Vale: preços e produção do minério no 1T trazem otimismo para balanço

Mineradora superou ligeiramente as expectativas do mercado

Felipe Moreira

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As ações da Vale (VALE3) operam em alta nesta sexta-feira (17) após a divulgação do relatório de produção e vendas do primeiro trimestre de 2026 (1T26). A mineradora teve alta de 3% na produção do minério de ferro, em 69,6 milhões de toneladas, na comparação com o mesmo período de 2025. Os papéis VALE3 avançaram 2,64%, a R$ 89,75.

A XP Investimentos considera sólido o desempenho operacional da Vale, com resultados ligeiramente acima das suas estimativas, o que implica um potencial de alta de aproximadamente 5% em sua projeção de EBITDA ajustado de aproximadamente US$ 4,2 bilhões no 1T26, contra a estimativa anterior de aproximadamente US$ 4,0 bilhões.

Segundo Morgan Stanley, o aumento da produção foi impulsionado principalmente pela continuidade da expansão do projeto Capanema, que deverá atingir a capacidade total no 2T26; pelo melhor desempenho em Brucutu, que alcançou a maior produção do primeiro trimestre desde 2018; e pela redução do tempo de inatividade para manutenção no Complexo Itabira. “Esses desenvolvimentos positivos mais do que compensaram a menor disponibilidade de minério bruto em Serra Norte.”

O Morgan Stanley reiterou recomendação de compra e preço-alvo de US$ 19,50 por ADR.

Para Bradesco BBI, a Vale entregou mais um conjunto robusto de resultados, com crescimento de produção em base anual em todas as linhas, reforçando a leitura de execução consistente, mesmo diante de desafios pontuais, como chuvas mais intensas e restrições temporárias em algumas minas.

Com forte momento operacional, aliado a preços mais elevados, o BBI projeta o EBITDA em aproximadamente US$ 3,9 bilhões no trimestre. O banco reiterou recomendação de compra para VALE3, com empresa gerando cerca de 11% do seu valor de mercado em caixa ao longo de 2026, considerando os preços atuais das commodities.

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Na avaliação do BTG Pactual, a mineradora apresentou resultados operacionais consistentes, em linha com as estimativas para minério de ferro e cobre, e acima no níquel.

No segmento de metais básicos, cobre apresentou crescimento sólido e níquel superou expectativas, com forte produção e preços elevados. Segundo BTG, o desempenho foi suportado por maior produção em ativos relevantes e melhorias operacionais, apesar de impactos pontuais climáticos e logísticos. O banco manteve recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 85, citando que a companhia segue com trajetória previsível e estável.

O Itaú BBA, por sua vez, avalia que os números de produção e vendas da Vale ficaram relativamente em com as expectativas, resultando em um pequeno ajuste para cima em sua estimativa de EBITDA pro forma para o 1T26, para aproximadamente US$ 4,060 bilhões, alta 1,5% em relação à estimativa anterior de US$ 4 bilhões. “O trimestre foi novamente marcado por números de vendas resilientes e melhor realização de preços (principalmente na divisão de Metais Básicos)”, destaca.

O BBA reiterou recomendação de compra e preço-alvo de R$ 101.

Já a Genial destaca o forte desempenho das operações de metais básicos (VBM), com cobre e níquel entregando volumes e preços acima do projetado. De outro lado, os embarques de finos de minério de ferro também vieram mais fortes que o esperado, impulsionados por um movimento de desestocagem mais intenso.

Esses fatores operacionais acabaram se refletindo diretamente na revisão das estimativas financeiras. A Genial elevou sua projeção de EBITDA proforma para US$ 4,1 bilhões, um avanço de 2,6% em relação à estimativa anterior. Ainda assim, o número representa queda de 15,8% na comparação trimestral, mas alta expressiva de 26,8% na base anual, indicando melhora relevante na comparação com o mesmo período do ano passado.

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A Genial Investimentos manteve recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 90.

Além dos dados lido por analistas como positivos presentes no relatório de produção e vendas, o minério de ferro com alta também sustenta avanço dos papéis. Os preços futuros do minério de ferro na bolsa de Dalian subiram nesta sexta-feira, com os investidores avaliando possíveis interrupções no fornecimento do produto pela Austrália contra uma demanda moderada devido a restrições ambientais da China em uma importante província produtora de aço.