Vale retoma liderança das recomendações para o primeiro mês de 2010

Ações preferenciais da Petrobras ficam em segundo lugar entre as preferidas dos analistas, seguidas por Gerdau e Lojas Americanas

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SÃO PAULO – Depois de encerrar o ano passado como vice, a Vale retomou a liderança entre as recomendações dos analistas para janeiro de 2010. Os papéis preferenciais classe A da mineradora receberam 20 recomendações entre as 23 carteiras avaliadas no mês, contra 16 dos ativos preferenciais da Petrobras, que ficaram em segundo lugar. Em seguida aparecem Gerdau e Lojas Americanas, com nove votos cada.

As carteiras consideradas este mês, que incluíram bancos e corretoras, foram: Amaril Franklin, Ativa, Brascan, Banif, BTG Pactual, Bradesco, BB, Citi, Coin, Fator, HSBC, Itaú Corretora, Link, Omar Camargo, Planner, Pilla, Souza Barros, Spinelli, Senso, Socopa, SLW, XP Investimentos e Win.

Vale de volta ao topo
Após dois meses atrás da Petrobras nas preferências dos analistas, os papéis PNA da Vale voltam a liderar as recomendações no primeiro mês de 2010, com 20 votos. A economia chinesa e a expectativa de recuperação do preço do minério de ferro são os principais drivers dos papéis.

A Itaú Corretora, por exemplo, avalia de maneira positiva o setor de mineração, já que em dezembro o preço do minério de ferro no mercado à vista alcançou o segundo recorde consecutivo em 2009 – o que, na opinião da Socopa, sinaliza uma posição mais confortável para as mineradoras nas negociações com as siderúrgicas chinesas neste ano. Além disso, a Itaú afirma que é previsto que as negociações do preço da matéria-prima registrem, no mínimo, aumento de 20% em 2010.

Para a SLW, a recuperação da atividade industrial mundial e retomada da produção siderúrgica são fatores-chave no resultado da empresa, e fundamentam a recomendação para os ativos da mineradora. “Considerando o uso corrente de capacidade praticamente total por parte das mineradoras australianas, a Vale é a companhia melhor posicionada para tirar proveito do cenário de retomada da demanda mundial”, completa a Spinelli.

A Win também espera que a demanda por minério de ferro siga aumentando, sustentada pelas economias emergentes, sobretudo China, Índia e Brasil. Já para o HSBC, a expectativa de crescimento mais forte dos EUA também poderá beneficiar a Vale, já que os preços médios são maiores do que os praticados no mercado chinês.

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O resultado do terceiro trimestre de 2009 também impacta as recomendações da empresa. De acordo com o HSBC, o balanço trouxe uma série de surpresas positivas, especialmente no que tange o maior preço de realização do minério e aumento da participação de Europa e Américas no mix de vendas da empresa. A Socopa, por sua vez, destaca o desempenho da China, que atingiu 41,1 milhões de toneladas, 13,2% maior que o segundo trimestre.

Ação

 Recomendações 

Vale 20
Petrobras 16
Gerdau 9
Lojas Americanas 9
BR Foods 8
BM&F Bovespa 8
Itaú Unibanco 8

Ainda em relação a China, a Brascan ressalta que o valor do frete apresentou queda no final do ano passado, traduzindo-se em um prêmio de 41% sobre o produto vendido sob a forma de contrato (base CIF), “o que sugere maior capacidade de barganha das mineradoras para assegurar um bom reajuste para o período 2010/2011”.

Entretanto, segundo a corretora, o cenário ainda incerto no setor siderúrgico pode resultar em menor demanda de minério, e a greve em Voisey’s Bay e Sudbury deve afetar de forma mais significativa os embarques de cobre e níquel nos próximos trimestres, reduzindo a rentabilidade do segmento.

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Petrobras cai para segundo lugar
A Petrobras fica com a vice-liderança nas recomendações do mês, com 16 votos para seus papéis preferenciais. Com base no fraco desempenho dos papéis da estatal em dezembro, os analistas da SLW acreditam que as ações deverão se recuperar neste mês, considerando que estão atrasadas e contam com bons fundamentos.

Os analistas da Spinelli destacam o bom resultado apresentado pela estatal, que superou as expectativas do mercado. “O principal destaque pode ser atribuído aos efeitos da otimização do parque de refino nacional, cujo contínuo tem possibilitado maior extração deste derivado como proporção da Carga Fresca Processada, com reflexos na melhora de margens e na sua balança comercial”, apontam os analistas.

A Win aponta que a estatal tem aumentado o volume de petróleo extraído, assim como suas reservas comprovadas depois da descoberta de Tupi e Júpiter. “Ela ampliou, inclusive, sua capacidade de refino e distribuição, amenizando o efeito negativo da queda da cotação do petróleo no mercado internacional”, afirmam os analistas. A Socopa, por sua vez, acredita que novas descobertas podem ser divulgadas no médio prazo.

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O movimento de alta dos preços das commodities – incluindo o petróleo – também deve impulsionar os papéis da Petrobras. O Citi, por exemplo, elevou as projeções para o preço do petróleo para refletir as expectativas de um cenário mais apertado de oferta/ demanda no período entre 2010 e 2013.

O banco norte-americano aponta a empresa como sua top pick entre as empresas latino-americanas do setor, devido as perspectivas de um forte perfil de crescimento devendo retornar em 2010 após o fim das discussões regulatórias. “Os lucros devem manter uma tendência de alta devido ao avanço no preço das commodities, melhores margens de refino e crescimento da produção”, afirmam os analistas.

Entretanto, o Banif aponta que os papéis da estatal podem sofrer com preços do petróleo mais baixos, e o debate sobre interferência política que deve ocorrer com a proximidade das eleições presidenciais. Já a Socopa afirma que o cenário internacional e os desdobramentos sobre o novo marco regulatório do pré-sal continuarão ditando o ritmo das ações da empresa brasileira.

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Gerdau e Lojas Americanas dividem o bronze
Empatadas com nove recomendações cada, as ações preferenciais da Gerdau e da Lojas Americanas dividem o terceiro lugar entre as preferências dos analistas. Ambas se beneficiam das perspectivas positivas para o País

No caso da Gerdau, a SLW espera uma melhora substancial no cenário de atuação da empresa para os próximos trimestres, com forte evolução nas vendas físicas no Brasil e países vizinhos, promovida pelo aquecimento das atividades de construção habitacional. Perspectivas favoráveis para obras de infraestrutura – para as Olimpíadas, Copa do Mundo e PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) – também funcionam como driver dos ativos.

Além disso, o Bradesco afirma que verificou uma retomada de empréstimos de grandes bancos ao segmento de construção de média e alta renda, sem mencionar o programa “Minha Casa, Minha Vida”. Os analistas também destacam a retomada da Açominas como crítica para a melhora de margens no Brasil e no consolidado da Gerdau.

O HSBC, por sua vez, tem expectativas mais favoráveis quanto ao crescimento da demanda por aço nos EUA; inclusive nos setores não residencial e na indústria automobilística. A equipe do banco ressalta, contudo, que a apreciação do real frente ao dólar prejudica incorporação de resultados dos ativos da empresa no exterior.

Já a Lojas Americanas deve se beneficiar, segundo a Win, das expectativas de crescimento do País, a melhoria de renda da população e o aumento do crédito no mercado doméstico – fatores que beneficiam diretamente a empresa. Além disso, o HSBC destaca que o aumento dos índices de confiança do consumidor reforça as perspectivas quanto ao crescimento das vendas de final de ano.

Ainda de acordo com a equipe do HSBC, a Lojas Americanas apresentou resultados operacionais sólidos no terceiro trimestre de 2009, o que traz boas perspectivas para os números do último trimestre do ano.

Por fim, a Win aponta a parceria da varejista com o Banco Itaú, cuja financeira atende às demandas de seus consumidores.