Vale sobe 2% e salva Ibovespa; dólar perde R$ 2,20 e bate a mínima em quase 8 meses

Bolsa dribla Wall Street, que caiu com discurso de líder do Fed; por aqui, BC corta projeções para a economia

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SÃO PAULO – Após forte queda na véspera, o Ibovespa teve uma sessão de leve correção nesta quinta-feira (26), ao fechar com alta de 0,15%, a 53.506 pontos, evitando assim seu 4ª recuo em 5 pregões, impulsionado sobretudo pela alta de mais de 2% da Vale (VALE3, R$ 29,34, +2,37%; VALE5, R$ 26,38, +2,17%) em meio à melhora nos preços do minério de ferro na China. O giro financeiro da Bovespa foi de R$ 4,78 bilhões.

Ainda no noticiário do dia, repercutiu por aqui o corte de projeções anunciado pelo Banco Central e a queda do dólar comercial, que renovou sua mínima do ano. Nos EUA, mais uma vez o tema “alta dos juros” esteve no radar.

Dando sequência às perspectivas negativas quanto ao mercado de crédito no Brasil anunciadas na véspera, o BC reduziu suas projeções para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do País deste ano de 2% para 1,6%. Sobre a inflação, a autoridade monetária elevou sua estimativa para o indicador para 6,4%, bem próximo ao teto de 6,5%, limite estabelecido pelo governo. Todos os setores da economia sofreram redução de previsão.

Bancos caem; Vale sobe
Os principais bancos privados, Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 32,21, -0,34%) e Bradesco (BBDC3, R$ 33,33, +0,21%; BBDC4, R$ 32,75, -0,21%) voltaram a ter um pregão negativo nesta quinta. Na véspera, eles lideraram as perdas, com Bradesco chegando a marcar queda de 4,5%, após o Banco Central trazer piores perspectivas para o mercado de crédito brasileiro.

O principal destaque para o dia positivo do índice, as ações da Vale tiveram ganhos de mais de 2% com os preços do minério de ferro no mercado à vista chinês subindo 1,7%, para sua máxima em quase um mês – a commodity é a principal fonte de receita da companhia. Mesmo com essa alta, a empresa ainda acumula queda na faixa de 15% em 2014.

No sentido oposto, as siderúrgicas Usiminas (USIM5, R$ 7,91, -1,49%) e Gerdau (GGBR4, R$ 13,39, -1,90%) fecharam entre as principais quedas da sessão. A fala dos analistas do Goldman Sachs em relatório destaca que o mercado de aço brasileiro está apresentando baixa demanda e exibindo preços elevados tanto no segmento de planos como de longos. Segundo os analistas, o “prêmio” – diferença entre os preços no Brasil e no exterior – do aço no País está em 15% no caso dos laminados a quente, 14% nos laminados a frio, 13% em produtos galvanizados ante níveis normalizados de 5% a 10%.

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Enquanto isso, as ações da Petrobras (PETR3, R$ 16,20, -0,18%; PETR4, R$ 17,32, +0,17%) fecharam próximo à estabilidade, após oscilarem entre maiores perdas e ganhos, ainda repercutindo a notícia de que ela pagará R$ 15 bilhões nos próximos quatro anos para ter o direito de explorar o óleo excedente nas áreas da cessão onerosa de Búzios, entorno de Iara, Florim e nordeste de Tupi, anunciado na última terça-feira. De acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg, nem todos os 10 diretores foram informados antes do anúncio.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 OIBR4 OI PN 2,12 +2,91 -40,95 52,14M
 QUAL3 QUALICORP ON 25,94 +2,53 +15,29 44,64M
 BRAP4 BRADESPAR PN 20,36 +2,47 -15,46 31,64M
 VALE3 VALE ON 29,34 +2,37 -15,53 92,64M
 VALE5 VALE PNA 26,38 +2,17 -16,92 411,81M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 NATU3 NATURA ON 38,10 -3,35 -4,81 70,42M
 GOAU4 GERDAU MET PN 16,11 -2,13 -30,38 24,29M
 GGBR4 GERDAU PN 13,39 -1,90 -26,26 74,86M
 CSAN3 COSAN ON 39,53 -1,57 +0,85 28,67M
 BRFS3 BRF SA ON 52,18 -1,55 +6,86 114,65M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 26,38 +2,17 411,81M 307,77M 25.452 
 PETR4 PETROBRAS PN 17,32 +0,17 399,68M 535,91M 20.155 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 32,21 -0,34 321,59M 321,87M 15.882 
 BBDC4 BRADESCO PN ED 32,75 -0,21 185,62M 262,93M 11.894 
 CIEL3 CIELO ON 46,03 -0,26 154,88M 112,36M 8.099 
 KROT3 KROTON ON 61,74 +0,31 149,89M 103,55M 6.050 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 15,68 +1,10 132,08M 160,10M 12.860 
 PETR3 PETROBRAS ON 16,20 -0,18 126,54M 169,87M 8.184 
 BRFS3 BRF SA ON 52,18 -1,55 114,65M 85,39M 9.697 
 CYRE3 CYRELA REALT ON 13,70 0,00 93,88M 34,74M 4.971 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

Dólar “perde” R$ 2,20
Já o dólar deu sequência ao movimento de desvalorização visto na véspera. Nesta sessão, a moeda americana registrou queda de 0,44%, cotada a R$ 2,1963 na venda – seu menor patamar em quase 8 meses. Vale lembrar que, na última terça-feira (24), o Banco Central informou que deve manter seu programa de intervenção no mercado de câmbio pelo menos até o final de 2014. Segundo a autoridade monetária do BC, serão mantidos os leilões de swap cambial de US$ 200 milhões em 4 mil contratos diários.

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“Foi um fator técnico, com alguns investidores zerando posições para realizar perdas”, disse à agência Reuters o estrategista-chefe do banco Mizuho, Luciano Rostagno. Boa parte do mercado acredita que o Banco Central não quer que o dólar caia abaixo deste patamar devido a possíveis impactos adversos sobre as exportações. Por outro lado, a percepção é de que autoridade monetária quer evitar cotações muito acima de R$ 2,25, que poderiam pressionar a inflação via encarecimento de importados.

O dólar vinha oscilando dentro dessa banda informal entre R$ 2,20 e R$ 2,25 praticamente desde o início de abril. A divisa chegou a flertar com níveis mais altos em meados de junho em meio a expectativas de que o BC poderia reduzir o ímpeto de suas intervenções no câmbio, mas o movimento perdeu força após a autoridade monetária assegurar que continuará atuando diariamente até pelo menos o fim do ano no mesmo ritmo.

Apesar de ter rompido o piso de R$ 2,20 nesta sessão, analistas afirmam que o dólar não deve se sustentar nesses níveis mais baixos. “O investidor já assume que quando o dólar recua muito, o BC pode tomar uma atitude”, afirmou o diretor de câmbio da corretora Pioneer, João Medeiros, em entrevista à Reuters.

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Bullard desanima investidores nos EUA
O dia de leves ganhos na Bovespa destoou da sessão de perdas no mercado dos Estados Unidos, em dia dividido entre a partida decisiva da seleção americana pela Copa do Mundo – que mexeu com o volume das bolsas – e o discurso do presidente do Federal Reserve de St. Louis, James Bullard, que vê a economia americana em um claro sinal de recuperação.

“Com o passar do tempo, entretanto, torna-se mais e mais difícil argumentar que os mercados de crédito permanecem em uma situação de deterioração, e portanto mais difícil de justificar contínuas taxas reais baixas”, diz Bullard. Ele também afirma que o QE3 deverá chegar ao seu final em outubro deste ano. Para ele, uma elevação na taxa de juros deve ocorrer ainda no primeiro trimestre do ano que vem. Bullard ainda disse que o mercado pensa que a autoridade monetária do país é mais “dovish” (termo usado no sentido de maior conservadorismo) do que realmente é.

As perspectivas de uma elevação na taxa de juros feitas por Bullard nesta sessão alimentaram o pessimismo dos investidores em Wall Street, culminando em quedas na casa de 0,1% nos principais índices acionários dos Estados Unidos – apesar do dia negativo, houve recuperação em comparação com o intraday.

Ainda na maior economia do mundo, o dia marcou a divulgação dos números de pedidos de auxílio desemprego na última semana, , que ficou em linha com o esperado com 312 mil pedidos; os dados de renda e gasto pessoal também ficaram em linha com as estimativas.


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.