos Gabbas, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, falaram em coletiva que as alterações do fator previdenciário são “momentâneas” e que a solução definitiva virá durante fórum.

Com a inclusão da progressividade nas novas regras, a queda da despesa em relação ao que foi aprovado no Congresso é de R$ 50 bilhões. Pela alteração realizada pelo governo, em vez do fator entrar na regra do 85/95 (para mulheres e para homens) na soma da idade com o tempo de contribuição, ele irá aumentar com a elevação na expectativa de vida, passando para 90/100. 

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 14,80, +2,14%PETR4), R$ 13,44, +1,90%) subiram. De acordo com informações do jornal Valor Econômico, a estatal está colocando em prática um amplo programa de reestruturação, a ser realizado nos próximos dois meses. A estratégia consiste em enxugar custos, reduzir os cargos terceirizados e aumentar a produtividade dos processos internos. A expectativa é de que o documento seja divulgado em julho. O programa de reestruturação, afirma o jornal, está sendo feito na esteira do Plano de Negócios 2015-2019, que deverá trazer redução de investimentos, de 20% a 30%.

Também contribui para a valorização das ações da companhia a alta do petróleo, que sobe 0,78% o barril do WTI (West Texas Intermediate) a US$ 60,39 e 0,53% o Brent, a US$ 64,21. 

Depois de cair no começo da sessão, TIM (TIMP3, R$ 10,53, +5,72%) virou para forte alta com notícia de possível venda. A Vivendi, que é a maior investidora da Telecom Italia, apoia a ideia de que o grupo italiano avalie a possibilidade de venda da Tim Participações, segundo pessoas próximas ao assunto ouvidas pela Bloomberg.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 TIMP3 TIM PART S/A ON10,53+5,72-9,08
 VALE3 VALE ON20,40+4,78-3,80
 USIM5 USIMINAS PNA4,65+4,49-7,41
 BRAP4 BRADESPAR PN11,70+4,46-13,93
 MRFG3 MARFRIG ON4,70+4,44-22,95

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Os papéis da Vale (VALE3, R$ 20,40, +4,78%VALE5, R$ 17,39, +3,20%) também subiram em dia de repique do minério. A tonelada da commodity no porto de Qingdao está cotada a US$ 61,77, uma alta de 0,42% em relação ao fechamento do dia anterior.

Destaque ainda para o relatório do JPMorgan sobre as mineradoras europeias, com um tom positivo. “Acreditamos que há condições para que o setor prospere durante o terceiro trimestre, temos expectativa de PIB de China crescendo para 8% na comparação trimestral, aumentando a demanda por commodities e risco dos investidores. Esperamos um rali de curto prazo para as empresas de metais básicos e beta alto (Glencore, Anglo American, South32). Nossa visão pós terceiro trimestre continua inalterada, com fortalecimento do dólar e PIB da China sendo principais barreiras para o setor. Num cenário de preço de commodities entre estabilidade e queda, preferimos as empresas com margens altas e desalavancadas como Rio Tinto e BHP”, afirmam os analistas do JP.

Depois de um início de sessão volátil, os bancos como Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 34,78, +2,47%), Bradesco (BBDC3, R$ 27,78, +2,21%BBDC4, R$ 28,76, +3,75%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,28, +3,24%) passaram a registrar ganhos consideráveis. Segundo informações da Agência Estado, integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) já admitem a possibilidade de a corte simplesmente não julgar os chamados planos econômicos, se o novo ministro, Luiz Edson Fachin, se declarar impedido de analisar o tema. Isso porque o Supremo precisa de ao menos 8 ministros para julgar a questão, que é constitucional, mas 3 já se declararam impedidos. Fachin avisou que não decidiu se vai participar ou não do julgamento.

As mudanças na caderneta de poupança durante os planos econômicos, Bresser, Cruzado, Verão, Collor 1 e Collor 2 fizeram com que muitas pessoas perdessem dinheiro. A ação que tramita na suprema corte brasileira tem a ver com a indenização destas perdas por meio dos bancos. 

As ações da Ambev (ABEV3, R$ 18,80, +0,59%) tiveram leve alta apesar da notícia de que o governo poderia alterar a tributação de refrigerantes produzidos na Zona Franca de Manaus para arrecadar entre R$ 2 a 2,5 bilhões a mais por ano, de acordo com o Valor Econômico. Segundo o jornal, o governo pretende reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 20% para 4% sobre os extratos e concentrados usados na produção de refrigerantes que sejam vend7idos em outras regiões do Brasil. Com isso, diminui na mesma proporção o crédito fiscal obtido pelas empresas instaladas na Zona Franca. Além de reduzir o crédito fiscal, com a diminuição da alíquota do IPI, o governo deve proibir o seu uso para o abatimento de outros impostos.

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 QUAL3QUALICORP ON19,50-2,21-28,63
 KROT3KROTON ON12,44-1,66-19,37
 NATU3NATURA ON28,10-1,06-8,43
 KLBN11KLABIN S/A UNT N218,17-0,93+25,33
 PCAR4P.ACUCAR-CBD PN80,65-0,69-17,46

Do lado negativo, as ações de companhias educionais caíram forte, depois de fortes altas nos últimos tempos com expectativas para a segunda rodada do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) anunciada pelo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro. Caem Kroton (KROT3, R$ 12,44, -1,66%) e Estácio (ESTC3, R$ 20,69, -0,24%). 

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 PETR4PETROBRAS PN13,44+1,90349,27M
 VALE5VALE PNA17,39+3,20315,06M
 ITUB4ITAUUNIBANCO PN34,78+2,48286,44M
 BBDC4BRADESCO PN28,76+3,75234,04M
 ABEV3AMBEV S/A ON18,80+0,59200,44M
 BRFS3BRF SA ON67,70-0,10192,80M
 ITSA4ITAUSA PN9,07+3,07180,90M
 CCRO3CCR SA ON14,76+1,79143,15M
 PETR3PETROBRAS ON14,80+2,14138,38M
 BBSE3BBSEGURIDADE ON34,20+2,52127,19M

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1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

Dados dos EUA
Nos Estados Unidos foram divulgados às às 9h30 (horário de Brasília), os pedidos de auxílio desemprego, que caíram de 279 mil há duas semanas para 267 mil na semana passada. O número é melhor que o esperado pela mediana das projeções do mercado, que eram de um recuo para 276 mil. Este é outro indício de que o mercado de trabalho na economia norte-americana está se recuperando em um ritmo bom. 

A melhora no emprego nos EUA foi bastante citada na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto do país ontem para justificar o aumento das taxas de juro ainda este ano. Analistas e economistas esperam que o Federal Reserve aumente as taxas nas reuniões de setembro e de novembro, fechando 2015 com os juros perto de 0,5% ao ano. 

Por outro lado, a inflação na maior economia do mundo voltou a mostrar resistência em um patamar abaixo da meta do governo. O CPI (Índice de Preços ao Consumidor na sigla em inglês) de maio cresceu 0,4% ante expectativas de um avanço de 0,5% depois de ficar praticamente estável em abril, com leve alta de 0,1%. 

Grécia em foco
O FMI (Fundo Monetário Internacional) acabou na quinta-feira com qualquer esperança de que a Grécia poderia evitar um default se não pagar uma parcela de 1,6 bilhão de euros no final deste mês, aumentando a pressão sobre o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, que não mostrou nenhum sinal de que irá se submeter às demandas dos credores.

Além disso, o ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, demonstrou que não há sinais de que os credores da Grécia estão dispostos a afrouxarem suas exigências. “Estamos esperando a Grécia apresentar propostas, o que fazemos há algum tempo”, declarou Schäuble a jornalistas antes da reunião do Eurogrupo, em Luxemburgo.

Os ministros das Finanças da zona do euro foram a Luxemburgo para uma reunião que até há pouco tempo era vista como a chance final para se chegar a um acordo, mas qualquer expectativa em torno do fim do impasse tinha desaparecido quando Atenas descartou o encontro como um fórum para discutir novas propostas. Enquanto isso, os bancos gregos viram os saques aumentarem para cerca de 2 bilhões de euros ao longo dos últimos três dias, com o ritmo de retiradas diárias triplicando desde o colapso das conversas com os credores no fim de semana, segundo três fontes bancárias.

Apesar da falta de um acordo hoje, novas conversas ainda serão realizadas. O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou que os líderes da zona do euro terão uma reunião especial na próxima segunda-feira, para tratar o caso da Grécia. Esse evento ocorrerá, portanto, antes de um encontro já planejado para os dias 25 e 26 de junho. “É a hora de discutir urgentemente a situação da Grécia no nível político mais alto”, disse Tusk.

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(Com Reuters)