Vale: preços elevados do minério seguem sustentando tese apesar da pressão de custos

Aumento de custos não representa uma deterioração estrutural dos fundamentos da Vale, mas reflete fatores externos que afetam todo o setor

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Minério de ferro (Crédito: Shutterstock)
Minério de ferro (Crédito: Shutterstock)

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Apesar da pressão crescente dos custos, impulsionada pela valorização do real e pela alta dos insumos, especialmente após o conflito no Oriente Médio, o Bradesco BBI avalia que a combinação de preços elevados do minério de ferro e dos metais básicos com uma execução operacional consistente continua sustentando a tese de investimento da Vale (VALE3).

Segundo o banco, as estimativas de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) e geração de caixa permanecem praticamente inalteradas.

Ainda assim, o segundo trimestre deve exigir maior atenção do mercado, com o custo caixa C1 (da mina ao porto) próximo de US$ 25 por tonelada e o custo total ao redor de US$ 65 por tonelada, elevando a probabilidade de uma revisão do guidance da companhia.

Na avaliação do BBI, o aumento de custos não representa uma deterioração estrutural dos fundamentos da Vale, mas reflete fatores externos que afetam todo o setor.

O banco vê espaço para forte geração de caixa e manutenção de retorno ao acionista, incluindo dividendos mínimos estimados em US$ 4,5 bilhões e potencial distribuição extraordinária ao longo do segundo semestre, levando o yield total próximo a 10%.

O Bradesco BBI manteve recomendação de compra para Vale, com preço-alvo de R$ 102,00, sustentada por valuation ainda atrativo — com expectativa de geração de caixa ao redor de 8% do valor de mercado da companhia em 2026, com desconto relevante frente a pares globais.

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O Bank of America (BofA) também demonstra preocupação com o aumento dos custos ao longo de toda a cadeia produtiva, especialmente em fretes, logística e matérias-primas, em função da alta dos combustíveis. Segundo o banco, esses efeitos já apareceram nos resultados do primeiro trimestre e foram um dos principais temas discutidos pelas empresas durante sua conferência de Metais e Mineração.

O banco avalia que os preços do minério de ferro permanecem elevados principalmente devido ao aumento dos custos de produção, impulsionados pela alta de fretes, energia e outros insumos após a guerra.

Na visão do BofA, o suporte atual vem mais dos custos do que de fundamentos robustos de oferta e demanda. Ainda assim, os preços devem permanecer próximos dos níveis atuais no curto prazo.

Nesse contexto, a preferência do BofA é pela Vale, recomendação de compra e preço-alvo de R$ 94, pois a mineradora combina valuation mais atrativo, melhor geração de caixa e menor necessidade de investimentos em comparação com a CSN Mineração (CMIN3).

Mercado de aço

Segundo o banco, os mercados siderúrgicos apresentam dinâmicas bastante diferentes. No Brasil, os reajustes de preços foram bem-sucedidos graças às medidas de proteção comercial e à redução das importações. Porém, a demanda ainda é fraca e os estoques permanecem elevados, limitando novas altas.

Já nos Estados Unidos, o cenário continua favorável, com preços do aço plano em forte alta, oferta restrita, menor volume de importações e demanda resiliente.

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Por isso, o BofA mantém preferência por Gerdau (GGBR4) e Ternium, empresas mais expostas ao mercado norte-americano e com tendências de investimentos mais favoráveis que Usiminas (USIM5) e CSN (CSNA3).

Gerdau (GGBR4)

O BofA manteve recomendação de compra para a Gerdau, com preço-alvo de R$ 27, sustentada pela força de sua operação na América do Norte.

A instituição elevou sua projeção de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) para 2026 de R$ 11,3 bilhões para R$ 13,1 bilhões e vê a companhia negociando a apenas 4 vezes EV/Ebitda (Valor da Firma sobre Ebitda) projetado para 2026, além de apresentar retorno de fluxo de caixa livre de 8,1%.

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Usiminas (USIM5)

O Bank of America reiterou a recomendação neutra para a Usiminas (USIM5) e eleva preço-alvo de R$ 8 para R$ 11, avaliando que o potencial de valorização é limitado após a ação acumular alta de cerca de 80% no ano.

Na visão do banco, apesar dos sólidos resultados do primeiro trimestre de 2026 e dos recentes reajustes de preços do aço, a atual dinâmica de preços serve principalmente para compensar o aumento dos custos, apontando mais para uma estabilização das margens do que para uma expansão.

O BofA acredita que as altas de preços do aço já estão amplamente refletidas na cotação atual da ação, fazendo com que os riscos de queda sejam maiores do que os potenciais ganhos neste momento.

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Além disso, o banco segue cauteloso em relação a um eventual anúncio de investimentos relacionados à MUSA, que poderia pressionar adicionalmente o fluxo de caixa da companhia. As estimativas mais recentes apontam para investimentos totais próximos de US$ 1,5 bilhão.

CSN (CSNA3)

O BofA reiterou a recomendação underperform para a CSN (CSNA3), reduzindo preço-alvo de R$ 6 para R$ 5, citando preocupações com a alavancagem financeira da companhia em meio à aceleração dos investimentos no projeto P15 da divisão de mineração.

O banco projeta que a relação dívida líquida/Ebitda fique próxima de 5 vezes ao final de 2026, considerando inclusive operações de pré-pagamento.

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Ao mesmo tempo, aumentam as preocupações em relação ao refinanciamento da dívida da companhia, o que reforça a necessidade de venda de ativos no curto prazo.

CSN Mineração (CMIN3)

O BofA manteve a recomendação underperform para a CSN Mineração (CMIN3) e reduziu preço-alvo de R$ 4 para R$ 3,30, avaliando que a ação negocia com prêmio em relação a outras mineradoras de minério de ferro, especialmente quando considerados os pré-pagamentos incorporados à dívida líquida.

Além disso, o banco espera que a companhia consuma caixa em 2026 devido ao elevado volume de investimentos no projeto P15.

O relatório também destaca que questões de liquidez na holding podem levar a decisões como a aquisição da participação na MRS, anunciada em dezembro, o que pode ser desfavorável aos acionistas minoritários.