Vale: resultados frustram analistas, com elevação dos custos e menores volumes

Menores níveis de venda, valorização cambial e elevação nos custos trouxeram geração de caixa bem abaixo do esperado

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SÃO PAULO – Um desempenho abaixo do esperado, fruto de menores volumes, valorização do real e uma inesperada e significativa elevação nos custos: assim poderia ser resumida a visão dos analistas acerca dos resultados obtidos pela Vale (VALE5, VALE3) no quarto trimestre de 2009, divulgados na noite da última quarta-feira (10).

Entre outubro e dezembro do ano passado, a mineradora somou um lucro líquido de R$ 2,629 bilhões, levemente acima do esperado. No entanto, seu Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), importante indicador de geração de caixa, veio bem abaixo das projeções dos analistas.

Entretanto, ainda que sua performance trimestral tenha decepcionado, os analistas também são consensuais ao julgarem as pressões como efêmeras e ao reafirmarem, desta forma, seu otimismo para os próximos resultados da Vale este ano.

De onde vêm os maiores custos
Um fator que marcou presença em todos os relatórios aos quais a InfoMoney teve acesso foi o surpreendente aumento nos custos reportados pela Vale. Os custos operacionais com o minério de ferro, como destaca o Barclays, cresceram para expressivos US$ 25 por tonelada da commodity, em grande parte devido à maior procura da empresa por serviços contratados, “à medida que se prepara para operar em plena capacidade”.

Na visão da Brascan Corretora, no entanto, outros fatores também exerceram papel importante ns maiores dispêndios da Vale, como um abono de R$ 60 milhões devido a acordos trabalhistas com sindicatos e o reconhecimento de R$ 185 milhões em contingências ligadas a ações judiciais no Brasil.

Outro fator apontado pela própria Vale como condicionante dos maiores custos registrados foi a trajetória de queda do dólar frente à moeda brasileira, “que ao menos nesse primeiro trimestre de 2010 já deverá mostrar alguma recuperação”, observam os analistas da Link Corretora.

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Retomada das atividades no Canadá
Como ressalta a equipe da Socopa Corretora, no quarto trimestre de 2009, os gastos da Vale com compra de níquel no mercado para atender a contratos firmados com clientes passou de R$ 31 milhões no terceiro trimestre de 2009 para R$ 78 milhões no trimestre seguinte, sobretudo em função da parada de suas operações em Sudbury, no Canadá, onde os funcionários permanecem em greve desde julho do ano passado.

“A greve está atrapalhando bastante a companhia, que precisa resolver a situação para retomar níveis de rentabilidade nesse segmento”, alertaram os analistas da Link. Em teleconferência realizada nesta tarde, a Vale reafirmou planos concretos de retomar as atividades na planta, sustentando o otimismo da Brascan quanto à redução em tais dispêndios nos próximos trimestres.

Volumes também decepcionaram
Não foi apenas pelo lado das despesas, no entanto, que o desempenho trimestral da Vale recebeu críticas dos analistas. “Os volumes de minério de ferro decepcionaram ao reportarem queda de 6%, em função da época chuvosa e de restrições portuárias no embarque de mercadorias”, pontuam os analistas da Itaú Corretora.

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A visão é praticamente a mesma que a sustentada pelas equipes do Barclays e da Socopa, esta última que ressalta também os problemas de manutenção em Carajás. Entretanto, analistas acreditam que a situação deva ser normalizada nos próximos trimestres, passado o efeito sazonal e resolvidos os problemas no terminal Ponta da Madeira.